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A guerra ao colesterol
endurece
Seu LDL está
em 130 e o seu HDL em 40? Tudo bem, mas você poderia melhorar

Cristina
Poles
Na semana
passada, o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos estabeleceu
novos parâmetros para os limites ideais do colesterol ruim, o LDL,
e do colesterol bom, o HDL. No caso do primeiro, o nível de até
130 miligramas por decilitro de sangue passou a ser considerado bom e
o de até 100 mg/dl, ótimo. Em relação ao HDL,
agora é bom ter acima de 40 mg/dl e ótimo, acima de 60 (veja
quadro). Os médicos esperam que as mudanças
resultem em tratamentos mais agressivos contra um dos principais fatores
de risco de doenças do coração. Já a indústria
farmacêutica sonha com lucros ainda maiores. Seguidas as novas recomendações,
o número de pacientes sob tratamento medicamentoso nos Estados
Unidos, por exemplo, deve saltar de 13 milhões para 36 milhões.
No Brasil, a única estimativa que se tem é que 8,4 milhões
de pessoas apresentam um colesterol total acima de 240 miligramas por
decilitro de sangue uma taxa bem acima da recomendável,
que é de 200 mg/dl.
O colesterol
é uma lipoproteína essencial ao organismo. Está envolvido
no processo de fabricação de diversos hormônios e
da vitamina D. Em excesso, no entanto, é um perigo. Adere na parede
das artérias coronárias e contribui para o depósito
de placas de gordura. Esse acúmulo acaba por entupir os vasos,
impedindo a passagem de sangue e de oxigênio. É o infarto.
Mais de 70% do colesterol circulante no sangue é produzido no fígado.
Duas frações compõem basicamente o colesterol total:
a boa, chamada HDL, e a ruim, LDL. O bom funciona como uma espécie
de lixeiro das artérias, varrendo de volta para o fígado
o excesso de moléculas de LDL. De lá, elas são eliminadas
do organismo. Se o colesterol ruim está muito alto, o bom não
dá conta do trabalho. Começa, então, o processo de
entupimento arterial. Quanto mais baixa a presença de LDL no sangue,
menor é o risco de surgimento de problemas cardiovasculares. Uma
pesquisa de 1998 revela que, ao diminuir em 25% os níveis de LDL,
a probabilidade de ocorrência de um infarto cai 40%. Os cardiologistas
só começaram a se preocupar em controlar diretamente os
níveis de colesterol ruim em meados da década de 90. Até
então, a ênfase recaía sobre o HDL.
Os níveis
ótimos estabelecidos pelo Instituto Nacional de Saúde dos
Estados Unidos, determinados a partir de estudos estatísticos,
são dificílimos de ser alcançados pela esmagadora
maioria da população. E não apenas por causa dos
maus hábitos da vida moderna sedentarismo, obesidade e dietas
ricas em gorduras. A alimentação, que sempre se imaginou
uma das principais fontes para o excesso de colesterol, contribui diretamente
com apenas 30% da produção total da lipoproteína.
A experiência nos consultórios mostra que, de cada 100 pacientes,
85 não conseguem reduzir o colesterol somente com dieta alimentar
e exercícios físicos. O grande vilão é mesmo
a herança genética, contra a qual não se pode fazer
muito sem a ajuda de medicamentos. Os genes podem ou determinar uma secreção
excessiva de LDL ou uma deficiência na sua eliminação
pelo fígado.
De todas
as drogas desenvolvidas até o momento, as mais eficazes são
as estatinas. Elas inibem a ação da enzima responsável
pela produção de colesterol ruim no fígado. Algumas
atuam, ainda, diretamente na parede das artérias, interferindo
no processo de formação de placas de gordura. As estatinas
de última geração, como a atorvastatina (nome comercial:
Lipitor) e a cerivastatina (Lipobay), são as mais potentes. Chegam
a baixar os níveis de LDL em até 40% e aumentar o de HDL
em até 10%. Elas também costumam causar menos efeitos colaterais
do que as suas antecessoras. A recomendação dada aos pacientes
submetidos a tratamento com estatinas é que façam periodicamente
exames para verificar a quantas andam as funções hepática
e renal. Em raríssimas vezes, as drogas provocaram complicações
nessas áreas. Além de estabelecer novos limites para as
taxas de colesterol, as autoridades americanas sugerem que as medições
comecem a ser feitas precocemente: a partir dos 20 anos.

Veja também
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