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Edição 1 701 - 23 de maio de 2001
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Ele jogou o BC na lama

A ousadia do banqueiro Cacciola, que
gravou fitas para provar a existência de
um esquema de Chico Lopes no BC e
depois as usou para chantagear e salvar
sua pele numa crise de insolvência

Policarpo Júnior

 

 

Lindauro Gomes/Ag. Estado

O banqueiro Cacciola: conversas gravadas para chantagear
Lula Marques/Folha Imagem

O economista Chico Lopes: demitido duas semanas depois da desvalorização


Veja também
Como funcionava o esquema Chico Lopes
Como Cacciola chantageou o governo
Como o escândalo foi abafado

O momento mais dramático do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso ocorreu no dia 13 de janeiro de 1999. Uma razão é conhecida por todos: às 9 horas daquela quarta-feira, o governo federal anunciou o enterro definitivo da política cambial de manter o real valorizado ante o dólar, numa decisão cujos efeitos econômicos, políticos e sociais são sentidos até hoje. O que ninguém sabia é que, desde aquele dia, um grupo reduzidíssimo de altos membros do governo passou a guardar um segredo de Estado, daqueles que só se revelam vinte anos depois da morte de um presidente. Após quatro meses de investigação e 22 entrevistas com catorze personagens envolvidos, VEJA desvendou peças essenciais para o esclarecimento do mistério, que resultou na inesperada, e até hoje inexplicada, demissão do presidente do Banco Central apenas duas semanas depois da desvalorização.

Nas linhas a seguir, o leitor conhecerá evidências estarrecedoramente fortes de que:

O então presidente do Banco Central, o economista Francisco Lopes, vendia informações privilegiadas sobre juros e câmbio – e uma parte de sua remuneração saía da conta número 000 018, agência 021, do Bank of New York. A conta pertencia a uma empresa do Banco Pactual, a Pactual Overseas Bank and Trust Limited, com sede no paraíso fiscal das Bahamas. Chico Lopes, como é conhecido, repassava as informações para dois parceiros, que se encarregavam de levá-las aos clientes do esquema. Os contatos entre os três eram feitos por meio de aparelhos celulares. A Polícia Federal suspeita que os números sejam os seguintes: 021-99162833, 021-99835650 e 021-99955055.

Salvatore Alberto Cacciola, então dono do banco Marka, do Rio de Janeiro, descobriu todo o esquema por meio de um grampo telefônico ilegal e também passou a ter as mesmas informações privilegiadas. As fitas, que registram as conversas grampeadas, estão guardadas num cofre no Brasil – e há cópias depositadas num banco no exterior. Cacciola chegou a custear viagens a Brasília para que seu contato obtivesse, pessoalmente, as informações de Chico Lopes. Numa delas, seu contato voou do Rio a Brasília num jatinho da Líder Táxi Aéreo (o aluguel do jato saiu por 10 500 reais) e hospedou-se no hotel Saint Paul (a conta: 222,83 reais). Quebrado com a mudança cambial, que seu informante não conseguiu avisar-lhe a tempo, Cacciola desembarcou em Brasília no dia seguinte, 14 de janeiro de 1999, com o que chamou de "uma bazuca". Ela estava carregada de chantagem: ou o BC lhe ajudava ou denunciaria ao país a existência do esquema. O BC ajudou. Vendeu dólar abaixo da cotação e, no fim, Cacciola levou o equivalente a 1 bilhão de reais.

Para evitar uma crise de proporções imprevisíveis, que levaria o Brasil ao caos, o caso foi abafado. A ajuda do BC a Cacciola foi maquiada como sendo uma operação feita pela BB Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, uma subsidiária do Banco do Brasil, de modo que jamais se soubesse do envolvimento do BC na arquitetura do socorro. Duas semanas depois, Chico Lopes foi demitido, sob a alegação oficial de que administrara a virada cambial de forma desastrosa. O desfecho benigno do caso para os responsáveis pela ajuda sugere fortemente que Chico Lopes saiu com a promessa de que não seria jogado às feras. Clóvis Carvalho, então chefe da Casa Civil, foi encarregado de monitorá-lo.

 

 

 
 
   
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