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Home  »  Revistas  »  Edição 2170 / 23 de junho de 2010


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Negócios

Ouro express

Empresa alemã lança as primeiras máquinas
de vender barras de ouro do mundo, tirando
proveito da onda de valorização do metal


Larissa Tsuboi

Fotos Mosab Omar/Reuters e divulgação
É SÓ PASSAR O CARTÃO
A máquina das barras de ouro, para presentear ou investir
 

Uma empresa alemã pôs em operação as primeiras máquinas de vender ouro do planeta. Elas são similares às tradicionais máquinas de bebidas, doces e salgadinhos. Em vez de latas de refrigerante, no entanto, é possível comprar barrinhas de ouro puro. A ideia, que a princípio parece absurda, foi posta em prática no luxuoso hotel Emirates Palace, em Abu Dhabi, e no aeroporto de Frankfurt, os dois primeiros pontos a ganhar máquinas GOLD to Go. Há dez opções de barras e moedas, que vão de 1 grama até 1 onça troy (medida equivalente a 31,1g). Pode-se pagar com dinheiro ou cartão de crédito, e o valor é ajustado a cada dez minutos, de acordo com as oscilações da cotação do metal nos mercados internacionais. Nas máquinas, há um ágio de 30% nos preços. A barra maior, de 1 onça troy, custa aproximadamente 2 900 reais. "Queremos popularizar o comércio legal do ouro", afirmou Thomas Geissler, presidente da Ex Oriente Lux, dona da GOLD to Go. A empresa alemã pretende instalar as máquinas em outras 500 localidades até o fim deste ano, incluindo estações de trem, shopping centers e aeroportos da Alemanha, Suíça, Áustria e Inglaterra.

Desde o estouro da crise financeira global, em 2008, as cotações do ouro têm batido recordes em todo o mundo. Sempre que existe um clima de incerteza e desconfiança com relação ao poder de compra de uma moeda, os investidores procuram ativos que sirvam de reserva de valor. O ouro, historicamente, cumpre esse papel. André Luiz Nunes, presidente do Grupo Fitta, empresa que negocia moedas e ouro no Brasil, acredita que os europeus e os americanos estejam passando por um momento de descrença nas instituições financeiras de seus países, semelhante ao que ocorreu no Brasil nos anos 80. Com a inflação alta e a rentabilidade ínfima da poupança, os brasileiros correram para comprar dólares, imóveis e ouro, tentando manter o poder de compra de suas reservas pessoais. "Ao verem instituições financeiras ir à lona, como o Lehman Brothers, é natural que os poupadores tenham receio em depositar todas as suas economias nos bancos", afirma Nunes. Deixar o dinheiro guardado embaixo do colchão também não é uma alternativa das mais sensatas. Com o tempo, a inflação corrói o poder de compra da moeda.

O ouro, assim, tende a atrair compradores pela segurança que ele oferece em momentos de turbulências econômicas, políticas e bélicas. Por isso é chamado de ativo contracíclico: enquanto tudo vai bem, seu preço recua, mas, quando o mundo está à beira de um colapso, os olhos do mercado se voltam para ele. Porém, para os pequenos investidores, não é tão fácil comprar ouro com certificado de procedência e em pequenas quantidades. Daí a ideia da empresa alemã de lançar as máquinas GOLD to Go. Não se imagina que uma dessas máquinas seja instalada no Brasil. Aqui, os pequenos investidores interessados em aplicar no metal devem procurar instituições financeiras credenciadas, que vendem ouro certificado. As barrinhas podem ser usadas para presentear pessoas queridas, além de servir como alternativa para diversificar os investimentos. Mas o professor de finanças Liao Yu Chieh, do Insper, adverte que a valorização recente do metal não deve iludir os investidores: "Ainda há pouca liquidez nos negócios com o ouro. Quando tentar revender as barras, o investidor poderá ter dificuldades para comercializar o metal ou conseguirá um preço aquém do que seria justo".

Investir em ouro pode até não ser ótimo negócio. Mas namorada nenhuma no mundo vai reclamar se ganhar uma dessas barrinhas de presente.


 

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