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Pizza é aqui,
ó
Brindeiro
ignora parecer de sua
assessoria técnica
e decide
arquivar o caso Banpará
Ana Araujo
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| Brindeiro
e Jader: terceiro caso contra o senador que o procurador joga para
a gaveta |
O presidente do Senado, Jader Barbalho, escapou de uma das garras da Justiça,
mas a ponta de seu paletó ficou presa a outra unha afiada. Na segunda-feira
passada, o Ministério Público do Pará decidiu, por
unanimidade, reabrir investigações sobre o escândalo
do Banpará, no qual Jader Barbalho é acusado de ter desviado
10 milhões de reais do banco para contas de suas empresas e familiares.
A decisão poderá resultar numa ação cível,
por meio da qual Jader seria convidado a ressarcir os cofres públicos
da quantia desviada. Mas, no mesmo dia, o senador recebeu a notícia
que mais esperava. O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro,
analisou o aspecto penal do escândalo, que, nas últimas conseqüências,
poderia resultar na prisão de Jader. Brindeiro, fiel a sua compulsão
engavetadora, decidiu arquivar o caso. Em sua decisão, alegou que
não há prova do envolvimento do senador e, mesmo que houvesse,
o crime estaria prescrito desde 1996.
Para um
homem livre com um patrimônio visível de, pelo menos, 30
milhões de reais, é melhor saber que no futuro talvez tenha
de colocar a mão no bolso do que perder a liberdade. A decisão
de Brindeiro agradou a Jader, mas causou algum mal-estar entre os procuradores.
Uma análise feita por técnicos da Procuradoria Geral da
República, enviada a Brindeiro dias antes de sua decisão,
ponderava que o crime não estava prescrito. A polêmica é
a seguinte: Brindeiro entendeu que a suspeita é de que Jader cometeu
crime do colarinho-branco, que prescreveu em 1996. Os técnicos
alertaram que esse tipo de crime só pode ser cometido por diretores
e funcionários de instituições financeiras. Como
Jader era governador do Pará, e não membro do Banpará,
os técnicos ponderaram que seu crime, se houve, era de peculato
cuja prescrição acontecerá só em 2004.
Brindeiro, no entanto, preferiu a interpretação que levava
o caso direto para o arquivamento.
Gaveta
100% A célebre inclinação de Brindeiro
para arquivar investigações é conhecida por todos,
mas em casos que envolvem o senador Jader Barbalho essa tendência
se manifesta em 100% dos casos. Em agosto de 1999, o procurador arquivou
uma denúncia na qual Jader, na condição de ministro
da Reforma Agrária, era acusado de beneficiar uma empresa, a Colíder,
numa desapropriação de terras, pagando-lhe uma indenização
descabida de 1,7 milhão de dólares. Brindeiro reconheceu
que o caso estava "eivado de irregularidades", mas entendeu de
novo que não havia provas contra Jader, embora o juiz de
primeira instância tenha entendido exatamente o contrário.
Um ano antes, em agosto de 1998, Brindeiro arquivara outro caso de maracutaia
fundiária envolvendo o hoje senador. Nele havia suspeita de uma
série de irregularidades na desapropriação de terras
numa região do Pará conhecida como Polígono dos Castanhais.
As suspeitas foram levantadas por uma investigação do Tribunal
de Contas da União (TCU). Como o Incra, órgão do
governo federal que cuida da questão agrária, informou que
a desapropriação fora correta, Brindeiro deu-se por satisfeito
e, como sempre, escancarou a gaveta.
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