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Edição 2057

23 de abril de 2008
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Bons modos no mundo animal

Móveis riscados, um tapete alagado e aqueles dias em que cães e gatos amanhecem intratáveis são algumas das situações que todo dono de um desses animais já enfrentou – mas nem sempre soube como resolver.  


Monica Weinberg

Ao repreenderem seu bicho de estimação, as pessoas erram, basicamente, quando partem para o grito e apelam para a força bruta. Isso não surte nenhum efeito positivo. O que funciona para lapidar os modos de caninos e felinos é a paciente aplicação de um conjunto de medidas baseadas em alguma psicologia – e bastante treino. Sobre elas, VEJA ouviu três especialistas: Victoria Stilwell, apresentadora do programa da TV inglesa Ou Eu ou o Cachorro, retransmitido no Brasil pelo canal GNT; a veterinária americana Mieshelle Nagelschneider, especialista em comportamento de gatos pela Universidade Harvard; e o adestrador Alexandre Rossi. Eles concordam num ponto básico – e, de certo modo, alentador: é melhor começar a educar cães e gatos desde cedo, mas, mesmo para aqueles de mais idade, sempre há solução. A seguir, as sugestões do trio.

Fotos Manoel Marques
Tibor: ele sofreu quando a dona mudou de endereço Buda era um cão ansioso: passeios ao ar livre melhoraram a situação

 

Cães

Ilustrações Lúcia Brandão


Situação:
o cachorro faz os cômodos da casa de banheiro
O erro mais comum dos humanos: ao flagrar as necessidades fisiológicas do cão depositadas no tapete da sala, gritar e ainda puni-lo com palmadas. O efeito é zero, uma vez que o animal não capta a razão do castigo
O que recomendam os especialistas: passear na rua com o cão – se der, três vezes por dia. Ele costuma fazer pipi pela casa justamente por estar privado de uma rotina ao ar livre. Outra medida de sucesso é eliminar os obstáculos entre o cachorro e seu próprio "banheiro". Às vezes, ele não chega lá por dar com o focinho numa porta fechada
Tempo para resolver o problema: três meses. Se passar disso, é bom conversar com um veterinário sobre a possibilidade de uma incontinência urinária


Situação: o cão faz o dono – ou quem mais aparecer por perto – de pula-pula
O erro mais comum dos humanos: repreendê-lo com gritos. Quando pula, afinal, o cachorro busca atenção – e é justamente o que o dono estará lhe dando ao esbravejar. Para piorar o cenário, o cão ainda se sentirá estimulado a seguir com a brincadeira
O que recomendam os especialistas: ignorar as acrobacias, mesmo que isso traga algum incômodo, e só voltar a falar com o cachorro quando ele aterrissar as quatro patas no chão. Se o cão insistir com os pulos, castigue-o com momentos de clausura
Tempo para resolver o problema*: quinze dias


Situação: latidos em alto e bom som – noite e dia
O erro mais comum dos humanos: gritar com o cão
O que recomendam os especialistas: o cachorro late, antes de tudo, para chamar atenção e se sentir no comando do território que o cerca. O desafio aqui é mostrar que, com os latidos, ele estará mais distante de tais objetivos. Daí a tática de lhe dar um gelo. Quando o cão se aquietar – e ao ser ignorado isso sempre acontece –, a estratégia é premiá-lo com algo comestível ou uma brincadeira qualquer. O objetivo é estimular o tão almejado silêncio fazendo o cachorro associá-lo a um bom momento
Tempo para resolver o problema: um mês

 

Gatos

Situação: o gato viajou com o dono e age como um peixe fora d’água
O erro mais comum dos humanos: não lhe dar nenhuma espécie de assistência na fase de adaptação. Os gatos têm necessidade de conhecer em detalhes o lugar onde estão – e a mudança brusca os deixa confusos e irritados
O que recomendam os especialistas: apresentar gradativamente o novo ambiente ao felino. No começo, é boa medida confiná-lo no menor aposento da casa e ali espalhar objetos com os quais esteja familiarizado
Tempo para resolver o problema: três dias


Situação: arranhões pela casa toda
O erro mais comum dos humanos: restringir-se à remoção do gato no momento em que crava as garras no móvel. Logo ele voltará ao mesmo lugar, movido por algo que entende como uma brincadeira
O que recomendam os especialistas: como arranhar é uma necessidade básica dos felinos – seja para eliminar uma unha velha e dar lugar a outra, mais afiada, seja para livrar-se de sujeiras escondidas sob as garras –, não dá para esperar nada diferente de um gato. Uma boa saída é comprar um arranhador, acessório que reproduz a sensação conferida por mesas e cadeiras. Aplique ainda castigos indolores, como colar adesivos aos móveis, de modo que o gato viva maus momentos com as unhas grudadas. Funciona
Tempo para resolver o problema: uma semana


Situação: o gato subiu numa árvore, mas não consegue fazer o caminho de volta
O erro mais comum dos humanos: entender a situação como expressão da preguiça felina – e incentivá-lo a descer da árvore despertando sua atenção com petiscos e brinquedos
O que recomendam os especialistas: ensinar o gato a descer das árvores de ré, e não de frente, como ele tenta fazer. Para isso, basta atraí-lo com um petisco na altura do peito, enquanto ele ainda está na posição de subida. A idéia é que, ao tentar fisgar a comida, ele retorne de costas ao chão. As garras, afinal, funcionam como ganchos perfeitos na hora da subida. Já na descida, não dão conta de sustentar o peso de um gato de frente
Tempo para resolver o problema: um mês
Buda era um cão ansioso: passeios ao ar livre melhoraram a situação

 

Onde encontrar mais respostas sobre o comportamento de animais domésticos: www.caocidadao.com.br (do adestrador Alexandre Rossi); www.victoriastilwell.com (da inglesa Victoria Stilwell, especialista em cães); e www.thecatbehaviorclinic.com (da americana Mieshelle Nagelschneider, especialista em gatos pela Universidade Harvard)



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