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Um caso
de amor animal
Cães de estimação aprendem
truques para melhorar a
qualidade de vida deles
Ariel
Kostman
| Oscar Cabral |
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Raça:
shih
tzu
Características:
calmo, como convém a uma raça tibetana, adora andar
no colo e ser mimado. Peludo, exige tosa e escovação
constantes. "Parece um bichinho de pelúcia", derrete-se a
atriz Nívea Stelmann, dona de "Penélope"
Preço:
de
600 a 1 000 reais
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Veja também |
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Desde
que nos domesticaram, a vida deles melhorou muito e a hipótese
de que foram os ancestrais dos cães que colocaram os humanos a
seu serviço, e não o contrário, vem sendo estudada
a sério. Nada se compara, porém, ao notável salto
de qualidade ocorrido nas últimas décadas. Os mais velhos
talvez se lembrem de como era a vida de cachorro num passado não
muito distante. Alimentados com os restos da comida dos donos, eles dormiam
no quintal em improvisadas casinhas de madeira, tomavam banho de mangueira,
e brinquedo era no máximo um osso todo roído. Chamavam-se
"Duque", "Totó" e "Faísca". As mudanças no status
canino acompanharam as transformações sociais entre os bípedes.
Com mais pessoas morando sozinhas e carentes de afeto, as famílias
tendo cada vez menos filhos, os pais se culpando por sair e deixar os
pequenos em casa e os padrões de consumo se sofisticando, a cachorrada
pegou carona na mordomia. Segundo a Associação Nacional
dos Fabricantes de Alimentos para Animais (Anfal), existem atualmente
no país cerca de 21 milhões de cães com endereço
fixo, a segunda maior população do planeta, atrás
apenas dos Estados Unidos. Destes, 34% são alimentados com ração
industrializada, um indício dos cuidados diferenciados de que são
objeto.
Outro sinal que salta à vista são as 15.000
lojas especializadas em cuidar deles e mimá-los, as pet shops
o inglês é praticamente o idioma oficial do mundo dos cães
de companhia. É um negócio em plena expansão que
no ano passado se traduziu, de acordo com as estatísticas do Conselho
Regional de Medicina Veterinária (CRMV), na abertura de 813 novas
lojas no Estado de São Paulo média de 2,2 por dia.
A veterinária Renata de Menezes Corigliano, que investiu 130.000
reais para abrir o Pet Life Centro de Bem-Estar Animal no bairro
do Morumbi, em São Paulo, resume o motivo da escolha: "Aqui, todo
mundo tem cachorro". Como diferencial, sua pet shop oferece uma creche
canina destinada a aplacar a dor de consciência de donos que trabalham
o dia todo e deixam seus bichinhos em casa, roendo o pé do sofá.
"É um novo conceito, que conheci em Nova York", explica. "O cão
passa o dia e tem uma rotina de brincadeiras e atividades."
| Oscar Cabral |
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Raça:
pug
Características:
chinês na origem, é companheiro e adora passear. Apesar
de forte, não é agressivo, e seu latido parece um
ronco. Sofre com o calor. "Ela adora ficar no ar condicionado",
diz a socialite Vera Loyola, dona de "Perepepê"
Preço:
de
1 000 a 2 000 reais
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A
lista de mordomias animais é uma obra em permanente e criativa
construção. Quem não tem tempo de passear com o cachorro
pode contratar um dog walker por 5 a 10 reais a hora. A atividade vem
sendo popularizada por Edwiges, a personagem de Carolina Dieckmann na
novela das 8, Mulheres Apaixonadas. Quem quer viajar e não
tem com quem deixar o cachorro pode levá-lo para um hotel (diárias
de 25 a 60 reais, dependendo do local e das amenidades), que, se ainda
mantém as indefectíveis gaiolas que dono não
fica de coração partido? , agora dispõe de
varandinha para o banho de sol e passeio diário em volta do quarteirão.
No quesito ração, a diversidade é impressionante:
oferecem-se alimentos para filhotes, adultos, idosos, do tipo light para
obesos, hipertensos ou com problemas de colesterol, além de rações
terapêuticas para cachorros cardiopatas, diabéticos ou com
alterações renais. As comidinhas mais simples (leia-se:
nacionais) são vendidas em supermercados. As mais sofisticadas,
geralmente importadas ou artesanais, são encontradas em grandes
lojas exclusivamente dedicadas a bichos e em pet shops de luxo. Um exemplo
da sofisticação: aberta em dezembro do ano passado em São
Paulo, a "padaria" The Dog Bakery oferece a cães de fino paladar
bolos, tortas, biscoitos e pães preparados com farinha integral,
sem sal nem açúcar. Entre as iguarias mais pedidas está
uma inusitada torta de maçã com ameixa. Ao lado, fica um
hospital 24 horas que dispõe de tratamentos convencionais e alternativos,
como homeopatia e florais. Se o dono preferir alimentar seu bichinho com
comida caseira, Roberta Sudbrack, a chef do Alvorada no mandato de Fernando
Henrique Cardoso, lança em julho o livro É Gostoso pra
Cachorro, só com receitas animais.
O comércio de produtos para bichos de estimação movimenta
14 bilhões de reais por ano, segundo a Associação
Brasileira do Mercado Animal (Abma). "E o mercado tem crescido 20% ao
ano", comemora o carioca Jorge Pereira, presidente da Abma e oftalmologista
veterinário. "É um segmento impulsionado por novidades",
diz Lilian Cotrim, dona do The Pet From Ipanema, com cinco lojas no Rio
de Janeiro, uma em Curitiba e uma em São Paulo, e um leque de 4.000
produtos à venda em cada ponto. "Você precisa sempre ter
coisas novas para agradar aos clientes", explica Lilian. Famosos como
a poodle de Luiza Brunet, o maltês e o pug de Guilhermina Guinle,
o shih tzu de Fábio Assunção e a yorkshire de Marcello
Antony fazem parte da clientela. Na Le Chien, em São Paulo, 150
banhos e vinte tosas por semana representam 40% da receita da loja, impulsionados
pelo serviço de transporte domiciliar à módica taxa
extra de 3 reais. "Em um ano, quadruplicamos o faturamento", festeja a
proprietária, Simone Keim. O resto do movimento vem da venda de
mimos como ossinhos de borracha da grife Gucci (188 reais a unidade) e
uma linha de perfumes e xampus franceses (150 reais o frasco).
Presentes para seu bichinho fazem parte da rotina da atriz Nívea
Stelmann, a apaixonada dona de "Penélope", uma shih tzu, uma das
raças mais em voga no momento, originária do Tibete e charmosíssima
em sua alva pelagem. Refrescada com banhos semanais em pet shop
"Ela sofre muito com o calor do Rio" , Penélope dorme em
uma cestinha ao lado da cama da atriz. "Ela parece um bichinho de pelúcia",
derrete-se Nívea. O ranking das raças da moda é de
enrolar a língua. Figuram nele o elegante whippet, um cão
corredor originário da Inglaterra, e o border collie, peludo parente
da célebre "Lassie", também com sangue inglês. A lista
continua com o jack russell terrier, simpático caçador de
raposas (primo do fox terrier, raça que anda se revalorizando
a ela pertence "Michele", a cadelinha do casal Lula da Silva), o bernese
mountain dog, uma fofura procedente da Suíça, e o exótico
e placidamente oriental pug, a raça de "Perepepê", a cachorrinha
da socialite Vera Loyola. Perepepê, 2 anos, dispensa casa própria:
anda no colo e dorme na cama de Anna Thereza, a filha de Vera. A depender
da dona, até seu futuro profissional está traçado.
"Quero que seja garota-propaganda", anuncia Vera.
De onde vem tanta paixão animal? Estudando os marcadores genéticos
dos membros da família canina (cachorros, coiotes, lobos e chacais),
o biólogo Robert Wayne concluiu que eles se separaram há
muito mais tempo do que se pressupõe entre 100.000
e 130.000 anos atrás. Nossos ancestrais
ainda estavam muito distantes das atividades para as quais os cachorros
se tornariam úteis, como o pastoreio. É isso que sustenta
a teoria segundo a qual era do interesse dos protocães aproximar-se
dos bípedes, não vice-versa, possivelmente para aproveitar
restos de comida tem coisas que nunca mudam, não é?
Nesses 100.000 anos de convívio, sobrou
tempo para o estabelecimento de vínculos profundos. Mesmo quem
sabe muito bem que os amiguinhos animais estão primordialmente
interessados em comida, casa e companhia para se divertir acaba cedendo
às demonstrações de afeto incondicional. "Os bichos
suprem a carência de contato físico e emocional presente
na sociedade", teoriza o zootecnista Alexandre Rossi, especialista em
comportamento animal. Rossi atende em média 35 animais por mês,
duas vezes mais que há dois anos. A um custo de 100 reais por sessão,
trata de problemas como agressividade excessiva e ansiedade de separação
(cachorros que, na ausência do dono, sujam e destroem a casa). "Nos
casos mais graves, recorremos a antidepressivos", informa o zootecnista.
Se os cães domesticaram os homens, estes os transformaram à
sua imagem e semelhança.
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Raça:
jack
russell
terrier
Características:
criado para caçar raposas, é ativo e corajoso. Se
não for bem adestrado, pode se tornar agressivo. Apareceu
no filme O Máskara, com Jim Carrey
Preço: de
800 a 1 200 reais
Raça:
border
collie
Características:
o mais inteligente dos cachorros, precisa de espaço e atividade.
Preso em apartamento, pode desenvolver comportamento compulsivo.
Apareceu em Babe, o Porquinho Atrapalhado
Preço: de
800 a 1 500 reais
Raça:
whippet
Características:
corredor dos mais velozes, capaz de atingir 65 quilômetros
por hora. Calmo, inteligente e carinhoso, adapta-se a casa e apartamento
Preço:
de
500 a 1 200 reais
Raça:
bernese
mountain
dog
Características:
originalmente um cão pastor criado na Suíça,
é forte e cheio de energia. Exige muita atenção
e não se dá bem em apartamento
Preço:
de
500 a 1 200 reais
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