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da Semana
Pecado
explícito
O primeiro-ministro inglês pede perdão
por massacre de 1972.
A reação: elogios. A pergunta:
e os outros erros?

Lizia Bydlowski
Peter Muhly/AFP
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Segunda maior cidade da Irlanda
do Norte, uma das frentes mais violentas da batalha entre católicos e protestantes
que dilacerou esse pedaço da Grã-Bretanha até as duas partes chegarem a um acordo histórico em 1998, Londonderry não
é lugar onde um primeiro-ministro britânico costume ser aplaudido
em praça pública. Pois David Cameron, que além de conservador
está só há um mês no cargo, foi, e muito, ao usar da
palavra para subverter um dos preceitos básicos da pacificação
de regiões conflagradas: o de pôr uma pedra no passado. Não
foi Cameron quem revirou a pedra, propriamente, mas foi ele quem confessou e,
ao fim, pediu perdão. Sobrou para ele o pepino de divulgar um portentoso
relatório que estava pronto desde março, mas foi guardado a sete
chaves para não interferir nas eleições, sobre os acontecimentos
em Londonderry no dia 30 de janeiro de 1972, o "domingo sangrento" (Sunday
Bloody Sunday, na música do U2) em que soldados abriram fogo contra
uma manifestação, matando catorze e ferindo treze. Legítima
defesa, justificou uma investigação na época. Massacre de
jovens desarmados, rebate o relatório de 5 000 páginas, resultado
de doze anos de trabalho a um custo equivalente a 500 milhões de reais.
Em telões na praça da prefeitura, Cameron leu os trechos mais marcantes
e concluiu que os tiros foram "injustificados e injustificáveis"
e que "o que aconteceu nunca deveria ter acontecido". No fim, pediu
desculpas às famílias das vítimas "em nome do governo,
em nome do país". Passada a euforia da muito louvável atitude,
começaram as cobranças. Cameron se desculpará por outros
erros do passado? Jean Charles de Menezes, o brasileiro morto por
engano pela polícia londrina, foi muito citado no contexto. |