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Edição 1 701 - 23 de maio de 2001
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Em perspectiva

Uma mostra no Rio de Janeiro
oferece um
panorama das
aquarelas brasileiras

Silvia Rogar

 
Fotos Vicente de Mello
Paisagem com Casas, de Anita Malfatti: ela é pouco lembrada pelas aquarelas

Ao falar na história das artes plásticas, muita gente atribui às aquarelas um lugar de figurante. Nada mais injusto. Em vários momentos, as aquarelas tiveram papel de destaque. Foi assim com obras do alemão Dürer no Renascimento, do inglês Turner no período pré-impressionista, do suíço Klee e do russo Kandinsky no modernismo. É fato que, no Brasil, a aquarela nunca chegou a ter muita importância. Por outro lado, quase todos os grandes artistas plásticos brasileiros foram seduzidos pela aquarela em algum ponto de sua carreira. Um panorama dessa rica produção será mostrado no Centro Cultural Light, no Rio de Janeiro, a partir da próxima terça-feira. A exposição Aquarela Brasileira reúne 115 obras de 115 artistas, alguns deles pouco conhecidos como aquarelistas, caso de Guignard e Lygia Clark, outros consagrados nessa técnica, como Cícero Dias e Thomaz Ianelli.

Dividida em sete módulos, a mostra começa com os artistas viajantes do século XIX e seus registros do Brasil da época. A obra mais antiga é uma paisagem de 1817 do austríaco Thomas Ender. Em seguida, a exposição passeia pela evolução do gênero. Pode-se notar que no início do século XX ele ganhou um lugar interessante nas artes gráficas nacionais – exemplo disso é o cartaz feito em 1920 por Eliseu Visconti para uma cervejaria. O período que concentra o maior número de obras é o de 1960 para cá, mas as maiores surpresas estão no módulo dos modernistas, que reúne nomes como Anita Malfatti e Di Cavalcanti.

 
Josephine Baker, de Di Cavalcanti (à esq.), e obra de Iberê Camargo: belas surpresas

Nos últimos tempos, a aquarela vem conquistando terreno no mercado de arte brasileiro. Em 1998, a Bolsa de Arte do Rio de Janeiro realizou seu primeiro leilão exclusivo de trabalhos sobre papel. No evento, uma aquarela de Di Cavalcanti alcançou o preço de 90.000 dólares, impensável para uma obra desse tipo antes daquela ocasião. Mesmo com essa valorização, aquarelas de grandes nomes ainda podem ser adquiridas por 20% do valor que seria gasto na compra de um óleo dos mesmos artistas. "Lá fora é diferente", diz Jones Bergamin, presidente da Bolsa de Arte do Rio. "Uma boa aquarela de Picasso pode valer mais que um óleo de fim de carreira."

   
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