Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 701 - 23 de maio de 2001
Artes e Espetáculos Ensaio
 

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Guia
Artes e Espetáculos
  A aquarela brasileira ganha exposição no Rio
Código Desconhecido, com Juliette Binoche
Amores Brutos, um sucesso mexicano
Luciano Huck garante a audiência nas tardes de sábado
C.S.I., um seriado sobre perícia legal
A polêmica sobre a série Anne Frank nos EUA
São Francisco de Assis, de Jacques Le Goff
Joana d'Arc, por Mark Twain
Um, Nenhum e Cem Mil, de Luigi Pirandello

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Hipertexto
Notas internacionais
Gente
Datas

Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Busca detalhada
Arquivo 1997-2001
Busca somente texto 96|97|98|99|00|01


Crie seu grupo




 

Roberto Pompeu de Toledo

Variações em torno
do mesmo tema

Embora já estejamos na internet,
continuam na mesa velhas questões
postas pela TV

Quando se pergunta o que mais desgraçou os senadores Antonio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda, além, naturalmente, dos próprios desatinos, a resposta é: a TV. Não se esquecerão tão cedo, se é que algum dia serão esquecidas, as duas performances opostas do senador Arruda – numa negando, e chorando, e dizendo que falava "com as vísceras"; na outra, com a mesma convicção, a mesma teatralidade (e as mesmas vísceras), admitindo, e se mortificando, e se desculpando. Tampouco se esquecerá a imagem, menos dramática, mas não menos relevante, por se tratar de quem se tratava, do senador Antonio Carlos Magalhães paralisado diante da inquirição certeira do senador Jefferson Peres. Que azar dos dois, ter a impiedade das câmaras a desnudar-lhes as expressões faciais, as ênfases, as hesitações e os silêncios.

O caso deles tem vários aspectos degradantes – a prepotência, o desrespeito às regras, a deslealdade, a mentira –, mas não tem roubo do dinheiro público, e no entanto mobilizou mais a opinião pública, e provocou mais imediata exigência de punição, do que os escândalos correntes de roubo do dinheiro público. Por quê? A resposta está na câmara de TV. Enquanto o escândalo permanece só em letras impressas, ou mesmo só na palavra do apresentador do telejornal, sem a crueza das imagens, é uma coisa. Outra, de teor explosivo muitas vezes potencializado, é quando se personifica em imagens. O encontro do escândalo com suas imagens provoca conseqüências fatais.

A TV Senado, tão acarinhada pelos senadores, acabou por fazer a desgraça de dois deles. Outras televisões mostraram a cena, mas a TV Senado merece destaque, não só porque gerou as imagens, mas porque sua presença no episódio marca outro encontro fatal. Era uma televisão burocrática, em princípio. Estava lá – e continua a estar, em dias normais – para registrar os discursos insossos dos parlamentares e as proclamações cartoriais do presidente da Mesa. Eis senão quando se apresenta diante de suas lentes aquela mais ansiada das iguarias, para uma televisão que se preza – um espetáculo. O episódio da violação do painel teve riso e lágrima, emoção e suspense. A TV Senado, naqueles dias, até parecia uma TV de verdade.

As relações entre TV e poder estão na ordem do dia, na Itália, com a eleição, para primeiro-ministro, de Silvio Berlusconi, o magnata da televisão privada no país. Dono de três redes, Berlusconi passa a exercer controle, também, pelo menos em tese, sobre as três da RAI, a televisão estatal. Durante a campanha, tanto na Itália como na Europa em geral, discutiu-se o fato de um dono de TV – que além do mais possui interesses também na imprensa escrita – chefiar um governo. Tal circunstância caracterizaria um escandaloso conflito de interesses. No Brasil, contam-se às dezenas as emissoras nas mãos de políticos. Alguns são, ou foram, governadores de Estado, e durante o mandato exerceram controle também sobre a TV educativa respectiva. No entanto, a discussão sobre conflito de interesses ainda não chegou por estas bandas.

Às vésperas da eleição italiana, o escritor Umberto Eco publicou na imprensa italiana um manifesto anti-Berlusconi, republicado pelo Jornal do Brasil do domingo, dia 13. Eco demora-se a analisar as causas do favoritismo de Berlusconi nas pesquisas de opinião e, entre outras, aponta a existência de um eleitorado a que chama de "fascinado". São as pessoas que "não têm uma opinião política definida, mas basearam seu sistema de valores na educação rasteira promovida durante décadas pela televisão" – uma televisão "rica e colorida" que distribui dinheiro "a quem é capaz de responder que o nome de Garibaldi era Giuseppe". Seria, esse eleitorado, "produto de desfiles de modelos sinuosas, de mães que finalmente voltam a abraçar o filho que emigrou para a Austrália, de casais que recebem a solidariedade dos vizinhos porque exibiram suas crises conjugais diante de uma câmara", prossegue Eco, citando algumas das habituais atrações da TV. A "Itália do espetáculo", a "ideologia do espetáculo" estariam na base do sucesso de Berlusconi.

Que concluir das notas acima? Já se viu que elas não apontam para uma direção única. Se a televisão, ao potencializar um escândalo, consegue mobilizar a opinião pública, como no caso do Senado brasileiro, tem também o poder de iludi-la e anestesiá-la, como aflora da argumentação de Eco. O que se pode sugerir é que, embora tenhamos passado muito rápido para a internet, importante mesmo continua a televisão – e as questões que, há décadas, ela propõe, continuam postas na mesa. Para voltar a Umberto Eco, uma vez ele disse que se sentiu à vontade para escrever O Nome da Rosa porque a Idade Média é um período que conhece na intimidade. Quanto à época contemporânea, acrescentou, "só me chega pela televisão".

   
canaldecompras
O que é canal de compras
CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
 
Livros
Saraiva.com.br
Espiral
 
Ingressos
Fun by Net
 
   
  voltar
   
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS