Edição 1859 . 23 de junho de 2004

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Radar

Lauro Jardim

PETROBRAS

Pancada bilionária 1
A Petrobras tem um pepino bilionário para resolver. Uma ação de indenização contra a estatal, que se iniciou há doze anos, recebeu uma sentença digna de atordoar o cofre-forte da maior empresa brasileira: segundo decisão da 4ª Câmara Cível do Rio de Janeiro, a Petrobras terá de pagar 2,4 bilhões de dólares à Porto Seguro Imóveis. A ação remonta à privatização da Petroquisa, subsidiária da estatal. A Porto Seguro, minoritária da Petroquisa, questionou o valor da venda da Petroquisa.

Pancada bilionária 2
A sentença obriga também a Petrobras a pagar inacreditáveis 700 milhões de dólares de honorários ao escritório carioca Lobo & Ibeas, que representou a Porto Seguro Imóveis. Esses 3,1 bilhões de dólares terão de ser lançados no balanço da companhia. A estatal vai recorrer ao STJ. Mas já comunicou a decisão judicial à CVM e à SEC (órgão que fiscaliza o mercado de capitais americano) – já que suas ações são negociadas na Bolsa de Nova York.

 

SALÁRIO MÍNIMO

A dança do Mottinha
A história que se segue é real, por mais fantástica que possa parecer. Aconteceu durante a votação do salário mínimo na quinta-feira passada. Na hora de votar, o determinado senador capixaba João Batista Motta cravou orgulhosamente o "sim" – ou seja, estava favorável ao salário mínimo de 275 reais. Em seguida, o destemido Mottinha, como é conhecido entre os pares, cedendo aos apelos de Renan Calheiros, mudou o voto para "não". Mas, firme como ele só, não resistiu aos oposicionistas que reclamaram: definiu-se pela "abstenção".

 

GOVERNO

Canção abortada
Gilberto Gil não compôs uma só música desde que virou ministro – e decidiu que assim será enquanto estiver no governo. Numa conversa recente, disse que só fará uma canção depois de deixar o cargo: "Há experiências que tenho vivido que não dá para dizer agora nas canções". A afirmação sugere que, leal, Gil não quer falar de coisas que constranjam o governo.

Mais 55%
A Eletrobrás deve estar cheia de coisas – espera-se que boas – para anunciar. Botou na rua uma concorrência para escolher suas duas agências de publicidade. Até aí, ok. Mas a verba anual pulou dos atuais 18 milhões de reais para 28 milhões de reais, um crescimento de 55%.

 

49 milhões já foram pagos

 
Divulgação
Airbus ACJ: campeão de gastos no ano

O governo federal já realizou neste ano 44 compras dispensando licitações. A maioria delas – em número, não em valor – foi para a compra antecipada de safras nos assentamentos realizados na reforma agrária. Mas o grande campeão de gastos, segundo o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), foi mesmo o novo avião da Presidência da República, encomendado à Airbus. Já foram liberados 49,3 milhões de reais para o modelo ACJ, que fica pronto no fim do ano. Foi quase a metade do total de 101 milhões de reais de compras com dispensa de licitação no semestre.

 

ECONOMIA

Mãos ao alto!
A inflação está em torno de 6% ao ano, mas tem gente que não se conforma. Na semana passada, a União e a Barra, que detêm cerca de 70% do mercado de açúcar no país, mandaram aos supermercados uma nova tabela de preços de seus produtos com um aumento de 30%.

Fanny, vaca sagrada e recordista
Notícias de um certo Brasil que não conhece crise: a vaca "Fanny", da raça nelore, foi vendida por 1,7 milhão de reais ao banqueiro e criador Carlos Rodenburg. O valor é recorde – nunca se pagou tanto por uma vaca no país.

 

ANP

Que coincidência...
Investigado por uma comissão de sindicância por suspeita de envolvimento com a máfia dos combustíveis, o coordenador do Núcleo de Fiscalização da ANP, César Ramos Filho, terá outras explicações a dar. O Ministério Público quer saber por que aceitou de presente créditos do programa de milhagens para fazer o upgrade para a classe executiva da American Airlines. Coisa de 10.000 reais, se pagos no balcão. O empresário generoso é Luiz André Siuffo, dono de postos e filho do presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes. Ramos diz que foi enganado por sua agência de viagens.

 

PIRATARIA

Fora das grades?
O Ministério Público está preocupado com a hipótese de o chinês Law Kin Chong se livrar da cadeia nos próximos dias. Advogados do megacontrabandista estão em Brasília em busca de um habeas-corpus. Law gosta de propagar que cultiva boas relações no Judiciário.

 

MÚSICA

O hip hop da Fifa
A edição de 2005 do game da Fifa terá a trilha sonora de Marcelo D2. A canção chama-se Profissão M.C., do último disco do músico carioca, e será ouvida enquanto o jogador escolhe os times. Já está tudo acertado. Só falta assinar o contrato.

 

TELEVISÃO

Procuram-se sócios
A TV Cabugi, afiliada da Globo em Natal e pertencente ao ex-governador Aluízio Alves, está procurando sócios. Foi oferecida a sociedade a José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Mas ele não topou ficar com os 30% propostos. Só se senta para conversar a sério se for para ser majoritário.

 

Um manuscrito que ele não queimou

Ana Paula Paiva
Selmy Yassuda
Chico e a letra de Cálice: uma raridade exposta pela primeira vez

Uma preciosidade histórica integra a exposição Chico Buarque, o Tempo e o Artista, que começará em 26 de julho na Biblioteca Nacional, em homenagem aos 60 anos do artista: o manuscrito de Cálice, parceria dele e de Gilberto Gil. Escrita em 1973, a canção foi censurada naquele ano e só em 1978 pôde ser gravada. Trata-se de uma raridade, pois Chico tem pouquíssimos manuscritos guardados. Em geral, ele os queima. Em seu processo de criação, Chico primeiro escreve a letra a mão – tendo sempre um violão como companhia – e só mais tarde passa para o computador. Cálice foi composta em dois encontros entre Chico e Gil. Chico fez a segunda e a quarta estrofes e Gil escreveu o refrão, a primeira e a segunda estrofes. O manuscrito permite ver as modificações que a letra sofreu até ganhar sua forma final.


 

 

 


Colaboraram Bel Moherdaui, Malu Gaspar e Ronaldo França

 

 
 
 
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