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Carta
ao leitor
Muito
calor e pouca luz
Gildo Lima/Ag. A Tarde/AE
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contra a reforma da Previdência: todos perdem com a insolvência
do sistema |
Faz-se
em Brasília um esforço de gladiador para aprovar uma
reforma da Previdência com resultados positivos imprescindíveis
ao país. A exibição de tanta energia esconde
os resultados medíocres a que, com muito custo, agora parece
que se vai chegar. Uma reportagem da presente edição
de VEJA mostra que, pelas propostas apresentadas, ao fim de duas
décadas o déficit previdenciário cairá
menos de 10%. É melancólico constatar que neste começo
de milênio os brasileiros sejam obrigados a assistir a uma
refrega intensa, cheia de golpes e contragolpes entre políticos,
funcionários públicos e altos representantes do Judiciário,
para aprovar reformas básicas que países menos viáveis
que o Brasil já fizeram no século passado. Aos olhos
do mundo, o Brasil está metido em sua perene e inglória
luta contra o bom senso, a lógica e a aritmética mais
rudimentar. O sistema previdenciário está falido e,
se vier a desabar, prejudicará os sonhos de prosperidade
desta e das futuras gerações.
Em doses diferentes, falta a muitas autoridades o senso de urgência
para resolver essa questão de tamanha obviedade. Os líderes
da nação, sejam eles do Executivo, do Legislativo
ou do Judiciário, parecem não se dar conta de que
o governo embolsa na forma de impostos pouco mais de 1 em cada 3
reais da riqueza produzida pela economia e fica com 8 de cada 10
reais do crédito bancário disponível. É
preciso que se convençam de que não é possível
exigir mais sacrifícios dos cidadãos, como os que
seriam incontornáveis no caso de um fracasso da reforma da
Previdência. Os países mais promissores, do ponto de
vista dos investidores estrangeiros, como China, Índia e
os novos candidatos a se juntar à União Européia,
estão atraindo os dólares que vieram para o Brasil
nos anos 90. O que esses países estão fazendo de certo?
Eles estão diminuindo o tamanho do governo, aumentando a
liberdade empresarial, cortando o custo dos encargos trabalhistas
e ampliando o volume de crédito aos empreendedores. Estão
empenhados em manter a estabilidade institucional e o estrito respeito
aos contratos. Estão já na terceira onda das reformas,
quando o Brasil mal consegue sair da primeira.
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