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Home  »  Revistas  »  Edição 2170 / 23 de junho de 2010


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Beleza

Curvas à vista

Em duas décadas, o corpo da mulher brasileira aumentou
em todas as direções: na média, ela tem mais busto,
mais quadril, mais cintura, mais altura e, sim, mais peso


Bel Moherdaui e Cristiane Sinatura

Fotos Roberto Loffel e Nana Moraes/Boa Forma
EM EXPANSÃO
Na década de 80, Luciana Vendramini, pequena, magrinha
e com medidas exíguas, era musa. Hoje, Juliana Paes é a tal

Quando se pensa num padrão de beleza nos dias de hoje, pensa-se em Juliana Paes. A atriz fluminense de 31 anos (atualmente grávida de três meses), morena e curvilínea, mede a altura certa (1,70 metro), pesa os quilos desejáveis (57) e registra a centimetragem perfeita (87 de busto, 67 de cintura, 98 de quadril) para se encaixar na preferência nacional. Pois há vinte anos o padrão era bem outro – naquele tempo, Juliana seria enorme. Na virada dos anos 80 para os 90, musa que era musa tinha corpinho de Luciana Vendramini, o que se traduz em tudo menor: Luciana, hoje com 39 anos, lembra que nos seus áureos anos tinha a menos que Juliana exatos 12 quilos, 10 centímetros de altura, 3 de busto, 7 de cintura e 11 de quadril. E ainda se achava acima do ideal: "Quando eu era bailarina, enfaixava o peito para não aparecer no colante. Até pensei em fazer plástica para reduzir um pouco, mas não tive coragem". As duas, ambas lindas, retratam um avanço geral das medidas do corpo das brasileiras nas últimas duas décadas: pesquisa do Instituto Gesser & Gesser, de Santa Catarina, especializado em estudos antropométricos, feita inicialmente com 28 000 mulheres de todas as capitais e repetida a cada seis anos com 10% desse total, aponta que de 1982 a 2006 a brasileira adulta ganhou, em média, 3 centímetros de altura, 4 de busto, 9 de cintura, 4 de quadril e 6 quilos.

Quem trabalha no ramo de cobrir (agora, com mais tecido) o corpo feminino tem acompanhado de perto a ampliação. "Quando pego um modelo de biquíni antigo no nosso acervo, fico surpresa. Como aquilo servia em alguém?", pergunta Suede Batista Silva, há mais de vinte anos modelista da linha praia da marca Rosa Chá. "O que mais mudou foi o sutiã do biquíni: o P de hoje é o M antigo", acrescenta. A constatação se repete na linha de lingeries da Valisère. "Começamos a receber comentários de que os sutiãs estavam apertando nas costas e, há três anos, resolvemos aumentá-los em um centímetro. O mesmo foi feito com as calcinhas, por um aumento sutil do quadril", confirma Michele Liu, gerente de marketing da empresa. Nos 24 anos que a pesquisa cobre, o busto médio passou de 90 para 94 centímetros, o quadril, de 98 para 102 centímetros, e a cintura, de 69 para surpreendentes 78 centímetros. "Sempre trabalhamos com uma tabela padrão de tamanhos de cinto, mas nos últimos anos recebemos tantos pedidos de aumento no comprimento que parte da produção ganhou cinco centímetros a mais", diz Claudete Syhva, da área de pesquisa e desenvolvimento da Arezzo. Neste caso, o alargamento se explica, em parte, pela cintura menos fina, e em parte pelo reposicionamento dela: nas roupas, foi ficando cada vez mais baixa.

"O aumento de medidas é consequência do aumento de peso da população, especialmente no caso da cintura, que é onde a mulher tende a acumular mais gordura", explica João Carlos Bouzas Marins, professor de educação física e fisiologia do exercício da Universidade Federal de Viçosa (UFV). "Temos dois componentes para explicar o crescimento: uma redução da atividade física e um aumento da ingestão calórica. Mas eu acredito que seja muito mais uma questão do aumento da oferta de alimentos muito ricos em energia", analisa o professor Luiz Antonio dos Anjos, coordenador do laboratório de avaliação nutricional e funcional da Universidade Federal Fluminense. Nem tudo, porém, é questão de comer mais e se exercitar menos. No caso da expansão mamária, o maior responsável é o silicone. "Por muitos anos, a segunda cirurgia plástica realizada com mais frequência no Brasil, depois da lipoaspiração, foi a de mama – muito mais para reduzir do que para aumentar. Agora, isso mudou: o primeiro lugar entre todas as cirurgias plásticas passou a ser a de colocação de próteses", relata o mastologista e cirurgião plástico João Carlos Sampaio Góes. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, das 629 000 cirurgias plásticas realizadas em 2008, 151 000 foram de mama, das quais 74% para colocação de próteses de silicone. "Há vinte anos, 20% das plásticas de mama que eu fazia eram para colocação de prótese. Hoje, são 80%. Naquela época, só colocava prótese quem precisava de uma reconstrução ou tinha uma necessidade imperativa. As indicações eram extremas. Agora são muito mais elásticas, até porque a técnica está muito mais desenvolvida", diz Sampaio Góes. Também o tamanho das próteses se ampliou, dos 180 mililitros comuns há dez anos, para cerca de 280 hoje, um desenvolvimento que enche os olhos de todos na praia, na casa do Big Brother Brasil e, sobretudo, no Carnaval. "Aumentaram o volume da coxa, do bumbum, do peito, da panturrilha. Temos mais espaço para trabalhar", comemora Carlos Barzellai, estilista responsável por muitas das elaboradas fantasias das madrinhas de bateria na Sapucaí.

Lailson Santos

Fonte: Instituto Gesser & Gesser

 

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