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Em
perspectiva
Uma mostra no Rio de Janeiro
oferece um panorama
das
aquarelas brasileiras
Silvia
Rogar
Fotos Vicente de Mello
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| Paisagem
com Casas, de Anita Malfatti: ela é pouco lembrada pelas aquarelas |
Ao
falar na história das artes plásticas, muita gente atribui
às aquarelas um lugar de figurante. Nada mais injusto. Em vários
momentos, as aquarelas tiveram papel de destaque. Foi assim com obras
do alemão Dürer no Renascimento, do inglês Turner no
período pré-impressionista, do suíço Klee
e do russo Kandinsky no modernismo. É fato que, no Brasil, a aquarela
nunca chegou a ter muita importância. Por outro lado, quase todos
os grandes artistas plásticos brasileiros foram seduzidos pela
aquarela em algum ponto de sua carreira. Um panorama dessa rica produção
será mostrado no Centro Cultural Light, no Rio de Janeiro, a partir
da próxima terça-feira. A exposição Aquarela
Brasileira reúne 115 obras de 115 artistas, alguns deles
pouco conhecidos como aquarelistas, caso de Guignard e Lygia Clark, outros
consagrados nessa técnica, como Cícero Dias e Thomaz Ianelli.
Dividida
em sete módulos, a mostra começa com os artistas viajantes
do século XIX e seus registros do Brasil da época. A obra
mais antiga é uma paisagem de 1817 do austríaco Thomas Ender.
Em seguida, a exposição passeia pela evolução
do gênero. Pode-se notar que no início do século XX
ele ganhou um lugar interessante nas artes gráficas nacionais
exemplo disso é o cartaz feito em 1920 por Eliseu Visconti para
uma cervejaria. O período que concentra o maior número de
obras é o de 1960 para cá, mas as maiores surpresas estão
no módulo dos modernistas, que reúne nomes como Anita Malfatti
e Di Cavalcanti.
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| Josephine
Baker, de Di Cavalcanti (à esq.), e obra de Iberê
Camargo: belas surpresas |
Nos
últimos tempos, a aquarela vem conquistando terreno no mercado
de arte brasileiro. Em 1998, a Bolsa de Arte do Rio de Janeiro realizou
seu primeiro leilão exclusivo de trabalhos sobre papel. No evento,
uma aquarela de Di Cavalcanti alcançou o preço de 90.000
dólares, impensável para uma obra desse tipo antes daquela
ocasião. Mesmo com essa valorização, aquarelas de
grandes nomes ainda podem ser adquiridas por 20% do valor que seria gasto
na compra de um óleo dos mesmos artistas. "Lá fora é
diferente", diz Jones Bergamin, presidente da Bolsa de Arte do Rio. "Uma
boa aquarela de Picasso pode valer mais que um óleo de fim de carreira."
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