Edição 1812 . 23 de julho de 2003

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Carta ao leitor
Muito calor e pouca luz


Gildo Lima/Ag. A Tarde/AE
Protesto contra a reforma da Previdência: todos perdem com a insolvência do sistema

Faz-se em Brasília um esforço de gladiador para aprovar uma reforma da Previdência com resultados positivos imprescindíveis ao país. A exibição de tanta energia esconde os resultados medíocres a que, com muito custo, agora parece que se vai chegar. Uma reportagem da presente edição de VEJA mostra que, pelas propostas apresentadas, ao fim de duas décadas o déficit previdenciário cairá menos de 10%. É melancólico constatar que neste começo de milênio os brasileiros sejam obrigados a assistir a uma refrega intensa, cheia de golpes e contragolpes entre políticos, funcionários públicos e altos representantes do Judiciário, para aprovar reformas básicas que países menos viáveis que o Brasil já fizeram no século passado. Aos olhos do mundo, o Brasil está metido em sua perene e inglória luta contra o bom senso, a lógica e a aritmética mais rudimentar. O sistema previdenciário está falido e, se vier a desabar, prejudicará os sonhos de prosperidade desta e das futuras gerações.

Em doses diferentes, falta a muitas autoridades o senso de urgência para resolver essa questão de tamanha obviedade. Os líderes da nação, sejam eles do Executivo, do Legislativo ou do Judiciário, parecem não se dar conta de que o governo embolsa na forma de impostos pouco mais de 1 em cada 3 reais da riqueza produzida pela economia e fica com 8 de cada 10 reais do crédito bancário disponível. É preciso que se convençam de que não é possível exigir mais sacrifícios dos cidadãos, como os que seriam incontornáveis no caso de um fracasso da reforma da Previdência. Os países mais promissores, do ponto de vista dos investidores estrangeiros, como China, Índia e os novos candidatos a se juntar à União Européia, estão atraindo os dólares que vieram para o Brasil nos anos 90. O que esses países estão fazendo de certo? Eles estão diminuindo o tamanho do governo, aumentando a liberdade empresarial, cortando o custo dos encargos trabalhistas e ampliando o volume de crédito aos empreendedores. Estão empenhados em manter a estabilidade institucional e o estrito respeito aos contratos. Estão já na terceira onda das reformas, quando o Brasil mal consegue sair da primeira.

 
 
 
 
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