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DVDS
A
Dança dos Vampiros (The Fearless Vampire Killers,
Estados Unidos, 1967. Cinemagia) A fim de estudar uma espécie
mítica a dos vampiros , o intrépido e apatetado
professor Abronsius ruma para a Transilvânia, acompanhado de seu
assistente (Roman Polanski, revezando-se atrás e diante das câmeras).
Lá chegando, os dois vão ter mais oportunidades de travar
contato com seus representantes do que gostariam. O cruzamento de terror
e comédia, nesse filme da juventude do diretor polonês, é
radicalmente diferente das paródias que o cinema americano costuma
produzir a partir desses mesmos dois elementos. No primeiro departamento,
o do medo, a encenação de Polanski rouba de maneira inspirada
do expressionismo alemão. No segundo, o do humor, furta com muito
critério do nonsense à inglesa. O resultado é gótico,
sinistro e, ao mesmo tempo, de rolar de rir. Entre os extras, uma curiosidade
melancólica: um pequeno documentário sobre a atriz Sharon
Tate, a beldade de Dança dos Vampiros, que então
estava despontando e que apenas dois anos depois, já casada
com Polanski, seria assassinada.
Divulgação
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| O
Último Adeus: elenco com o
melhor da Inglaterra |
O Último Adeus (Last Orders, Inglaterra/Alemanha,
2001. Columbia) O enredo é clássico: três amigos
idosos se reúnem ao filho de um companheiro que acaba de morrer
para cumprir seu último desejo espalhar suas cinzas no balneário
onde ele passou a lua-de-mel, cinqüenta anos antes. A diferença,
aqui, está no tratamento que o diretor australiano Fred Schepisi
dá ao tema: o de um road movie em que os desvios e atalhos
levam a lugares mais interessantes do que a estrada em si, e em que as
amizades são mais sólidas pelas diferenças entre
os parceiros do que pelo que eles têm em comum. O elenco, além
disso, é um caso à parte, e inclui alguns dos melhores atores
ingleses das últimas décadas como Michael Caine (no
papel do falecido), Bob Hoskins, Ray Winstone, Tom Courtenay, David Hemmings
e Helen Mirren. Todos ótimos individualmente e afinadíssimos
em conjunto. Inédito no circuito comercial brasileiro.
LIVROS
O
Escândalo dos Wapshot, de John Cheever (tradução
de Sergio Viotti; Arx; 351 páginas; 46 reais) Com esse romance
de 1959, o americano John Cheever deu prosseguimento à saga familiar
que iniciara anos antes em A Crônica dos Wapshot (também
lançado no Brasil recentemente, pela mesma editora). No primeiro
livro, os Wapshot são descritos em seu "ambiente natural", a cidadezinha
de St. Botolphs, na Nova Inglaterra. Embora parte da ação
dessa seqüência também se passe no lugarejo, onde uma
velha representante da família enfrenta dificuldades com o Fisco,
seus melhores efeitos vêm da narrativa de como dois Wapshot desgarrados,
os irmãos Miles e Coverley, tentam encontrar confusamente seu caminho
no mundo exterior. Cheever alcançou o auge como contista, mas ficam
patentes nesse romance a sua verve e a precisão de sua linguagem.
Leia
trechos do livro.
Um
Palmo Abaixo, de Tibor Fischer (tradução de Roberto
Grey; Rocco; 262 páginas; 29 reais) Antes de publicar esse
romance, em 1993, Tibor Fischer (conhecido por A Gangue do Pensamento
e O Colecionador de Colecionadores) recebeu 58 cartas de recusa
de editoras. Mas sua perseverança rendeu frutos. Quando finalmente
foi lançado, o livro recebeu elogios rasgados da crítica
nos Estados Unidos, tornou-se finalista do mais prestigioso prêmio
literário da Inglaterra, o Booker Prize, e fez de Fischer uma estrela
da literatura jovem naquele país. Nascido em Londres, em 1959,
o autor é filho de uma ex-capitã da seleção
húngara de basquete. E é na Hungria das décadas de
40 e 50 que a história se passa. Trata-se de uma denúncia
das insanidades do totalitarismo, repleta de personagens impagáveis
e que faz plena justiça ao seu subtítulo Uma Comédia
de Humor Negro.
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Tanizaki:
a força
do desejo
sexual
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Há
Quem Prefira Urtigas, de Junichiro Tanizaki (tradução
de Leiko Gotoda; Companhia das Letras; 191 páginas; 29 reais)
A princípio, o japonês Tanizaki (1886-1965) abraçou
com fervor a arte e o pensamento que lhe chegavam do Ocidente. Aos poucos,
porém, ele se reconciliou com a cultura de seu país
e esse romance, publicado originalmente como folhetim em 1929, é
um marco de tal virada. Como costuma ocorrer nas obras do autor, a força
cega do desejo sexual move a história. No centro dela estão
Misako e Kaname, que se preparam para o divórcio enquanto freqüentam
livremente seus amantes. Em contraste com o casal "moderno" estão
o pai de Misako e sua concubina Ohisa. Eles se entregam a velhos hábitos
e tradições que, aos poucos, vão cativando Kaname
e ganhando sua preferência (daí a ironia no título).
O romance é um dos melhores de Tanizaki, que consta entre os grandes
nomes da ficção japonesa.
DISCOS
Conception:
an Interpretation of Stevie Wonder Songs, vários intérpretes
(Universal) Discos-tributo geralmente pecam pela obviedade do repertório
ou pela presença de convidados que não têm a mínima
sintonia com a obra do homenageado. Conception, dedicado ao cantor
e compositor americano Stevie Wonder, resolveu esses problemas de modo
exemplar. A seleção evita os maiores clássicos da
carreira de Wonder, dando lugar a faixas românticas pinçadas
dos discos que o artista gravou entre as décadas de 70 e 80. A
chatinha I Just Called to Say I Love You, por exemplo, ficou de
fora. Quanto ao time de cantores, optou-se por aqueles identificados com
a obra de Wonder, como Eric Clapton, Stephen Marley (filho do cantor de
reggae Bob Marley) e novos talentos da soul music americana. As principais
releituras do disco estão na recriação da cantora
Mary J. Blige para Overjoyed
e na versão de Visions proposta pelo vocalista de soul Musiq.
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| Caetano:
o melhor dos anos 60 e 70 na trilha de Durval Discos |
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Durval
Discos: Trilha Sonora, vários intérpretes (Universal)
O personagem-título do filme de Anna Muylaert é um
vendedor de discos ranzinza que se recusa a trocar seus LPs de vinil por
CDs. Pois nem ele se recusaria a ouvir a boa viagem sonora proporcionada
pela trilha de Durval Discos. O principal achado está no
respeito ao personagem, um bicho-grilo do bairro paulistano de Pinheiros.
O repertório, portanto, traz canções com alta rotação
nos acampamentos formados por velhos e novos hippies, com o fino da MPB,
do pop e do rock das décadas de 60 e 70 e, verdade seja
dita, há tempos a música nacional não tem uma produção
tão boa. Muitas das faixas são difíceis de encontrar
em CD e em vinil. É o caso do rock rural Mestre Jonas, que
aparece na gravação original, a cargo do trio Sá,
Rodrix e Guarabira, e numa versão curiosa por parte do duo Os Mulheres
Negras. Outro destaque é a delicada Irene, de Caetano Veloso.
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