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Após as primeiras disputas, alguns jogadores elegeram o adversário mais traiçoeiro da Copa do Mundo: a bola usada em campo, batizada pelo fabricante, a Adidas, de Jabulani. Os goleiros Chaouchi, da Argélia, e Green, da Inglaterra, levaram frangos vergonhosos. Suas equipes culparam a bola oficial da Copa, cujo comportamento imprevisível estaria fazendo com que os jogadores errem seus passes por longa margem e dificultando o trabalho dos goleiros. Júlio César, o goleiro do Brasil, foi impiedoso comparou a Jabulani com uma bola de plástico daquelas vendidas em supermercados. A Universidade Loughborough, na Inglaterra, parceira da Adidas na criação da Jabulani, diz que ela tem apenas uma diferença relevante em relação à bola do último Mundial: é 5% mais veloz. Faltou dizer qual característica da Jabulani a torna mais rápida.
Para esclarecer essa
questão, VEJA procurou o engenheiro japonês Takeshi Asai, da Universidade
de Tsukuba. Ele foi o único, além da Adidas, a realizar testes comparativos
entre a Jabulani e a Teamgeist, a bola da Copa de 2006. Para isso, Asai mediu
o comportamento das bolas no túnel de vento. "Os testes revelam que
as duas sofrem de maneira distinta a ação do atrito com o ar. Por
essa razão, as trajetórias e as distâncias atingidas no campo
de jogo são diferentes", explica Asai. Segundo o engenheiro, o que
faz a diferença é a camada externa de cada uma delas. A superfície
da Teamgeist é completamente lisa. A Jabulani tem ranhuras nos gomos e
textura crespa. Um leigo pode pensar que a bola de superfície lisa ofereceria
menos resistência ao ar e, portanto, viajaria mais rápido. Sob as
leis da física não é o que acontece. A superfície
texturizada é mais eficiente do ponto de vista aerodinâmico do que
a lisa. Por isso a Jabulani é mais rápida e seus voos podem ser
mais altos e mais longos que os da bola usada na Copa de 2006. "A Jabulani
segue o mesmo princípio das bolas de golfe, que possuem pequenas depressões
na superfície para atingir as distâncias exigidas nas partidas",
disse a VEJA o engenheiro Ken Bray, da Universidade de Bath, na Inglaterra, especialista
em tecnologia de equipamentos esportivos. Resta aos jogadores se habituar à
nova bola antes de ser eliminados.