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cobertura do caso Banco Marka: três reportagens de capa |
Uma das mais
cínicas avaliações do trabalho da imprensa sustenta
que o maior recurso das publicações é a falta de
memória de seus leitores. Em muitos casos essa máxima é
tristemente correta. VEJA nunca se utilizou desse recurso. Ao contrário,
a revista tem como uma de suas missões continuar apurando fatos
relevantes mesmo depois de eles terem saído do foco dos holofotes
para se acomodar em algum canto confortável do esquecimento coletivo.
Uma reportagem especial da presente edição é mais
uma mostra desse compromisso da revista. Passados mais de dois anos de
um dos mais dramáticos momentos da vida brasileira, o enterro da
rigidez cambial que manteve a valorização do real estável
em relação ao dólar, VEJA revisita o assunto. E o
faz naquilo que a transição teve de mais misterioso, a demissão
do economista Francisco Lopes da presidência do Banco Central. Lopes
foi aliviado de suas funções apenas duas semanas após
a mudança na política cambial.
Em abril
de 1999, três meses depois da saída de Francisco Lopes, uma
reportagem de capa de VEJA revelava que a fulminante passagem do economista
pelo Banco Central fora tisnada por suspeitas da existência de um
esquema de vazamento de informações privilegiadas para banqueiros.
Seguiram-se mais duas reportagens de capa iluminando outros detalhes tenebrosos
do escândalo. Agora, ao cabo de quatro meses de investigação
em três Estados e 22 entrevistas com catorze personagens envolvidos,
o editor especial Policarpo Junior desvendou parte substancial do mistério.
Junior descobriu as circunstâncias estarrecedoras que levaram o
BC de Francisco Lopes a ajudar o Banco Marka, de Salvatore Cacciola. Contrariando
a cartilha que costuma pautar essas ações, Lopes vendeu
dólares a preço de ocasião a Cacciola, beneficiando
pessoalmente o banqueiro em prejuízo de seus investidores. A apuração
do editor especial de VEJA mostra que Cacciola só conseguiu esse
presente de pai para filho por meio de uma chantagem que fez do presidente
do BC seu refém. Veja
reportagens.

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