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Home  »  Revistas  »  Edição 2170 / 23 de junho de 2010


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Imagem da Semana

Pecado explícito

O primeiro-ministro inglês pede perdão por massacre de 1972.
A reação: elogios. A pergunta: e os outros erros?


Lizia Bydlowski

Peter Muhly/AFP
 
• Segunda maior cidade da Irlanda do Norte, uma das frentes mais violentas da batalha entre católicos e protestantes que dilacerou esse pedaço da Grã-Bretanha até as duas partes chegarem a um acordo histórico em 1998, Londonderry não é lugar onde um primeiro-ministro britânico costume ser aplaudido em praça pública. Pois David Cameron, que além de conservador está só há um mês no cargo, foi, e muito, ao usar da palavra para subverter um dos preceitos básicos da pacificação de regiões conflagradas: o de pôr uma pedra no passado. Não foi Cameron quem revirou a pedra, propriamente, mas foi ele quem confessou e, ao fim, pediu perdão. Sobrou para ele o pepino de divulgar um portentoso relatório que estava pronto desde março, mas foi guardado a sete chaves para não interferir nas eleições, sobre os acontecimentos em Londonderry no dia 30 de janeiro de 1972, o "domingo sangrento" (Sunday Bloody Sunday, na música do U2) em que soldados abriram fogo contra uma manifestação, matando catorze e ferindo treze. Legítima defesa, justificou uma investigação na época. Massacre de jovens desarmados, rebate o relatório de 5 000 páginas, resultado de doze anos de trabalho a um custo equivalente a 500 milhões de reais. Em telões na praça da prefeitura, Cameron leu os trechos mais marcantes e concluiu que os tiros foram "injustificados e injustificáveis" e que "o que aconteceu nunca deveria ter acontecido". No fim, pediu desculpas às famílias das vítimas "em nome do governo, em nome do país". Passada a euforia da muito louvável atitude, começaram as cobranças. Cameron se desculpará por outros erros do passado? Jean Charles de Menezes, o brasileiro morto por engano pela polícia londrina, foi muito citado no contexto.
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