Edição 1859 . 23 de junho de 2004

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DVDs

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O Tempo de Cada Um: amantes e opressores


O Tempo de Cada Um
(Personal Velocity, Estados Unidos, 2002. Fox) – Em três histórias distintas, três mulheres fogem dos homens que, por motivos diversos, passaram de seus amantes a opressores. As atuações centrais, a cargo de Kyra Sedgwick, Parker Posey e Fairuza Balk, são excelentes. Ainda assim, é preciso destacar Parker e o episódio que ela protagoniza, sobre uma editora de livros que sempre viveu à sombra do pai, um advogado bem-sucedido e dado a iniciar uma nova família, com uma nova mulher, quando a anterior se mostra um desapontamento. É aí que a experiência pessoal da diretora e roteirista Rebecca Miller se mostra mais crucial: até essa elogiada estréia no cinema, Rebecca era mais conhecida por ser filha do dramaturgo Arthur Miller e mulher do ator Daniel Day-Lewis.

Coleção Irmãos Marx (Warner) – Durante uma viagem de navio, a cabine do empresário picareta Otis B. Driftwood (Groucho Marx) recebe tantos convidados que nem sequer se pode respirar ali. Para piorar, um dos convivas tira uma soneca sobre a bandeja dos garçons – que tentam, em vão, servir os passageiros. Só por essa cena de Uma Noite na Ópera (A Night at the Opera, Estados Unidos, 1935), esta caixa com cinco DVDs dos Irmãos Marx já vale o investimento. Groucho, Harpo, Chico e Zeppo (que largou a turma antes do sucesso e nunca fez falta) são uma instituição do humor americano, com sua receita de comentários sarcásticos (sempre a cargo de Groucho), malandragem (Chico) e anarquia (o mudinho Harpo, que se comunicava apenas com uma buzina). Completam a caixa curtas-metragens e comentários do crítico americano de cinema Leonard Maltin.

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Golpe: Michael Caine está ótimo


Um Golpe à Italiana
(The Italian Job, Inglaterra, 1969. Paramount) – Um bando de ladrões provoca um congestionamento nas ruas da cidade italiana de Turim, usando três adoráveis Mini Coopers – aqueles carrinhos minúsculos que voltaram à moda –, para roubar uma fortuna em ouro. Menos estiloso do que sua refilmagem (Uma Saída de Mestre, lançada nos cinemas no ano passado), esse misto de ação e comédia ganha pontos extras pela presença de Michael Caine, como o líder dos assaltantes, e pela participação do dramaturgo, compositor, ator, humorista etc. Noel Coward, no papel de um criminoso de alta classe que é objeto de reverência por parte de todos os funcionários da prisão em que está confinado, e cujas entradas em cena são anunciadas por temas como Rule Britannia e Deus Salve a Rainha. Trailer.

 

LIVROS

Humilhados e Ofendidos, de Fiódor Dostoiévski (tradução de Klara Gourianova; Nova Alexandria; 328 páginas; 44 reais) – Escritor que vive na pobreza, Vania, o narrador desse romance, parece incorporar alguns traços biográficos do próprio Dostoiévski (1821-1881), um dos gigantes da literatura russa. O centro do livro, porém, é o casal formado por Natacha, filha de uma família pobre, e o nobre Aliocha. O pai do rapaz, o príncipe Valkóvski, opõe-se ao romance e usará toda a sua habilidade manipulativa para frustrar a união dos dois. Publicado no início da década de 1860, antes de obras-primas como Os Irmãos Karamazov e Crime e Castigo, Humilhados e Ofendidos incorpora o príncipe Valkóvski à longa galeria dos monstros morais que só Dostoiévski era capaz de criar. Esta edição tem tradução direta do russo.

Artesanatos de Poesia, de Mário Faustino (Companhia das Letras; 588 páginas; 56 reais) – Mesmo tendo morrido prematuramente em um acidente aéreo, o piauiense Mário Faustino (1930-1962) firmou-se como um dos poetas mais vigorosos de sua geração. Autor de uma excepcional coletânea de poemas – O Homem e Sua Hora –, ele também era um crítico acurado, com um conhecimento enciclopédico da melhor poesia universal. Este livro recolhe textos produzidos para a página Poesia-Experiência, que Faustino manteve no Jornal do Brasil no final dos anos 50. São ensaios sintéticos que apresentam ao iniciante em poesia as obras de mestres modernos como Arthur Rimbaud, Stephen George e Ezra Pound. Muitos textos são acompanhados das excelentes traduções de Faustino para esses poetas. Leia trecho.

Equador, de Miguel Sousa Tavares (Nova Fronteira; 528 páginas; 39 reais) – Este é o primeiro romance do autor português, e também seu primeiro livro a ser lançado no Brasil. Em Portugal, Tavares é bastante conhecido por sua atividade jornalística – escreve em vários jornais e tem um programa de televisão – e por sua habilidade de gerar polêmica em assuntos que vão do futebol aos direitos dos homossexuais. Equador é um retrato ácido dos últimos anos da monarquia portuguesa. Narra a aventura de Luís Bernardo Valença, um dândi português que, em 1905, é nomeado governador de São Tomé e Príncipe, onde sofre o calor e a saudade de sua antiga e agitada vida social. O livro vendeu 140 000 exemplares em Portugal.

 

DISCOS

 
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Beastie Boys: contra o establishment  

To the 5 Boroughs, Beastie Boys (EMI) – Se o cineasta Michael Moore (de Tiros em Columbine) fizesse rap em vez de produzir documentários, o resultado provavelmente seria bem parecido com To the 5 Boroughs. Primeiro disco dos Beastie Boys em seis anos, ele traz críticas severas ao governo de George W. Bush – "o presidente que nós nunca elegemos", como diz a letra de It Takes Time to Build. O espírito "anti-establishment" paira também sobre outras faixas do novo disco do trio americano. Há, inclusive, uma faixa que pede maior controle sobre a venda de armas e critica a guerra contra o Iraque (Right Right Now Now). Como em todos os CDs dos Beastie Boys, as influências sonoras são diversas: numa faixa se pode ouvir até mesmo um brasileiríssimo berimbau. Ouça músicas.

 
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Sonic Youth: ícones do rock alternativo

 

Sonic Nurse, Sonic Youth (Universal) – Em 23 anos de carreira, este grupo natural de Nova York tem casado dissonância e melodia. A receita não funciona sempre, mas quando funciona o resultado são belezas como Sonic Nurse. Um dos trunfos do CD está na presença em destaque da baixista e vocalista Kim Gordon, que pouco fez nos dois trabalhos anteriores da banda. Ela assume os vocais em quatro músicas, que realçam a faceta pop do grupo. Uma delas, a balada I Love You Golden Blue está entre as canções mais bonitas compostas pelo Sonic Youth. Os fãs da faceta barulhenta dos americanos vão se deliciar com a sucessão de ruídos em Paper Cup Exit. Um disco à altura de um dos grupos mais importantes da história do rock alternativo.

 

 

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