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É
só isso?
Amores Brutos não
é o filme
de
gênio que se alardeia
Isabela
Boscov
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| Gael
García Bernal, um dos protagonistas: metáforas óbvias |
Poucos
filmes foram tão elogiados pela imprensa internacional no último
ano quanto Amores Brutos (Amores Perros, México,
2000), que concorreu ao Oscar de produção estrangeira e
estréia nesta sexta-feira em São Paulo e no Rio. A fita
parte de uma cena altamente dramática, que reúne os protagonistas
de três histórias distintas. Uma perseguição
pelas ruas da Cidade do México culmina com um terrível acidente.
Num dos carros está um rapaz que leva um rottweiler ensangüentado
para ganhar dinheiro e conquistar a cunhada, ele punha o mascote
para lutar em rinhas ilegais. Em outro carro está uma modelo que
sai gravemente ferida. De volta à casa numa cadeira de rodas, ela
se desespera quando seu cãozinho some por um buraco no piso. Finalmente,
uma das testemunhas do acidente é um mendigo na verdade,
um ex-guerrilheiro que preza mais seus cães do que a vida humana.
O diretor estreante Alejandro González Iñárritu veio
da publicidade e tem um admirável domínio gramatical do
novo meio. Suas metáforas políticas, no entanto, tendem
ao óbvio, seu sentido de drama é por vezes novelesco e,
à parte o segundo e perturbador episódio, falta dimensão
psicológica às suas histórias. González pode
muito bem vir a se tornar o gênio que o proclamam mas ainda
não chegou lá.
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