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Edição 1 701 - 23 de maio de 2001
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"Será possível que em pleno século XXI teremos de acender fogueiras como os primitivos faziam? Era só o que faltava."
Rodrigo Paes Lima
Goiânia, GO


Apagão

Não quero, e não tenho conhecimentos para isso, julgar os culpados por essa situação. Como cidadão de São Paulo, habituado ao conforto e à segurança que a energia elétrica nos traz, fico pensando em como será a vida de minha família sem ela. Difícil prever o caos que enfrentaremos. Circulando nesta megametrópole à noite, vemos inúmeros prédios comerciais inteiramente iluminados, inclusive aos domingos. Será que a iniciativa privada e o governo juntos, cada um fazendo sua parte, não minimizariam o problema? ("Blecaute!", 16 de maio)
Henrique Signore Sadocco Filho

henriquesadocco@ig.com.br

Para mim e para minha família, essa crise de energia será um verdadeiro pesadelo, pois, além de morarmos no 11º andar, eu e meu filho de 13 anos somos asmáticos e freqüentemente acordamos à noite com crise e necessitamos fazer uso do inalador. A idéia da falta de energia nos deixa de cabelo em pé, pois até para ir a um hospital será difícil.
Neide Matsumoto
São Paulo, SP

O Brasil deveria começar o plano de racionamento de energia elétrica pelo corte de gastos supérfluos, como os luminosos publicitários. Deveria ainda exigir o fechamento de postos de combustível, supermercados e lojas às 20 horas.
Paulo Sérgio Bortolin
Rio Claro, SP

Existem centenas de pessoas que ficam no mínimo uma hora no banho quente; outras que ligam a máquina para lavar um par de meias. Fazem isso simultaneamente com aparelho de som, luzes e TV ligados. É o cúmulo da falta de consciência. Haja usina hidrelétrica para suportar tamanho desperdício!
Mauro Braz Casthi
Araçatuba, SP

 

Claudio de Moura Castro

É muito bom saber que, depois de quinze anos, Claudio de Moura Castro está de volta. Admiro seus artigos publicados quinzenalmente em VEJA. Aguardo sempre ansiosamente pelo próximo. Posso dizer que sou um leitor e também colecionador de seus pontos de vista. Sou professor de inglês e português e várias vezes discuto seus textos em sala de aula. Durante meu curso de letras, sempre levava seus artigos para ser lidos na faculdade pela turma. Parabéns pelo grandioso trabalho, professor. Que bom seria se o país pudesse contar com mais pessoas com tamanha sensatez (Ponto de vista, 16 de maio).
Ronaldo Cardoso
ronaldo_cardoso@uol.com.br

É bom conhecer a opinião de alguém que esteve fora do país por algum tempo e retornou com uma visão otimista desta terra. Compartilho em boa parte de seu comentário. Norberto da Cunha Garin
ncgarin@terra.com.br

 

Arc

Arc, sou sua fã e sonho com o dia em que finalmente você possa dizer a seus conterrâneos que é possível investir aqui. Mas confesso que estou preocupada: você sabe o que é "apagão"? Como vocês, marcianos, resolvem o problema de falta de energia? Os governantes de Marte elaboram estratégias para evitar que isso aconteça ou criam soluções para o povo cumprir? Responda quanto antes, pois pode faltar luz e, além de não podermos nos comunicar, você não vai ter iluminação para pousar em nenhuma cidade brasileira. Beijos iluminados para você. Não se esqueça de trazer um lampião de Marte.
Samantha Abreu
alsamantha@bol.com.br

Ei, Arc, já parou para pensar por que os homens resolvem seus problemas criando outros? Ou por que países entram numa guerra para garantir a paz e exterminam crianças e velhos? Estamos tentando progredir em marcha à ré. Desaprendemos ou nos corrompemos. Dê uma ajudinha, vai?
Natáli Nunes da Silva
Petrópolis, RJ

 

Leitores

Sou leitor de VEJA há mais de quinze anos e a considero a melhor revista brasileira no gênero. Cumprimento sua direção pelo artigo "Por que os leitores escrevem" (16 de maio). Foi interessante conhecer alguns dos assíduos colaboradores da coluna Cartas.
Cláudio R. de Moraes
claudiorotolo@yahoo.com

Muito interessante a observação de VEJA a respeito dos leitores que escrevem com freqüência para revistas e jornais comentando as matérias publicadas. Identifiquei-me imediatamente com o perfil descrito e, como não poderia deixar de ser, aqui estou enviando mais uma carta a vocês. Sou leitora compulsiva de jornais e revistas e dificilmente passo uma semana sem escrever pelo menos uma carta sobre algo que li. Tive seis cartas publicadas em revistas e fico muito satisfeita quando isso acontece, pois, assim como o senhor Iwan Thomas, acredito que minha opinião pode mudar alguma coisa. Tenho 19 anos e estou me preparando para ingressar na faculdade de jornalismo no ano que vem. Enquanto isso, continuo enviando cartas e mais cartas a todos os meios de comunicação que publiquem algo que desperte meu interesse.
Fernanda Ramos
São Paulo, SP

 

Crianças

É lamentável ver o que esse culto exacerbado à imagem e aos modismos tem trazido de malefícios a nossas crianças. Essa falta de parâmetros, que transforma tudo e todos em vítimas da ganância, representa um item a ser debatido com professores, psicólogos, pais e entidades governamentais competentes, com o intuito de diminuir os efeitos colaterais sobre a vida de nossos filhos ("Criança pensando como gente grande", 16 de maio).
Otaviano Lacet de Lima Segundo
Natal, RN

Achei a reportagem interessante. A realidade é essa, a maioria das crianças aceita a vida assim, pensando em namorar, manter boa aparência e tirar boas notas na escola. Mas também existem aquelas que pensam de outra forma. A mudança infantil realmente foi muito grande. A preferência por ganhar brinquedos transforma-se em preferência por ganhar roupas. Aqui em Curitiba fizemos uma entrevista com crianças de 3ª e 4ª série e a maior parte delas prefere brinquedos a roupas. Isso mostra que ainda não querem se transformar em adultos ou adolescentes.
Rhuana, 12 anos
Curitiba, PR

 

Les Misérabless

Viajei a São Paulo recentemente e tive a oportunidade única de assistir ao musical Les Misérables e perceber, com grande e grata surpresa, que não é preciso sair do país para apreciar espetáculos de altíssima qualidade. A montagem e o trabalho incansável dos produtores e atores me deixaram orgulhoso por ser brasileiro e por ver uma parte do Brasil que funciona... e muito bem ("Broadway à moda paulista", 16 de maio).
Daniel A. Lima
Fortaleza, CE

 

Música

Concordo com a opinião de VEJA sobre o R.E.M. Realmente as músicas seguem tendo uma qualidade que poucas bandas conseguiram manter em suas carreiras, mas por que razão a crítica descambou para Renato Russo? Sou fã da Legião, contudo reconheço que a banda capotou nos três últimos álbuns. A Legião Urbana teve deslizes musicais, sim, mas sempre foi tão digna quanto o R.E.M ("Rock à prova de derrapagem", 16 de maio).
Ariel Rodrigo Vera Agusto
São Bernardo do Campo, SP

 

Gays

A reportagem "É possível deixar de ser gay?" (16 de maio) fez-me rir com a declaração do senhor João Luiz Santolin, coordenador de alguma entidade de Sexualidade Sadia (piada), que se diz curado, pois sempre jogou bola e empinou pipas, e com a da senhora Rosângela Alves Justino, também coordenadora de outra entidade inútil do mesmo gênero, que codifica ser gay como "pecado de mesmo peso que a prostituição e o adultério". Em nenhum momento essas pessoas estão preocupadas com a felicidade de alguém, simplesmente querem ditar regras de "o que fazer" ou "como viver".
Rogerio Salles
rfsalles@uol.com.br

 

Genética

Manifesto a satisfação que tive ao ler a reportagem "Saber ou não saber" (16 de maio), e principalmente pela abordagem de uma rara doença, a síndrome de Von Hippel-Lindau. O assunto é de extrema importância para minha família, já que alguns de nós estão propícios a desenvolver esse mal.
Juliana Neves
Brasília, DF

 

CPI

Da forma como a notícia foi veiculada na reportagem "O show do milhão no Congresso" (16 de maio) transpareceu que eu teria recebido a importância citada, quando na verdade se tratava de uma última parcela da verba parlamentar a que o município de Jequié tinha direito, porquanto prevista no orçamento devido.
Deputado Luiz Moreira
Brasília, DF

 

Ética

Com relação à matéria "Conduta exemplar" (9 de maio), a Dow Corning tem a esclarecer que é uma empresa sólida, líder mundial na fabricação de produtos à base de silício, presente, desde 1943, nas mais diversas indústrias ao redor do mundo, nos setores têxtil, alimentício, eletrônico, farmacêutico, de aviação, construção e cosméticos, entre outros. A companhia voluntariamente se retirou do mercado de próteses de silicone globalmente, continuando presente e liderando os demais mercados a que atende.
Silvia Juknevicius Lins
Comunicações – América do Sul
São Paulo, SP

 

CORREÇÕES: O professor Gilberto Marcucci não é médico, mas cirurgião-dentista, especialista em estomatologia (Para usar, 2 de maio). O instituto fundado por Lester Brown é Earth Policy, e não Police, como foi publicado (Amarelas, 9 de maio). O nome correto do presidente da Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul é Vicente Rauber ("Blecaute", 16 de maio).

 

 

VOZES DE ALÉM-MAR


Leitores do exterior sofrem com notícias que lhes chegam via VEJA. Violência, corrupção e falta de cuidados com a natureza são algumas das preocupações predominantes. Joitiro Abe, que mora em Gifu-ken, Japão, observa: "Ronald Biggs deve ter voltado para a Inglaterra desmoralizado por perder o título de megaladrão para qualquer politicozinho brasileiro". Lucia Carla Areco G. Moura, de Grossenseebach, Alemanha, chocou-se com a morte da fonoaudióloga carioca ("Limites da maldade", 9 de maio): "Fiquei estarrecida com os requintes de crueldade utilizados por esses marginais". De Miami, no Estado americano da Flórida, Carlos Alberto Brandão centra fogo na crise do Congresso: "Existem políticos sérios e honestos, porém a velha-guarda, que sempre atuou no próprio interesse, continua mandando na vida de nosso país". Luiz Claudio Limp, também de Miami, cumprimenta com ironia o governo brasileiro, que, "mesmo tendo à disposição dois mandatos para sanar o problema de energia, empurrou-o com a barriga quanto pôde e agora nos apresenta a conta". Afinal, pensa ele, "já estamos acostumados a pagar as contas, na forma de impostos".

 

A CAÇA E O CAÇADOR


A reportagem "Eles querem matar este leão" (9 de maio), sobre os milionários que pedem a volta da caça ao felino em Botsuana, na África, proibida em fevereiro, chocou o leitor paraibano Henrique Fiuza de Carvalho, de João Pessoa: "Não seria mais humano se, em vez de pagar 30.000 dólares por leão morto, esses milionários aplicassem esse dinheiro para que mais pessoas vivessem?". Maria Beatriz Affonso indaga: "O que essas pessoas pretendem deixar de patrimônio para as gerações futuras? Devastação? Destruição?". A presidente do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, Sônia Fonseca, tem uma preocupação mais objetiva: "Os caçadores visam os líderes do bando, o que gera desequilíbrio entre os animais sobreviventes". Marco Antonio Moura de Castro, presidente do Safari Club International do Brasil, contrapõe: "A caça esportiva regulamentada é o único meio efetivo de manejo sustentado dos recursos nacionais. Por ser uma atividade esportiva, portanto de cunho econômico, ela movimenta milhões de dólares, que são reinvestidos em projetos de conservação". O leitor Vitor Nora, de Porto Alegre, concorda: "No Quênia, onde até 1995 a caça era proibida, um sem-número de espécies corria o risco de desaparecer. Em 1996 foi reaberta a caça legal, como meio de preservação da fauna daquele país".

 

SERES DE LUZ


A história da participação da cantora Elba Ramalho num congresso de ufologia agitou os leitores ("Fui chipada", 9 de maio). Mais de sessenta cartas chegaram à redação. Algumas pessoas procuraram dar cunho científico ou místico a seus argumentos. Outras foram gaiatas e divertidas. "A remoção de implantes colocados por ETs está descrita de maneira científica no livro The Aliens and the Scalpel, pelo cirurgião Roger K. Leir", indicou Mário N. Rangel. "O comandante Ashtar Sheran é o Arcanjo Miguel e, juntamente com Sananda (Jesus) e outros seres cósmicos de grande luz, está ajudando o planeta Terra a passar pelos momentos de transição previstos no Apocalipse", pensa Solange de Cássia Liberal Amador, de Brasília. "Nós, ufólogos, perdemos a oportunidade de ser levados um pouco mais a sério", lamentou Thiago Luiz Ticchetti, vice-presidente da Entidade Brasileira de Estudos Extraterrestres. "Na realidade, Elba foi chifrada por uma cabra ensandecida que fugia de um chupa-cabras lá de Campina Grande", ironizou o paraibano Ricardo José Moreira Souto, de João Pessoa. "Eu acredito na invasão do óleo negro", escreveu Cochiran Pereira Santos. "Ele até já se instalou no motor do meu carro", brincou. Raphael Roveda Bennemann é ácido na ironia: "Apenas para corrigir: o nome correto do ser ultra-supraluminoso do retrato é Styve Sherando". O curitibano José Eduardo Gardolinski perdeu a paciência: "O mundo é cheio de idiotas". Toda essa polêmica confundiu George Gurgel, de Fortaleza, e lançou uma sombra de desconfiança sobre o marcianinho de VEJA. "Arc, você é um ser ultra-supraluminoso ou é um grey?", quis saber o cearense.

 

DUE DILIGENCE

A nota "Avanço francês" (Radar, 16 de maio), que falava do interesse da L'Oréal em comprar a Bozzano, afirmou que o processo de "due diligence" já havia começado. A expressão em inglês é muito conhecida entre economistas e homens de negócios. Mas obviamente fora do círculo das finanças ninguém tem obrigação de saber seu significado. O leitor catarinense Mauro N. Madeira, de Florianópolis, reclamou com razão. "É preciso ler a VEJA com um dicionário sempre ao lado?", perguntou. O advogado José Maria Corrêa de Sampaio, em uma conferência sobre o assunto no Institute for International Research, assim definiu a expressão: "É um procedimento de análise levado a cabo normalmente pela compradora com a colaboração da vendedora e tem por finalidade verificar e avaliar a situação das empresas e/ou dos negócios a transacionar", disse Sampaio. "Due diligence significa, numa óptica jurídica, o que fazer para verificar que o objeto da operação pode ser transacionado legítima e livremente e apresenta as características e o valor que o vendedor lhe atribui", completou. Trata-se, em resumo, de uma investigação preliminar, que antecede a realização de um negócio.

 

 
 
   
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