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Além
do diário
A vida de Anne Frank até
o
fim e sem meios-tons
Isabela
Boscov
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| A
Anne da série da ABC: uma adolescente comum |
Não
seria exagero afirmar que Anne Frank foi a adolescente mais famosa do
século XX. Os textos que escreveu enquanto se escondia dos nazistas,
mais tarde publicados em O Diário de Anne Frank, compõem
uma das obras de não-ficção mais lidas no mundo todo.
Com base na história da menina judia, inúmeras adaptações
já foram feitas para cinema, TV e teatro. A mais recente está
dando o que falar. Anne Frank, do canal americano ABC, se
baseia numa biografia escrita pela austríaca Melissa Müller
(e lançada no Brasil pela Record), que aborda aspectos pouco conhecidos
da vida da heroína. A série traz fatos posteriores ao momento
em que ela parou de fazer anotações em seu diário.
Para ficar no exemplo mais impactante, traz uma cena de Anne no campo
de concentração, esquálida, ninando a irmã
moribunda. O ponto polêmico é a caracterização
da menina: a jovem é retratada com todas as características
de uma adolescente normal. Isso irritou os membros da Fundação
Anne Frank, que detém os direitos de publicação do
diário. Eles proibiram os realizadores da minissérie de
usar qualquer trecho do livro famoso. Também pediram a Steven Spielberg,
que deveria assinar a produção executiva da empreitada,
para se retirar do projeto. Ele concordou. Mesmo assim o programa saiu
e, segundo a crítica americana, é o melhor já feito
sobre a trajetória de Anne.
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