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Edição 2057

23 de abril de 2008
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DVDs

Justiça para Todos (...And Justice for All, Estados Unidos, 1979. Sony) – Um advogado de Baltimore é convocado para defender um juiz, com o qual ele tem desentendimentos notórios, das acusações de estupro e espancamento de uma jovem. O advogado tem fortes suspeitas de que seu cliente é culpado; e o cliente tem à disposição os meios para cassar sua licença caso ele se recuse a ser seu defensor. Esse dilema – o de seguir a consciência ou render-se ao "sistema" –, cercado de tramas e subtramas por todos os lados (mais do que o necessário, diga-se), é o cerne desse bom exemplar do cinema militante da década de 70. Bom pela direção cheia de energia, ainda que um tantinho caótica, de Norman Jewison, que alguns anos antes colocara seu nome no mapa com o também combativo No Calor da Noite; e melhor ainda pela performance vulcânica de Al Pacino, que consegue juntar todas as pontas soltas da história em uma mesma meada.

Os Imorais (The Grifters, Estados Unidos, 1990. Lume) – Anjelica Huston e John Cusack são mãe e filho que dividem um esquema de trapaça, além de uma relação um bocado incestuosa; e Annette Bening, mais linda e sexy do que nunca, é o elemento químico que vai desestabilizar essa fórmula. Filmado em cores fortes e luzes estouradas sob o sol de Los Angeles, esse noir roteirizado pelo romancista policial Donald West-lake e dirigido pelo inglês Stephen Frears (de A Rainha) caminha para completar vinte anos de idade sem perder sua incandescência e volatilidade. Os desempenhos, além disso, são antológicos, com destaque para a cena apenas implícita, mas ainda assim horripilante, em que Anjelica apanha do gângster para o qual trabalha – uma atuação de dar calafrios do veterano Pat Hingle.

 

DISCOS

A Música na Corte de D. João VI, vários intérpretes (Biscoito Fino) – Esse álbum em dois volumes faz parte de um projeto da prefeitura do Rio de Janeiro para celebrar os 200 anos da chegada da família real portuguesa ao país. O primeiro traz as obras Te Deum e Réquiem, compostas pelo padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830). A qualidade das músicas impressionou o príncipe dom João VI, que lamentou o fato de não existir um compositor desse nível na sua corte natal. Já o segundo volume, Modinhas Cariocas, apresenta canções populares daquele período – as modinhas e os lundus. Nesse gênero, o destaque é a canção Lá no Largo da Sé, de autoria de Candido Inácio da Silva, cuja letra traz aquela gaiatice que se tornaria marca registrada da música popular brasileira.

 

LIVROS

O Grande Livro do Jornalismo, organizado por Jon E. Lewis (tradução de Marcos Santarrita; José Olympio; 378 páginas; 49 reais) – O título é demasiado pretensioso, ainda mais para um livro do qual estão ausentes jornalistas importantes como Tom Wolfe. Mas esta é, ainda assim, uma bela coletânea, com 55 reportagens que cobrem do caso Dreyfus, no século XIX, à Guerra do Iraque. Muitos textos são de escritores como Charles Dickens, Mark Twain e Norman Mailer. E há artigos que marcaram época – como a reportagem de Seymour Hersh sobre o massacre de My Lai, na Guerra do Vietnã, ou a exposição das condições de trabalho das garçonetes do Clube Playboy assinada pela feminista Gloria Steinem – que se disfarçou de "coelhinha" para investigar a história. Leia trecho.

De Verdade, de Sándor Márai (tradução de Paulo Schiller; Companhia das Letras; 448 páginas; 54,50 reais) – Censurado e perseguido pelo comunismo de seu país natal, a Hungria, Sán-dor Márai (1900-1989) exilou-se no Ocidente, mas nunca encontrou paz – acabou se suicidando em San Diego, na Califórnia. Sua obra vem sendo redescoberta nos últimos anos. De Verdade é um de seus romances mais ambiciosos, um verdadeiro painel da sociedade húngara (e, no capítulo final, americana) que se estende por quatro décadas, começando no período entreguerras. A história é conduzida por quatro narradores, cada um deles apresentando uma versão diferente para o caso de amor entre uma empregada e seu patrão burguês casado, em Budapeste.

Sagas, de August Strindberg (tradução de Carlos Rabelo; Hedra; 128 páginas; 18 reais) – Nome fundamental do teatro moderno, o sueco August Strindberg (1849-1912) é pouco traduzido no Brasil. Sagas apresenta sua literatura infantil: são treze contos que ele escreveu para uma filha pequena. Algumas narrativas, porém, talvez venham a ser mais bem apreciadas pelos adultos, tal sua estranheza. Nos Dias de Verão, por exemplo, carrega no clima soturno e expressionista para narrar as desventuras de uma mãe e sua filha doente. Também há contos de corte mais realista, como o belo Meia Folha de Papel, em que um jovem viúvo rememora seu casamento. Mas o forte do livro são suas imagens oníricas, como o navio fantasma de As Agruras do Timoneiro ou o piano submarino de A Grande Peneira. Leia trecho.

 

 

 
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Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Ribeirão Preto: Paraler; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; Salvador: Saraiva; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva, Martins Fontes; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva; Internet: Cultura, Laselva, Nobel, Saraiva, Submarino.


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