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Edição 1 701 - 23 de maio de 2001
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É só isso?

Amores Brutos não é o filme
de gênio que se alardeia

Isabela Boscov


Gael García Bernal, um dos protagonistas: metáforas óbvias

Poucos filmes foram tão elogiados pela imprensa internacional no último ano quanto Amores Brutos (Amores Perros, México, 2000), que concorreu ao Oscar de produção estrangeira e estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio. A fita parte de uma cena altamente dramática, que reúne os protagonistas de três histórias distintas. Uma perseguição pelas ruas da Cidade do México culmina com um terrível acidente. Num dos carros está um rapaz que leva um rottweiler ensangüentado – para ganhar dinheiro e conquistar a cunhada, ele punha o mascote para lutar em rinhas ilegais. Em outro carro está uma modelo que sai gravemente ferida. De volta à casa numa cadeira de rodas, ela se desespera quando seu cãozinho some por um buraco no piso. Finalmente, uma das testemunhas do acidente é um mendigo – na verdade, um ex-guerrilheiro que preza mais seus cães do que a vida humana. O diretor estreante Alejandro González Iñárritu veio da publicidade e tem um admirável domínio gramatical do novo meio. Suas metáforas políticas, no entanto, tendem ao óbvio, seu sentido de drama é por vezes novelesco e, à parte o segundo e perturbador episódio, falta dimensão psicológica às suas histórias. González pode muito bem vir a se tornar o gênio que o proclamam – mas ainda não chegou lá.

   
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