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Paraíso
corporativo
Grandes
empresas melhoram as
formas indiretas de pagamento
e
incentivo aos funcionários
Maurício Oliveira
Quanto você ganha? Ao responder a essa pergunta trivial, uma faixa
cada vez maior de assalariados brasileiros pode incluir, ao lado da quantia
em dinheiro depositada mensalmente em sua conta, os benefícios
indiretos proporcionados pela empresa. Entre eles estão plano de
saúde, vale-refeição ou almoço subsidiado
no restaurante da firma, convênio-farmácia, curso de idioma,
viagem nas férias, previdência privada ou carro para uso
particular, dependendo da posição do empregado na hierarquia
e da modernidade da política de recursos humanos da companhia.
Depois de colocar tudo isso na ponta do lápis, o funcionário
poderá descobrir que está ganhando melhor do que pensava.
Diversas empresas já oferecem a seus executivos a possibilidade
de escapar dos pacotes prontos e compor livremente sua lista de vantagens,
os chamados benefícios flexíveis. A grande novidade que
se anuncia no mercado de trabalho brasileiro para os próximos anos
é a difusão desse método para um número maior
de profissionais dentro da empresa, e não apenas para os principais
cargos.
Uma das pioneiras no país é a multinacional DuPont
expoente do setor de indústria química, criadora do teflon
e da lycra , que começou a implantar um sistema de créditos
já aplicado nos Estados Unidos em companhias de vários segmentos.
O modelo permite que os funcionários escolham os benefícios
de que realmente estão precisando naquele momento. Cada um recebe
determinada quantia de pontos para usar à vontade no cardápio
disponível. Quem não quiser o plano de saúde
pois já tem o do marido ou o da mulher, por exemplo pode
investir os créditos em um curso de inglês. Quem não
precisa de estacionamento no prédio ganha o direito de trocá-lo
por tratamento dentário ou sessões de massagem.
"A
grande vantagem é impedir aquele sentimento de frustração
de quem é obrigado a abrir mão de um benefício sem
conseguir levar nada em troca", diz Ana Maria Cadavez, gerente sênior
da consultoria KPMG. Segundo ela, presidentes de empresas e diretores
de recursos humanos têm demonstrado interesse em ampliar os benefícios
flexíveis para todos os funcionários, tendência que
deve ganhar muitas adesões nos próximos meses. "O pacote
de benefícios oferecido pelas companhias terá um peso cada
vez maior no momento de escolher entre continuar na empresa ou trocar
de emprego", prevê Andrea Huggard-Caine, diretora no Brasil da Hewitt
Associates, uma das maiores consultorias de recursos humanos do mundo.
Foi a Hewitt que desenvolveu o novo plano de benefícios da DuPont,
mudança planejada no decorrer de um ano. A maior dificuldade era
criar um sistema eficaz de controle dos créditos individuais. Na
semana passada, os cerca de 700 empregados começaram a fazer as
escolhas por meio de um sistema disponível em todos os computadores
da empresa. Esse mesmo sistema permitirá que cada um administre
diretamente o próprio pacote, sem a necessidade de intermediários.
Um exemplo prático da novidade introduzida na DuPont diz respeito
à aposentadoria. As contribuições feitas pela empresa
ao plano de previdência privada só poderiam ser sacadas por
quem completasse 45 anos de idade e pelo menos quinze de casa, exigência
nada animadora para os recém-chegados. Agora, o dinheiro pode ser
usado a qualquer tempo para financiar eventos raros e importantes na vida,
como um curso de pós-graduação ou um tratamento para
infertilidade. E mesmo os que deixarem a empresa terão seu quinhão
disponível ao completar 60 anos nada de perder tudo ao sair,
como ocorria até então. "Nosso plano se tornou muito mais
atraente para os jovens funcionários, sem deixar de ser justo com
os mais antigos", diz Ana Maria Pereira, diretora de recursos humanos
da DuPont.
É
claro que grandes companhias não implantam programas desse porte
por mera vocação à filantropia. Ao contrário,
estão preocupadas com a própria sobrevivência num
mercado altamente competitivo pela mão-de-obra. Os pacotes tradicionais
de benefícios foram concebidos nos anos 70 e 80 para famílias
que se encaixassem num determinado padrão casal de meia-idade,
com dois filhos, em que apenas o marido trabalhasse fora. "Percebemos
que esse modelo havia envelhecido e já não atendia à
grande variedade de tipos de família que encontramos hoje em nossa
empresa", diz a diretora da DuPont. A possibilidade de escolher os benefícios
aumenta a satisfação da equipe, contribui para reter os
melhores funcionários e atrai os talentos do mercado. A tendência
de ampliação da prática só encontra resistência
na rigidez da legislação brasileira, que classifica como
benefícios com direito a isenção dos encargos
trabalhistas apenas os itens que tiverem relação
direta com o desempenho profissional, como saúde, educação,
alimentação, transporte e segurança financeira. Aqueles
que não se enquadram nesses grupos, como viagem de férias,
são considerados parte do salário e só podem ser
concedidos com o respectivo pagamento dos encargos de previdência
social e fundo de garantia, o que intimida muitas companhias. "Se não
fosse por isso, a nossa criatividade ao montar os pacotes seria muito
maior", garante Jair Pianucci, diretor de recursos humanos da Hewlett-Packard,
outra que tem feito inovações na concessão de benefícios
aos empregados.

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