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23 de maio de 2007
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Música
O brega que vende

Para um calouro, nada melhor do que figurar no Raul Gil


Sérgio Martins

Fotos Lailson Santos
Ricky Vallen, ex-Weverton Melo: do motel para a fama

Há alguns anos, o cantor carioca Weverton Carlos de Melo atendeu ao pedido insólito de uma fã: cantou para ela e o marido num quarto de motel em Volta Redonda. "Fiquei atrás de uma cortina enquanto eles faziam sexo", diz. Hoje rebatizado Ricky Vallen, Melo é um dos raros artistas brasileiros que vendem disco para valer. Homenagens, seu CD de estréia, passou a marca das 50.000 cópias e disputa o topo da parada com Ivete Sangalo. Artisticamente, por assim dizer, o cantor ainda é o mesmo dos tempos de bardo de motel – seu álbum é um apanhado de versões de Zezé Di Camargo, Wando e congêneres. O que mudou sua carreira foi a passagem pelo Programa Raul Gil: os artistas revelados ali parecem imunes à crise do mercado fonográfico e emplacam mais sucessos que os saídos de programas similares em outras emissoras.

Mesquita: sua cópia do pior de Kenny G é um sucesso

No ano passado, Caio Mesquita, um saxofonista cuja especialidade é imitar os vícios mais irritantes do americano Kenny G., vendeu 250.000 cópias do CD Jovem Brazilidade depois de figurar na atração. Logo lançou um CD e um DVD ao vivo e um disco de canções natalinas. O segredo do sucesso desses calouros reside nos moldes do concurso. Ao contrário de programas como Fama e Ídolos, que mostram as etapas da fabricação de um artista ou troçam de candidatos ruins, no Raul Gil os calouros se enfrentam em combate direto, num duelo de vozeirões que dá à atração um ar de autenticidade. O perfil dos intérpretes ajuda. Ricky Vallen é o caso típico de rapaz pobre que começou a cantar para ajudar nas contas da família. Caio Mesquita assume a persona de músico compenetrado – até meio carrancudo para os seus 16 anos. Além disso, os artistas são presença garantida na emissora que exibe Raul Gil, a Bandeirantes, embora estejam livres para mostrar seus dotes nas concorrentes. Raul também lucra ao promover os seus calouros. Eles lançam seus discos pela Luar, companhia dirigida pelo filho do apresentador, que abocanha 50% dos ganhos.

Raul Gil tem longa fama como descobridor de talentos. Exceto por algumas exceções, como as bandas Titãs e Camisa de Vênus, o sucesso alcançado dessa forma costuma ser efêmero. Que o diga Robinson Monteiro, o Anjinho, que vendeu 1 milhão de unidades de seu disco de estréia, em 2001, e então sumiu. O desafio de Vallen e Mesquita é provar que são talentos genuínos. Caso contrário, é de volta para o motel.

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