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• Eleições: Delegado confirma tentativa de espionagem contra tucanosGeral
• Especial: 'Cala boca Galvão': um fenômeno planetárioTelevisãoAs vovozinhas malvadasNa novela Passione, duas
octogenárias têm a força.
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Fotos Divulgação/Tv Globo![]() |
| BRÍGIDA
(Cleyde Yáconis) Idade da atriz: 86 anos Safadezas da personagem: a paulistana quatrocentona tem alergia àqueles que não vêm de sua classe social, maltrata o marido (que considera senil) e tem encontros furtivos com o chofer Diógenes (Elias Gleiser) com quem mantém diálogos cheios de sugestões sexuais Frase típica: "Chegou a viciada perdida. Nunca pensei que ia ter esse tipo de gente dentro de casa" (sobre a noiva do neto) |
Dias atrás, a atriz Daisy Lúcidi foi abordada
por um anônimo em um café no centro do Rio de Janeiro. "Mas
como a senhora é ruim, hein, dona Valentina?", disparou o sujeito.
Desde que Daisy, de 80 anos, assumiu tal papel na novela Passione, a confusão
entre intérprete e personagem a persegue nas ruas como sempre ocorre
quando se corporifica com competência uma vilã da laia de Valentina.
Por baixo da casca de avó boazinha há uma criatura horrorosa, que
obriga a neta de 15 anos, Kelly (a novata Carol Macedo), a se prostituir. A vovó
maldosa remete, com realismo, ao noticiário sobre exploração
sexual de crianças e adolescentes. E é também ilustrativa
da visão peculiar que o atual folhetim das 8 da Globo tem a oferecer sobre
a propalada "terceira idade".
Em uma trama que chama atenção pelo fato já por si incomum de trazer quatro octogenários em papéis de realce, ela não é a única velhinha safada. Encontra sua contraparte, digamos, "do bem" na ricaça Brígida, representada por Cleyde Yáconis, de 86 anos. A matriarca sogra de Bete (Fernanda Montenegro) e vinte anos mais velha do que esta, embora as duas atrizes tenham só seis anos de diferença é esnobe e preconceituosa. Além disso, dá suas escapadas com o chofer da família, Diógenes (Elias Gleiser, de 76) tão logo o marido, Antero (Leonardo Villar, de 86), cai no cochilo. A misteriosa atividade a que patroa e chofer se dedicam é provavelmente inocente, mas as falas de duplo sentido carregam as cenas de libido. "Quero que o público imagine que os dois velhos podem, sim, estar fazendo sexo", diz o noveleiro Silvio de Abreu.
Brígida e Valentina destoam do padrão de velhice decantado nas novelas. Normalmente, atores na faixa etária de Daisy Lúcidi e Cleyde Yáconis ou são relegados a papéis de vovôs e vovós simpáticos ou mostrados como coitadinhos. O ápice dessa tendência foi o casal nonagenário (formado por Oswaldo Louzada e Carmem Silva, ambos mortos em 2008) que padecia nas mãos de uma neta sádica em Mulheres Apaixonadas (2003), de Manoel Carlos. Mas, como lembra o especialista Mauro Alencar, é possível pescar, na história do gênero, exemplos eventuais de velhinhos transviados. "Em tramas dos anos 70 como Os Ossos do Barão, de Jorge Andrade, ou O Casarão, de Lauro César Muniz, havia idosos com vida sexual bem apimentada", diz o estudioso. O próprio Silvio de Abreu tem tradição nessa matéria: em seu sucesso Sassaricando (1987), Paulo Autran (1922-2007) fazia um senhor que não resistia a um rabo de saia. Na novela atual, o autor avança ainda mais, tanto na idade dos atores quanto na voltagem de seus personagens.
Embora Passione venha ostentando uma audiência capenga para o horário das 8 desde sua estreia, há um mês, a Globo já detectou que a personagem de Cleyde Yáconis cativa o público. Veterana do teatro e dos folhetins, a atriz tempera a incorreção política com certa fleuma de dama quatrocentona (como são conhecidos os clãs tradicionais paulistanos). Brígida não poupa nem os idosos de discriminação: chama o próprio marido de "caduco". Apesar disso, trata-se de um registro ameno. Já a personagem de Daisy Lúcidi revolta os espectadores (e se soma ao arsenal de "temas-denúncia" explorados por Abreu, que inclui ainda o aborto e as drogas). Ex-deputada estadual no Rio, com quatro mandatos, e radialista há mais de sessenta anos (foi atriz de radionovelas e até hoje comanda um programa assistencialista), Daisy está debutando como vilã. "O maior desafio foi me despir da vaidade. Tive de engordar 5 quilos e venho me sujeitando aos vestidos sem manga e à maquiagem borrada para fazer aquela desqualificada", diz. Desqualificada é pouco. Para convencer Kelly a se prostituir, Valentina apela para a chantagem emocional: finge acessos de tosse e se faz de idosa vitimizada. No passado, ela fazia o mesmo com a neta mais velha, a golpista Clara. Vivida por Mariana Ximenes, essa última é a vilã "oficial" de Passione. Até agora, porém, a vovozinha vem lhe passando a perna.
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| VALENTINA
(Daisy Lúcidi) Idade da atriz: 80 anos Safadezas da personagem: cafetina asquerosa disfarçada de vovó boazinha, ela obriga Kelly (Carol Macedo), a neta de 15 anos, a prostituir-se com clientes de sua pensão. Também gosta de invocar sua condição de idosa para levar vantagens indevidas e manipular os incautos Frase típica: "Tomara que eu tenha logo um infarto, para você se roer de remorso. Ai, Deus, explode logo esse coração, me ajuda a castigar essa neta ingrata" |