Edição 1859 . 23 de junho de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Gente
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Carta ao leitor
Para decifrar o mundo

Os entrevistados de VEJA

A sensação de que o mundo está de pernas para o ar é uma constante na história. Ficou célebre o lamento do príncipe Hamlet na peça de William Shakespeare (1564-1616) sentindo o peso da investidura de ser o escolhido pelo destino para recolocar o reino nos eixos da ordem natural das coisas. Algumas vezes a sensação de mudança é apenas isso, uma sensação. Outras vezes ela é real. Isso ocorre em momentos de veloz transformação política, científica ou tecnológica. Foi o que aconteceu no fim do século XIX, quando Charles Darwin e Sigmund Freud derrubaram duas das mais resistentes certezas, a origem divina da raça humana e a capacidade das pessoas de controlar conscientemente todos os seus pensamentos e atos. Desde os atentados dos terroristas islâmicos aos Estados Unidos em setembro de 2001, o mundo entrou em um desses processos sísmicos de mudanças que, com a globalização da economia e a popularização da internet, já vinham se acelerando a partir dos primeiros anos da década de 90.

Entender esses momentos complexos exige do jornalismo um esforço de reflexão que ultrapassa em muito sua tarefa normal de narrar e ordenar os acontecimentos. VEJA traz a seus leitores na edição desta semana justamente o resultado de um desses momentos de superação. O editor executivo Carlos Graieb coordenou uma equipe que durante três meses se dedicou a ouvir alguns dos mais destacados pensadores e personalidades do mundo acadêmico e da economia. Das conversas resultaram respostas a uma centena de questões vitais para entender a realidade mutante deste começo de século XXI. O painel formado por quinze pessoas – entre elas o inglês Paul Johnson, o francês Alain Touraine, o americano Albert Fishlow, o brasileiro Edmar Bacha e o israelense Amós Oz – produziu alertas, destacou perigos e deficiências. Principalmente, apontou caminhos e motivos para se ter esperança e otimismo. Um exemplo é esta resposta dada por Bacha: "O Brasil está caminhando para se tornar um país capitalista avançado, em que a alternância de poder entre progressistas e conservadores não altera o substrato básico do que deve ser uma economia capitalista moderna. A disputa pelo poder será de agora em diante algo muito mais maduro. Como jamais foi antes no Brasil. A névoa política se dissipou".

 
 
 
 
topo voltar