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Diogo
Mainardi
MM: de motoboys
e Marshall
"Ainda não entendi se, para termos
direito ao
Plano Marshall lulista, precisamos primeiro nos
submeter ao bombardeio e à destruição de nossas
cidades, como aconteceu na Europa Ocidental"
Morrem dois motoboys por dia em São
Paulo. Morrem mais motoboys em São Paulo do que soldados
americanos no Iraque. São Paulo é a Bagdá da
entrega rápida. A prefeitura paulistana nunca se interessou
em descobrir quantos motoboys morriam na cidade. O mérito
foi do documentário Motoboys: Vida Loca, atualmente
nos cinemas. Antes que os documentaristas denunciassem o fato, a
prefeitura computava apenas os motoboys que morriam no local dos
acidentes, desconsiderando os que morriam em hospitais.
Os autores de Vida Loca tentaram entrevistar
Marta Suplicy sobre a carnificina dos motoboys. Ela marcou e desmarcou
a entrevista em cinco diferentes ocasiões. Quando o documentário
ficou pronto, ainda que sem o depoimento da prefeita, surgiu a idéia
de mostrá-lo para a comunidade de motoboys, num telão
no Vale do Anhangabaú. Os órgãos da prefeitura
deram a permissão para o evento. Até o dia em que
o diretor da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb)
assistiu ao documentário e se alarmou com uma passagem que
chamava atenção para a entrevista repetidamente cancelada
por Marta Suplicy. O diretor da Emurb mandou retirar aquela passagem
do documentário, caso contrário o evento no Vale do
Anhangabaú seria suspenso. E foi mesmo.
Depois de ignorar a morte dos motoboys por
mais de metade do mandato, Marta Suplicy decidiu agir, retomando
um decreto de Celso Pitta que impunha o cadastramento da categoria.
Entre uma despesa e outra, o cadastramento pode chegar a 300 reais.
O equivalente ao salário mensal de um motoboy. Os petistas
são assim: desconhecem os problemas, respondem somente a
quem lhes interessa, punem seus opositores, consideram que o Estado
lhes pertence, estão em permanente campanha eleitoral e aplicam
medidas de adversários políticos que antes contestavam.
Os motoboys vão continuar morrendo em São Paulo, só
que agora devidamente cadastrados.
Lula, por outro lado, parece ter amadurecido.
Ele pediu um Plano Marshall para o Brasil. Boa, Lula. Finalmente,
Lula. O Plano Marshall foi idealizado pelos Estados Unidos para
ajudar a reerguer as economias da Europa Ocidental, depois da II
Guerra Mundial. Ainda não entendi se, para termos direito
ao Plano Marshall lulista, precisamos primeiro nos submeter ao bombardeio
e à destruição de nossas cidades, como aconteceu
na Europa Ocidental. Acho que não. Acho que Lula quer o Plano
Marshall sem o detalhe dos 20 milhões de mortos. O Plano
Marshall subsidiou a importação de produtos americanos
por parte dos europeus e financiou a reconstrução
de suas indústrias. O resultado foi transformá-los
em satélites dos Estados Unidos. Lula está absolutamente
certo em querer transformar o Brasil num satélite dos Estados
Unidos. O que mais podemos desejar? Difícil será convencer
os americanos de que o investimento vale a pena. Os europeus podiam
oferecer um mercado promissor e mão-de-obra instruída.
O Brasil é diferente. Se construirmos indústrias demais,
faltará gente capacitada para apertar os botões. Quando
Fidel Castro tinha 12 anos de idade, endereçou uma carta
ao presidente americano pedindo uma nota de 10 dólares. O
Plano Marshall, na cabeça de Lula, funciona mais ou menos
do mesmo jeito. Ele pede uns dólares e o presidente americano
dá. Lula é igual a Fidel Castro. Um Fidel Castro com
12 anos de idade.
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