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A câmara de Barretão
As
belas imagens captadas
pelo repórter fotográfico
Luiz Carlos Barreto
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nas imagem para ampliá-las
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| Barreto
e Pelé, em 1959: coberturas esportivas para a revista O
Cruzeiro |
Luiz
Carlos Barreto é o principal produtor do cinema nacional. Nas últimas
quatro décadas, ele viabilizou 77 filmes, entre os quais alguns
marcos, como Memórias do Cárcere, de Nelson Pereira
dos Santos, e Dona Flor e Seus Dois Maridos, dirigido por seu filho,
Bruno Barreto. O que nem todo mundo sabe é que, antes de se dedicar
ao cinema, Barreto foi fotógrafo e dos bons. Do início
dos anos 50 a meados da década de 60, ele trabalhou como repórter
de O Cruzeiro, a revista semanal de maior circulação
na época. Durante esse período, fez registros históricos.
Fotografou a final da Copa do Mundo de 1950, no Maracanã, a condecoração
do guerrilheiro Che Guevara pelo então presidente Jânio Quadros,
em 1961, e o exílio do ex-presidente Juscelino Kubitschek na Europa.
Dois meses atrás, algumas dessas imagens foram expostas no Museu
de Arte de São Paulo e em seguida reunidas no livro Passagem
A Memória Visual de Luiz Carlos Barreto. Impressa
em edição não-comercial, a obra, de 223 páginas,
deverá ser posta à venda no começo de julho pela
editora Objetiva.
Durante os quase quinze anos em que trabalhou como fotojornalista, Barreto
flagrou políticos, esportistas, estrelas do show biz e uma série
de cenas cotidianas que soube transformar em imagens de inegável
valor estético. Entremeadas por homenagens de amigos e admiradores,
como Arnaldo Jabor e Armando Nogueira, as fotos do livro são organizadas
de acordo com esses temas. Em 1964, Barreto decidiu largar o jornalismo.
Naquele ano, ele havia sido incumbido de fotografar a chegada do presidente
francês Charles De Gaulle ao Rio. "Inexplicavelmente, fomos agredidos
a pontapés pelos seguranças do aeroporto, que apreenderam
a câmara e confiscaram o filme", conta ele. O episódio fez
com que Barreto se sentisse "velho demais" para o ofício
no entanto, ele tinha apenas 35 anos. Foi então que resolveu trabalhar
com cinema. Ele já havia atuado na área, como diretor de
fotografia de filmes como Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos.
"Hoje, uso apenas aquelas câmaras automáticas que até
um cego pode operar", brinca.
Na seção do livro dedicada a celebridades, destacam-se fotos
de beldades do cinema, como Marlene Dietrich, Marilyn Monroe e Grace Kelly.
Barreto fotografou Marlene no camarim do hotel Copacabana Palace antes
de uma apresentação da atriz, em 1960. Segundo ele, a diva
nunca havia se deixado fotografar nessa situação. "Ela permitiu
a minha entrada porque, veja você, me achou um homem bonito", lembra.
Marilyn, por sua vez, foi clicada em Hollywood, num jantar de gala oferecido
pelos estúdios Fox. Visivelmente alcoolizada, ela flertou com as
lentes de maneira um pouco desajeitada mas ainda assim sensualíssima.
Já Grace Kelly aparece, diáfana, depois da cerimônia
de seu casamento com o príncipe Rainier, de Mônaco. Barreto
diz que só obteve as imagens de um bom ângulo porque chegou
atrasado ao evento. Minutos antes, ele estava num hotel à cata
da atriz Ava Gardner, que estaria dando um escândalo de ciúmes
naquela hora. Não encontrou Ava, mas acabou fotografando os noivos
de uma posição que havia sido vetada a todos os outros profissionais.
Barreto também fez muitas imagens políticas e esportivas.
Entre essas últimas, o forte fica por conta da cobertura da Copa
de 1958, na Suécia. Cenas conhecidas, como a do capitão
Bellini levantando a taça ou as comemorações de Pelé
em campo, foram registradas por ele com uma proximidade impactante. Na
parte política, chama a atenção o semblante desolado
de Juscelino Kubitschek, que amargava na Europa o exílio imposto
pelos militares. Poucas horas antes da festa de Ano-Novo, em 1969, ele
apresenta-se amargurado, num parque em Paris. É também notável
o registro da entrevista coletiva de Fidel Castro, em sua primeira visita
ao Rio de Janeiro, em 1959. Na ocasião, Barreto se lembra de ter
ouvido o ditador cubano dizer que, depois de tanto esforço revolucionário,
merecia ir à forra com as belas garotas cariocas. "Fidel tinha
queda pelas burguesinhas da Zona Sul", afirma.
As fotos de anônimos velhos, crianças, trabalhadores
e mendigos de vários países são também
muito expressivas. A preocupação de imortalizar o homem
comum e os "excluídos", Barreto extraiu da cartilha da Magnum,
a célebre agência fundada por Robert Capa e Henri Cartier-Bresson,
papas do fotojornalismo que deixaram discípulos no mundo inteiro.
Segundo essa escola, o fotógrafo tinha de ser um sujeito discreto,
disfarçado no meio da multidão e pronto para captar o "momento
decisivo" que servisse como registro universal. Para tanto, uma mudança
no equipamento era fundamental. Em vez das pouco práticas Rolleiflex,
era preciso usar câmaras mais leves, com lentes de 35 milímetros,
que davam maior mobilidade e obrigavam o fotógrafo a chegar mais
perto da cena. No Brasil, Barreto esteve entre os primeiros seguidores
dessa nova maneira de exercer o ofício. E poucos até hoje
se igualaram a ele.
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CÉLEBRES
Flagrantes
de estrelas de cinema, revolucionários, presidentes
e
príncipes
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| A
atriz alemã Marlene Dietrich no camarim do Copacabana Palace
e Marilyn Monroe flertando com a câmara num jantar de gala:
ícones em momentos de descontração |

O
ditador cubano Fidel Castro em entrevista coletiva, durante
sua primeira visita ao Brasil, em 1959: "Fidel tinha uma queda
pelas burguesinhas da Zona Sul carioca" |
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A
atriz Grace Kelly e o príncipe Rainier depois da cerimônia de
casamento, em Mônaco, em 1956: por chegar atrasado, Barreto
fez a foto de um ângulo que nenhum outro profissional conseguiu |
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| O
ex-presidente Juscelino Kubitschek no exílio europeu, em 1969:
a solidão de um ídolo |
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ANÔNIMOS
Inspirado
por Bresson e Capa, ele tentou
imortalizar o homem comum

Cidadãos
descansando numa praça em Milão, em 1961: na melhor tradição
da agência francesa Magnum, ele andava com o equipamento a tiracolo,
pronto para captar o "momento decisivo" |
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Mendigo
carioca (1956, ao lado ) e um clochard parisiense (1954,
acima): o francês saiu correndo atrás de Barreto depois
que a foto foi feita. Queria cobrar direitos de imagem pelo
flagrante |
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