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Coelhos
desfeitos
Ariadne, a "rainha das
quentinhas", sai de casa
com
os filhos e pede a separação
Silvia Rogar
Paulo Jares
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| Ariadne:
agora, dedicação total a filhos, estudos e decoração |
Há
um ano e meio, a vida era um mar de rosas (colombianas, daquelas bem rechonchudas)
para Ariadne Coelho, 33 anos, símbolo acabado (muito bem, por sinal)
da vida de ostentação levada pelos ricaços da Barra
da Tijuca. Seu réveillon do milênio, em 2000, teve bolo decorado
com pérolas, champanhe estampando seu nome no rótulo e uma
queima de fogos particular mais longa que a da Praia de Copacabana. Tudo
bancado pelo septuagenário Jair Coelho, dono do lucrativo negócio
de fornecimento de refeições aos presídios do Rio
de Janeiro, seu marido, pai por artes da inseminação artificial
dos gêmeos Tiffany e Jairzinho (o mais velho, Jorge Antônio,
é de um relacionamento anterior). De lá para cá,
bateu uma ressaca brava. Coelho, acusado de irregularidade nos negócios,
passou uma temporada na cadeia. Ariadne, a "rainha das quentinhas", envolveu-se
em denúncias de grampo telefônico e também esteve
na delegacia, prestando depoimento. Na quinta-feira passada, o fim do
casamento se consumou, com uma frota de táxis fazendo às
pressas a mudança de Ariadne e crianças, enquanto advogados
de escol poliam suas armas para um promissor duelo.
Álbum de família
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| Coelho:
agressivo depois da cadeia |
Ariadne irrompeu no chamado cenário emergente da Barra como uma
personagem de novela: a loira bonitona que leva o velhinho rico à
loucura. Ele terminou um casamento de trinta anos, cobriu-a de jóias
alucinantes, carrões importados, um guarda-roupa de milionária.
Segundo contou à colunista Hildegard Angel, do jornal O Globo,
até bacia de ouro maciço comprou para
banhar os rebentos. Depois da temporada de Coelho na prisão, o
casal sumiu do circuito social. Ariadne diz que o marido voltou diferente
dos dois meses que passou na cadeia. "Vi que o Jair não gostava
de mim da mesma forma", afirma. O empresário, que responde a processo
por falsidade ideológica e formação de quadrilha,
sem contar a sonegação fiscal de praxe, teria ficado agressivo
a ponto de matar a pontapés um animal de estimação.
A decisão de sair de casa foi no começo do mês, mas
só na semana passada Ariadne entrou na Justiça para a briga
previsível: levantamento de bens para futura partilha, custódia,
pensão alimentícia. Já levou as primeiras vitórias:
a guarda provisória e uma pensão de 100 salários
mínimos por filho um total de 54.000 reais por mês,
suficientes para garantir, pelo menos, o leite das crianças.
Coelho ficou na casa de 3.000 metros quadrados, com cascata artificial,
boate, academia de ginástica, torneiras de ouro nos banheiros e
palmeiras importadas da Flórida. Ariadne e filhos instalaram-se
a menos de 1 quilômetro dali, num apartamento de 800 metros quadrados
no condomínio Golden Green, decorado com mármores italianos
em quantidade suficiente para abrigar uma pequena orgia romana. Os primeiros
móveis foram comprados às pressas, para que ela pudesse
se mudar, mas seus planos são de, a partir de agora, cuidar passo
a passo da decoração. "Desta vez, vou escolher tudo, sem
arquiteto", diz, para desolação dos decoradores que adorariam
explorar esse filão a fortuna de Jair Coelho é estimada
em 150 milhões de reais e alguma fatia há de sobrar para
Ariadne. "Estou low profile, quero me dedicar integralmente aos
meus filhos", suspira. Além dos desvelos maternos, ela está
disposta a se aplicar nos estudos. Quer se formar no recém-iniciado
curso de direito e ser advogada "criminal ou de família",
antecipa. Campo não faltará.
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