|
Livros Como o americano Henry James fez
da
Publicado originalmente em 1896, Os Espólios de Poynton (tradução de Onédia Célia Pereira de Queiroz; Companhia de Bolso; 219 páginas; 19,50 reais) é o melhor romance já escrito sobre a decoração de interiores. Parece pouco? Parece fútil? Acontece que o autor, o americano Henry James, era um homem sutil. As limitações de uma história que tivesse como tema mesinhas e bibelôs eram evidentes. Assim, num estilo que os franceses chamariam de démeublé econômico nas descrições, e portanto "sem mobília" , ele mal se ocupou de especificar as relíquias que estão no centro da intriga. Voltou-se, em vez disso, para outra questão: a maneira como as coisas de que se é dono refletem a história e o caráter de uma pessoa.
A substância moral de cada personagem feminina se torna aparente na sua relação com as riquezas de Poynton. Mrs. Gereth é dominada pela paixão por sua coleção de objetos. Ela vê tudo à sua volta com olhos de colecionadora até mesmo Fleda, descrita a certa altura como "um de seus melhores achados". Mona avalia Poynton (e também seu noivo) por lentes pecuniárias. E Fleda? Ela não é cega a nenhum desses dois aspectos, o estético e o financeiro, mas o que mais lhe interessa é sua liberdade: até que ponto a posse de bens (ou de um marido) também vai aprisioná-la e reduzir seus horizontes? Muito do drama de Os Espólios de Poynton está ligado à falta de alternativas de vida, fora do casamento, para uma mulher do século XIX. Mas o problema "filosófico" da posse e da aquisitividade, segundo as reflexões de Fleda Vetch, é igualmente essencial ao livro. Quando James escreveu Os Espólios de Poynton, a sociedade de consumo apenas engatinhava. Pode-se dizer que o tema do livro ainda não envelheceu...
|
|
VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter | ![]() |
|