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Carta ao leitor
Para decifrar o mundo
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| Os entrevistados de VEJA |
A sensação de que o mundo está
de pernas para o ar é uma constante na história. Ficou
célebre o lamento do príncipe Hamlet na peça
de William Shakespeare (1564-1616) sentindo o peso da investidura
de ser o escolhido pelo destino para recolocar o reino nos eixos
da ordem natural das coisas. Algumas vezes a sensação
de mudança é apenas isso, uma sensação.
Outras vezes ela é real. Isso ocorre em momentos de veloz
transformação política, científica ou
tecnológica. Foi o que aconteceu no fim do século
XIX, quando Charles Darwin e Sigmund Freud derrubaram duas das mais
resistentes certezas, a origem divina da raça humana e a
capacidade das pessoas de controlar conscientemente todos os seus
pensamentos e atos. Desde os atentados dos terroristas islâmicos
aos Estados Unidos em setembro de 2001, o mundo entrou em um desses
processos sísmicos de mudanças que, com a globalização
da economia e a popularização da internet, já
vinham se acelerando a partir dos primeiros anos da década
de 90.
Entender esses momentos complexos exige do
jornalismo um esforço de reflexão que ultrapassa em
muito sua tarefa normal de narrar e ordenar os acontecimentos. VEJA
traz a seus leitores na edição desta semana justamente
o resultado de um desses momentos de superação. O
editor executivo Carlos Graieb coordenou uma equipe que durante
três meses se dedicou a ouvir alguns dos mais destacados pensadores
e personalidades do mundo acadêmico e da economia. Das conversas
resultaram respostas a uma centena de questões vitais para
entender a realidade mutante deste começo de século
XXI. O painel formado por quinze pessoas entre elas o inglês
Paul Johnson, o francês Alain Touraine, o americano Albert
Fishlow, o brasileiro Edmar Bacha e o israelense Amós Oz
produziu alertas, destacou perigos e deficiências.
Principalmente, apontou caminhos e motivos para se ter esperança
e otimismo. Um exemplo é esta resposta dada por Bacha: "O
Brasil está caminhando para se tornar um país capitalista
avançado, em que a alternância de poder entre progressistas
e conservadores não altera o substrato básico do que
deve ser uma economia capitalista moderna. A disputa pelo poder
será de agora em diante algo muito mais maduro. Como jamais
foi antes no Brasil. A névoa política se dissipou".
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