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Tales
Alvarenga
As aparências
não enganam
"O governo Lula só tem dois negros
entre
35 ministros, mas chegou a inventar um
ministério só para cuidar da questão racial.
Vamos chamá-lo, por enquanto, de Ministério
da Demagogia Racial"
Lula deveria excluir trajes caipiras do seu armário.
Fica bem demais nesse tipo de fantasia.
Numa única reunião com políticos na
semana passada, o ex-prefeito Paulo Salim Maluf repetiu doze vezes
que não tem dólares no exterior. Bastaria que Paulo
Maluf exigisse, judicialmente, um atestado dos países e bancos
apontados como receptores, informando que ele nunca colocou um centavo
em suas mãos. Isso pouparia Maluf do vexame de continuar
explicando o inexplicável.
O governo Lula podia ser mais modesto. Fala muito em mudar
a geografia do comércio mundial. Deveria se concentrar primeiro
num objetivo mais urgente: mudar a geografia do comércio
de drogas nas favelas do Rio de Janeiro. Resolvido esse desafio,
aceitaremos que continue se gabando de que é capaz de reformar
o planeta.
Em sua campanha para disputar a prefeitura de São
Paulo, o ex-ministro José Serra está fazendo o tipo
popular-humilde. Almoça em bandejões zurrapas, posa
para fotos de bandeja na mão e sai falando bem da comida
para os repórteres. Provavelmente faz isso para se apresentar
ao eleitorado como contraponto ao estilo emperiquitado e auto-suficiente
da prefeita Marta Suplicy, com quem irá à luta nas
urnas. A febre popular de Serra é passageira. Depois das
eleições, voltará para o circuito gastronômico
três-estrelas que sempre freqüentou.
A prefeita Marta Suplicy ficou três anos sem mostrar
serviço. De repente, neste ano em que tenta a reeleição,
espalhou canteiros de obras pela capital paulista. Está torrando
uma fortuna, o trânsito virou um caos e os paulistanos estão
por aqui com a prefeita. Ela diz que não são obras
eleitoreiras. Será fácil saber. Se retirar os canteiros
de obras antes de setembro ou depois de novembro, nenhuma razão
haverá para duvidar de suas boas intenções.
Caso contrário...
José Dirceu, chefe da Casa Civil de Lula, faria bem
se tirasse o corpo fora das intrigas que explodem no governo. Senão,
Lula vai tirar o corpo do ministro para fora de seu gabinete no
Planalto.
Os astros da TV ganhariam em recato se parassem de trocar
de par entre si a cada três meses. A multiplicação
dos romances endogâmicos pode acabar produzindo filhos com
problemas. O distinto público também já começa
a desconfiar que boa parte dos namoros são apenas peça
de marketing para manter seus personagens na mídia.
O governo está instituindo cotas raciais nas universidades
federais. Metade das vagas será reservada para quem estudou
na escola pública e para negros e pardos. O governo Lula
está longe de seguir essa proporção na composição
do ministério, que tem dois negros entre 35 ministros. É
uma surpresa verificar essa dissonância num governo que chegou
a inventar um ministério só para cuidar da questão
racial. Vamos chamá-lo por enquanto de Ministério
da Demagogia Racial.
(Este colunista estará em férias pelas próximas
quatro semanas)
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