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O
Gugu da
Rede Globo
Luciano
Huck acerta os ponteiros de
seu programa
e consolida liderança
aos sábados
Ricardo
Valladares
Rodrigo Lopes
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| Luciano:
ele descobriu que não basta ser apresentador, tem de participar |
Foi
preciso quase um ano para que o Caldeirão do Huck, exibido
pela Rede Globo nas tardes de sábado, encontrasse o caminho do
sucesso. Há mais de quatro meses, ele bate seu principal concorrente,
o programa de Raul Gil, da Record. O êxito se deve à mudança
de formato da atração. Hoje, Luciano Huck está muito
mais próximo da fórmula vitoriosa de Gugu Liberato, do SBT,
do que da mesmice dos seus pares globais. Huck descobriu, enfim, que não
basta ser apresentador, tem de participar e muito. Assim como Gugu,
ele dá idéias à produção do Caldeirão,
faz inúmeras gravações externas, fantasia-se para
protagonizar quadros e inventa situações com personalidades
do show biz. "O Huck aprendeu a lição direitinho", reconhece
o loiro do SBT.
A virada começou no verão, período no qual o programa
foi realizado num cenário de praia. Huck, até então
meio desconfortável no papel de estrela da Globo, ficou mais livre,
leve e solto. Resultado: passou a interagir melhor com seus convidados.
De volta aos estúdios, continuou na mesma toada e acrescentou os
ingredientes da receita de Gugu. Recentemente, por exemplo, ele acompanhou
a cantora Sandy em sua primeira aula na auto-escola e disfarçou
Junior de office-boy. O cantorzinho pagou contas em banco, andou de ônibus
e comeu lanches na rua. Tudo isso parece meio bobo, mas a galera adorou.
Huck também levou um grupo de senhoras mineiras, que nunca haviam
visto o mar de perto, para visitar recantos cariocas. Continua a parecer
coisa pouca, mas a galera amou (não, nenhuma das senhoras pegou
micose nas areias contaminadas do Rio). Outro momento, digamos, memorável
foi quando Huck perguntou ao cantor Ricky Martin se ele era gay. "No,
yo no soy", respondeu o rebolativo porto-riquenho. A mamãe de Ricky
Martin, ao que consta, ficou aliviada com a resposta. Tolinho? Pois é,
mas a galera gostou.
Por trás de tanta criatividade (não no sentido picassiano
da palavra, é claro) está a mão de ferro de Marlene
Mattos, diretora de núcleo da Globo e coordenadora-geral do programa.
Ela foi a articuladora da ida de Huck para a emissora carioca. Desde a
contratação, não descuidou do pupilo. Fez, por exemplo,
com que mudasse sua maneira de vestir-se, antes muito associada ao modelo
mauricinho da classe média-alta paulistana. Também o educou
a reduzir os decibéis na hora de falar. Segundo ela, essa é
uma das chaves para conquistar espectadores mais velhos, que "odeiam berreiro".
Marlene acha que Luciano amadureceu nos últimos meses. "Ele era
muito ansioso, o que atrapalhava bastante", conta ela. A atual vantagem
no ibope, porém, ainda não a deixa tranqüila. "Não
podemos relaxar. Há quem diga que o Raul Gil dirige um Fusca. Só
que ele é um ótimo mecânico e pode surpreender a Ferrari
da Globo", diz ela, com poesia. Os pontos de ibope estão-se traduzindo
em burras de dinheiro para Huck, que desde cedo mostrou talento para os
negócios. Aos 29 anos, o rapaz tem vários imóveis,
é sócio de uma incorporadora, de restaurantes e adquiriu
recentemente uma parte da retransmissora da rádio Jovem Pan no
Rio de Janeiro. Seu patrimônio atual gira em torno dos 5 milhões
de reais.

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