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A
sofisticação das
saladas
Seguindo a trilha dos vinhos, azeites
de boa qualidade conquistam espaço
nas mesas brasileiras
Aida
Veiga
Relegado durante muito tempo na cozinha brasileira ao secundário
papel de temperar salada e regar bacalhoada, o azeite de oliva está
ampliando seu espaço até nas mesas mais renitentes. Apenas
na rede de supermercados Pão de Açúcar, mais de cinqüenta
tipos de azeite importado lotam a prateleira, o dobro de cinco anos atrás.
Em 1996, o país importou 23.000 toneladas do produto; neste ano,
se o dólar deixar, deve bater nas 30.000, sendo um quinto desse
total do tipo mais nobre de todos, o extravirgem. "O brasileiro está
começando a trocar o óleo pelo azeite porque descobriu que,
além de saboroso e de fazer bem para o coração, ele
é mais que um simples tempero. É um ingrediente vital em
muitas receitas", incentiva Wagner Zenaro, gerente de compra dos supermercados
Sé, que realizaram neste ano sua primeira Feira do Azeite.
O azeite é um daqueles ingredientes míticos, sobre os quais
se ergueram muitas das civilizações do Mediterrâneo,
seu berço esplêndido e insubstituível. Existem 140
citações dele na Bíblia. Podia ser ofertado
aos deuses ou usado para alívio de dores e tratamento de feridas,
como faziam os gregos antigos. Na culinária contemporânea,
seu consumo explodiu junto com o prestígio da chamada dieta mediterrânea,
composta de massas, peixes, legumes e verduras. Entre as marcas encontradas
nos supermercados brasileiros, as melhores são, em geral, as italianas,
seguidas pelas espanholas nesses dois países, a indústria
é mais controlada e dirigida para a exportação. Também
têm prestígio os azeites de Portugal, França e Grécia.
Os preços variam, e nunca são muito baixos vão
de 10, 15 reais por um bom extravirgem a mais de 100 reais por uma garrafa
de meio litro de Castello Banfi, o exclusivíssimo azeite produzido
na Toscana pela família Mariani, que também tem em seu currículo
o vinho Brunello di Montalcino. "Os vinicultores costumam ter umas poucas
oliveiras plantadas no meio das videiras. Antes, sua produção
de azeite era só para consumo próprio, mas, nos últimos
tempos, começou a ser exportada", diz o importador Celso La Pastina.
Da mesma forma que os vinhos, cada azeite de oliva (um estrangeirismo,
já que oliva é palavra italiana com tradução
plenamente conhecida em português: azeitona) tem sabor, cor e aroma
que refletem seu território e clima e a variedade e qualidade dos
cerca de sessenta tipos de azeitona. O azeite de primeiríssima
qualidade é aquele feito só de frutas bem maduras (pretas),
colhidas a mão com cuidados excepcionais, das quais o suco tem
de ser extraído em 24 horas. Qualquer machucadinho na fruta ou
atraso no processo interfere no teor de acidez e de pureza, que determina
a qualidade do azeite (veja
quadro).
As azeitonas são prensadas até virar pasta e, em seguida,
espremidas, separando-se o suco da água. Daí saem os azeites
extravirgem e virgem. As demais denominações (em geral,
puro ou refinado) vêm de mais prensagens ou de misturas. Cada oliveira
produz de 15 a 50 quilos de azeitona e são necessários 5
quilos para obter 1 litro de azeite. Em saladas, o tempero com um bom
azeite faz toda a diferença. Em massas e frituras, idem. Mas o
modo ideal de apreciá-lo em toda a sua integridade é regado
no pão, acompanhado de um bom copo de vinho. Um banquete dos deuses.
Montagem de Ewerton com fotos de Pedro Rubens e Thomas
Kremer
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