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Edição 1 701 - 23 de maio de 2001
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Coelhos desfeitos

Ariadne, a "rainha das
quentinhas", sai de
casa com
os filhos e pede a separação

Silvia Rogar

Paulo Jares
Ariadne: agora, dedicação total a filhos, estudos e decoração

Há um ano e meio, a vida era um mar de rosas (colombianas, daquelas bem rechonchudas) para Ariadne Coelho, 33 anos, símbolo acabado (muito bem, por sinal) da vida de ostentação levada pelos ricaços da Barra da Tijuca. Seu réveillon do milênio, em 2000, teve bolo decorado com pérolas, champanhe estampando seu nome no rótulo e uma queima de fogos particular mais longa que a da Praia de Copacabana. Tudo bancado pelo septuagenário Jair Coelho, dono do lucrativo negócio de fornecimento de refeições aos presídios do Rio de Janeiro, seu marido, pai por artes da inseminação artificial dos gêmeos Tiffany e Jairzinho (o mais velho, Jorge Antônio, é de um relacionamento anterior). De lá para cá, bateu uma ressaca brava. Coelho, acusado de irregularidade nos negócios, passou uma temporada na cadeia. Ariadne, a "rainha das quentinhas", envolveu-se em denúncias de grampo telefônico e também esteve na delegacia, prestando depoimento. Na quinta-feira passada, o fim do casamento se consumou, com uma frota de táxis fazendo às pressas a mudança de Ariadne e crianças, enquanto advogados de escol poliam suas armas para um promissor duelo.


Álbum de família
Coelho: agressivo depois da cadeia


Ariadne irrompeu no chamado cenário emergente da Barra como uma personagem de novela: a loira bonitona que leva o velhinho rico à loucura. Ele terminou um casamento de trinta anos, cobriu-a de jóias alucinantes, carrões importados, um guarda-roupa de milionária. Segundo contou à colunista Hildegard Angel, do jornal O Globo, até bacia de ouro – maciço – comprou para banhar os rebentos. Depois da temporada de Coelho na prisão, o casal sumiu do circuito social. Ariadne diz que o marido voltou diferente dos dois meses que passou na cadeia. "Vi que o Jair não gostava de mim da mesma forma", afirma. O empresário, que responde a processo por falsidade ideológica e formação de quadrilha, sem contar a sonegação fiscal de praxe, teria ficado agressivo a ponto de matar a pontapés um animal de estimação. A decisão de sair de casa foi no começo do mês, mas só na semana passada Ariadne entrou na Justiça para a briga previsível: levantamento de bens para futura partilha, custódia, pensão alimentícia. Já levou as primeiras vitórias: a guarda provisória e uma pensão de 100 salários mínimos por filho – um total de 54.000 reais por mês, suficientes para garantir, pelo menos, o leite das crianças.

Coelho ficou na casa de 3.000 metros quadrados, com cascata artificial, boate, academia de ginástica, torneiras de ouro nos banheiros e palmeiras importadas da Flórida. Ariadne e filhos instalaram-se a menos de 1 quilômetro dali, num apartamento de 800 metros quadrados no condomínio Golden Green, decorado com mármores italianos em quantidade suficiente para abrigar uma pequena orgia romana. Os primeiros móveis foram comprados às pressas, para que ela pudesse se mudar, mas seus planos são de, a partir de agora, cuidar passo a passo da decoração. "Desta vez, vou escolher tudo, sem arquiteto", diz, para desolação dos decoradores que adorariam explorar esse filão – a fortuna de Jair Coelho é estimada em 150 milhões de reais e alguma fatia há de sobrar para Ariadne. "Estou low profile, quero me dedicar integralmente aos meus filhos", suspira. Além dos desvelos maternos, ela está disposta a se aplicar nos estudos. Quer se formar no recém-iniciado curso de direito e ser advogada – "criminal ou de família", antecipa. Campo não faltará.

   
 
   
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