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Edição 1 701 - 23 de maio de 2001
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VEJA não esquece


A cobertura do caso Banco Marka: três reportagens de capa

Uma das mais cínicas avaliações do trabalho da imprensa sustenta que o maior recurso das publicações é a falta de memória de seus leitores. Em muitos casos essa máxima é tristemente correta. VEJA nunca se utilizou desse recurso. Ao contrário, a revista tem como uma de suas missões continuar apurando fatos relevantes mesmo depois de eles terem saído do foco dos holofotes para se acomodar em algum canto confortável do esquecimento coletivo. Uma reportagem especial da presente edição é mais uma mostra desse compromisso da revista. Passados mais de dois anos de um dos mais dramáticos momentos da vida brasileira, o enterro da rigidez cambial que manteve a valorização do real estável em relação ao dólar, VEJA revisita o assunto. E o faz naquilo que a transição teve de mais misterioso, a demissão do economista Francisco Lopes da presidência do Banco Central. Lopes foi aliviado de suas funções apenas duas semanas após a mudança na política cambial.

Em abril de 1999, três meses depois da saída de Francisco Lopes, uma reportagem de capa de VEJA revelava que a fulminante passagem do economista pelo Banco Central fora tisnada por suspeitas da existência de um esquema de vazamento de informações privilegiadas para banqueiros. Seguiram-se mais duas reportagens de capa iluminando outros detalhes tenebrosos do escândalo. Agora, ao cabo de quatro meses de investigação em três Estados e 22 entrevistas com catorze personagens envolvidos, o editor especial Policarpo Junior desvendou parte substancial do mistério. Junior descobriu as circunstâncias estarrecedoras que levaram o BC de Francisco Lopes a ajudar o Banco Marka, de Salvatore Cacciola. Contrariando a cartilha que costuma pautar essas ações, Lopes vendeu dólares a preço de ocasião a Cacciola, beneficiando pessoalmente o banqueiro em prejuízo de seus investidores. A apuração do editor especial de VEJA mostra que Cacciola só conseguiu esse presente de pai para filho por meio de uma chantagem que fez do presidente do BC seu refém. Veja reportagens.

 
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