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Edição 1 799 - 23 de abril de 2003
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Arquivo 1997-2003
Reportagens de capa
2000|01|02|03
Entrevistas
2000|01|02|03


 
"Agora os EUA devem provar que são capazes de estabelecer a ordem e a cidadania num país devastado pela guerra."
Rodrigo Paes Lima
Goiânia, GO

Guerra

Que o fim desta guerra no Iraque traga realmente paz e esperança para os iraquianos e que os novos governantes possam dar um pouco de alegria a esse povo, que viveu oprimido por um tirano que só se importava com o próprio prazer ("O que vem agora?", 16 de abril).
Diones Denis Vital
Jacarezinho, PR

Depois do Afeganistão, foi o Iraque. Agora, tudo indica, a bola da vez a ser engolida pela formidável máquina de guerra americana é a República Árabe Síria, submetida a um duro regime militar desde março de 1963. Com uma população estimada em 17 milhões de almas (incluindo 20.000 colonos judeus), espalhados por 185.000 quilômetros quadrados, o país tem extensa fronteira com o recém-capturado Iraque e, ao sul, com o aliado americano Israel, uma dádiva militar dos demônios bélicos a favorecer Bush. É uma rica presa, com minas de petróleo e minerais de fosfato, além de indústrias de telas e tecidos, alimentos, bebidas e tabaco.
Gregório Banar
Rio de Janeiro, RJ

A invasão do Iraque por tropas estrangeiras foi a segunda pior coisa que se poderia fazer contra um país assolado por décadas de tirania. A primeira seria não fazer nada.
Jorge Luiz Baldasso
Dourados, MS

Pena que a cabeça que rolou da estátua ao chão de Bagdá não tenha sido a de Saddam. E, com alguma sorte, a de Bush também.
Achel Tinoco
Salvador, BA

Cumprimento VEJA pela reportagem "O pior crime ecológico do século" (16 de abril). Fiquei indignado com as atrocidades que dizimaram uma cultura considerada o berço da humanidade, sem contar a agressão feita ao meio ambiente. A matéria mostrou mais uma vez o criminoso Saddam Hussein, que em nome do poder esqueceu os princípios fundamentais de respeito ao próximo e ao direito do exercício da cidadania através da cultura dos povos. Diariamente somos "bombardeados" com as notícias sobre esta guerra infame, mas VEJA, como sempre, superou as demais mídias com essa reportagem.
Deputado Orlando Morando
São Paulo, SP

 

Jörg Friedrich

É emocionante ler o relato do sofrimento e das marcas deixadas pela II Guerra à população civil alemã. Apenas quem tem ou teve algum contato com esses sobreviventes pode avaliar o que é a dor silenciosa dessas verdadeiras vítimas de um ditador insano, que pagaram e pagam o preço ao carregar a pecha de algozes, quando, na realidade, assim como os judeus, tiveram a vida maculada pelo horror da guerra (Amarelas, 16 de abril).
Valeria Augusta Spaccassassi
São Paulo, SP

Vi, logo depois da queda do III Reich, as cidades alemãs em ruínas, e sinto muito a morte dos inocentes, inclusive de inúmeros operários estrangeiros escravizados pelos nazistas. Sinto tanto mais porque eu também tive de sobreviver aos bombardeios maciços (Varsóvia, 1944), e meu pai também morreu carbonizado, só que não pude levar suas cinzas num balde ao cemitério. Não contávamos com a gratidão dos vencidos, já que quase toda a nação alemã era dominada pela monstruosa idéia do nazismo, que subjugou a seu serviço as melhores virtudes do povo alemão: laboriosidade, lealdade e obediência. Lamento ter de lembrar ao entrevistado que foi a Alemanha nazista que começou a guerra total, bombardeando no dia 1º de setembro de 1939, de madrugada, as cidades, os povoados, estradas e igrejas da Polônia.
Irena J. Los
Curitiba, PR

 

Carta ao leitor

Belíssima a Carta ao leitor ("O desafio da democracia", 16 de abril)! Difícil escrever com tanta delicadeza e, ao mesmo tempo, com objetividade sobre um assunto que vem desencadeando as mais violentas paixões no mundo todo: a Guerra do Iraque. Estamos vivendo um momento histórico. Vamos poder assistir on-line ao seguimento da guerra. O que vai ser de um país que sai das mãos de um ditador fanático e é ocupado pelos EUA? Tantas pessoas atacaram os EUA e Bush. Mas será justo? Não terá sido melhor para o Iraque e para o mundo? Já se dizia na Antiguidade: o maior objetivo da guerra é a paz.
Alice Mayer
Por e-mail

 

Cuba

Eis uma boa oportunidade para os neodemocratas. Digam a plenos pulmões que liberdade de expressão é um direito, e não um crime. A retórica do silêncio da diplomacia brasileira é uma vergonha para um país que pretende ser líder e exemplo de democracia ("Oposição na cadeia", 16 de abril).
Antonio Brito
Campinas, SP

 

Justiça

Chamo a atenção para o equívoco cometido na reportagem "O Supremo em transição" (16 de abril), sobre a sucessão dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Na foto central, junto com os atuais ministros, aparecia o senhor Geraldo Brindeiro, ao qual foi creditado o cargo de procurador-geral da União. Na verdade, ele ocupa o cargo de procurador-geral da República. O engano não é apenas terminológico, já que o cargo de procurador-geral da União também existe, compondo a estrutura administrativa da Advocacia-Geral da União. O procurador-geral da República é o chefe do Ministério Público da União (órgão que não guarda nenhuma relação com a Advocacia-Geral da União) e exerce suas atribuições institucionais perante o STF, razão pela qual aparece ao lado de seus onze ministros.
Oscar Cruz Medeiros Júnior
Procurador do Estado do Maranhão
São Luís, MA

 

Turismo

Parabéns pela reportagem "Os estrangeiros sumiram" (16 de abril) e pela ótima análise dos motivos da queda no número de turistas no Brasil. Realmente, essa queda é péssima e inesperada. Porém, há um dado que anima um pouquinho, apesar da perda. O país é o 34º colocado em número de visitantes, mas é o sexto em receita per capita, com praticamente 1.000 dólares por turista. Claro que este fica mais tempo no imenso e longínquo Brasil do que um alemão que passa quatro dias na França ou na Espanha, mas é muito boa nossa média, sabendo-se quanto valem 1 000 em poder de compra aqui dentro. Pelo quadro, o Brasil recebe 5% do número de turistas que visitam a França, primeira no ranking. Mas representa 12% da receita que a França "arranca" deles. E um dado inesperado: o Brasil ganha do Japão em receita com o turismo internacional.
Oswaldo de Almeida
São Paulo, SP

Sou brasileiro, publicitário e moro há treze anos em Portugal. No ano passado fui com três amigos estrangeiros ao Nordeste para conhecer Natal. A lista de decepções: antes de seguir para Natal tivemos de fazer escala no Recife – a conexão levou seis horas, depois de sete de vôo de Lisboa para o Recife. Em Natal, o conselho que nos davam era para tomar cuidado com ruas mal iluminadas, por causa dos assaltos, assim como evitar máquinas fotográficas sofisticadas. E evitar também o Recife, onde a criminalidade era exagerada. As praias estavam muito sujas, mas a decepção maior foi no famoso passeio de buggy pelas dunas e praias desertas, todas com lixo, garrafas e sacos plásticos por todo o caminho. Nos outros pontos de paragem, as instalações são precárias e completamente improvisadas, dando certo receio à segurança das pessoas.
Ricardo Antunes
Lisboa, Portugal

Estou morando na Inglaterra e já viajei muito pela Europa. Quando chego a uma agência de turismo, os funcionários nem sabem onde fica o Brasil. Não têm nenhuma informação sobre o turismo por aqui. Quanto aos outros países, as paredes são cheias de informativos e revistas. É um descaso. Tenho um internet café e as pessoas vêm me perguntar a data do Carnaval, a qual cidade devem ir, quanto custaria um pacote de viagem.
Simone Rolim
Curitiba, PR

Sou americana e moro em Belém desde 1977. Nestes últimos anos, a cidade tem melhorado muito nesse aspecto de atrair turistas. Mas, apesar de tudo, ainda é difícil o acesso para os americanos. Não existem mais vôos diretos de Miami para Belém. A viagem, que antes era de seis horas (Belém–Miami), agora leva mais de dezesseis, pois todos os vôos vão primeiro para São Paulo. Além disso, as passagens são caríssimas. Eu tenho uma solução simples para aumentar o número de turistas para esta região: vôos diretos e mais baratos.
Deborah Dinstel Pinheiro
Belém, PA

 

Saúde

Infelizmente, temos observado um número impressionante de pacientes submetidos a tratamentos cirúrgicos para obesidade sem nenhum critério de indicação, muitas vezes com danos irreparáveis à saúde. Dessa forma, a operação passou a ser vista por muitos obesos como uma solução mágica, capaz de resolver todos os seus problemas. Portanto, a cirurgia bariátrica só deve ser realizada após uma avaliação multidisciplinar cuidadosa, para que o paciente não venha a apresentar problemas desnecessários posteriormente ("Comer bem, nunca mais", 16 de abril).
Doutor Luiz Alberto A. Turatti
Coordenador do departamento de cirurgia bariátrica da Abeso
São Paulo, SP

Sou operada há dez meses e já emagreci 53 quilos. Estou no meu peso saudável e perdi 3 quilos a mais que o previsto pelo médico. Como relativamente bem e de tudo. Mas optei por ter uma vida mais saudável, além de ficar mais magra. Quem chega ao ponto de se submeter à cirurgia de redução, passar por horas de operação e correr risco de vida deve lembrar-se de que ganhou uma chance de começar de novo, e que desta vez deve fazer direito.
Juliana Itajahy Malcotti Magalhães
Brasília, DF

Parabéns pela imparcialidade demonstrada na reportagem "Comer bem, nunca mais". Pela primeira vez vejo uma matéria que fala dos dois lados da cirurgia, sem dar ênfase só aos benefícios ou só aos riscos.
Luciana Pires Dobuchak Costa
Blumenau, SC

 

A Igreja e o sexo

Pelo que sei, e a história sempre testemunhou, a Igreja foi sempre a favor da vida, jamais contra. Agora, porque o mundo sancionou o pecado como coisa normal, a Igreja tem de aceitar? Seria a mesma coisa que Moisés aprovar o bezerro de ouro só porque os hebreus o fizeram, e que se danasse a fidelidade de Moisés a Deus. Se os animais, via instinto e cio, se auto-regulam, por que não o homem, que, além disso, tem inteligência e vontade ("A bomba do Vaticano" e Carta ao leitor, 9 de abril)?
Padre Paulo Iubel
Curitiba, PR

O léxico escrito pela Santa Sé destina-se a dar conceitos claros de acordo com a doutrina católica aos fiéis católicos. Quem não o é não tem por que se sentir atingido. Não me parece uma atitude democrática nem "moderna" negar a uma instituição o direito de dirigir-se a seus membros e expressar-lhes sua postura em relação a temas tão importantes.
Fátima Praxedes Rabelo Leite
Brasília, DF

 

São Paulo

Sobre a reportagem "A luta para melhorar a imagem" (16 de abril), a revista afirma que o "IPTU aumentou 7%", quando houve, na verdade, reajuste da Planta Genérica de Valores, que serve de base para calcular o imposto. O reajuste é inferior a todos os índices de inflação. Sobre a taxa de iluminação pública, a contribuição foi aprovada em Brasília no ano passado e hoje é cobrada pela maioria dos municípios brasileiros.
José Américo Dias
Secretário municipal de Comunicação
São Paulo, SP

 

Governo

Vivo no Chile há sete anos e tive uma tremenda sensação de alívio ao perceber a doutrina pragmática do PT ao assumir o governo brasileiro. O que mais me impressionou foi a votação obtida no Congresso pela emenda do sistema financeiro. Não sabia que isso era possível. A ironia, espero que todos a vejam. O antigo governo sabe fazer oposição. O atual nunca soube. A oposição do PT era 100% corporativista. A verdade é que as poucas reformas básicas conduzidas pela administração FHC ficaram para trás justamente por isso. Foram oito anos que valeram por quatro. Graças ao PT ("Bom desempenho na lua-de-mel", 9 de abril).
Fernando Muniz Simas
Santiago, Chile

 

Diogo Mainardi

Concordo com Mainardi ("Enfim, como diria Gil...", 16 de abril). Se a economia dá sinal de melhoras, é porque o mercado deu importância às bravatas irresponsáveis de Lula e agora vê que como governo ele tem tido uma atuação correta. Estranho que Lula ache suas bravatas irresponsáveis uma arma legítima de oposição.
Paulo Ricardo Back
Criciúma, SC

Se eu fosse o Lula perderia momentaneamente os ideais democráticos e faria com Mainardi o que Fidel fez com o poeta e jornalista Raúl Rivero – mandaria o colunista para uma prisão por vinte anos, apenas com uma diferença: ele teria de continuar escrevendo para a revista VEJA.
Gustavo Antonio Gonçalves da Silva
Fortaleza, CE

 

Arc

Foi de inatacável bom senso o quadro "Arc e os crimes de guerra" (16 de abril). A perplexidade com que o marciano enxerga a guerra é, sem dúvida, uma perfeita ilustração do sentimento de boa parte da humanidade neste momento.
João Emmanuel Cordeiro Lima
Natal, RN

 

CORREÇÕES: A foto de Rubem Fonseca publicada na página 118 é de Bernadete Lou ("Contra tudo e todos", 16 de abril). O país que aparece na 33ª posição do quadro "O ranking do turismo", publicado na reportagem "Os estrangeiros sumiram" (16 de abril), é a República Checa, e não a Checoslováquia.

 

RENÂNIA E ROMÊNIA

A reportagem "Onde há democracia não há guerra" (16 de abril) informou que o nazista Adolf Hitler ocupou a Romênia em 1936. Alguns leitores apontaram erro na informação. O paulistano Alexandre Nani Ostrowiecki explica: "Em 1936, Hitler remilitarizou a Renânia, às margens do Rio Reno. Esse território sempre esteve sob controle alemão, mas, com a derrota na I Guerra Mundial, os países vitoriosos exigiram sua desmilitarização, pois a região era ponto de partida para invasões a oeste", escreveu. A ocupação da Romênia pelas tropas nazistas de Hitler deu-se em 1940.

 

AS CRIANÇAS E A GUERRA


Anne Bayin
Nick Ut - AP
Kim Phuc em dois momentos: em 1995, com o filho (à esq.), e na Guerra do Vietnã

Na reportagem "O regime decapitado" (16 de abril) VEJA mostrou a foto da menina vietnamita Phan Thi Kim Phuc, 9 anos, tirada em 1972 pelo fotógrafo Nick Ut. Ela corre por uma estrada, nua e com queimaduras pelo corpo, numa cena que se tornou símbolo dos horrores daquele conflito. Os leitores demonstraram curiosidade em saber que destino teve a menina. Em 1982, ela foi reencontrada na cidade de Ho Chi Minh, antiga Saigon. Em 1984, a revista alemã Stern pagou-lhe um tratamento para que recuperasse os movimentos prejudicados pelas queimaduras. Em 1996, casada e vivendo em Toronto, no Canadá, ela participou de uma cerimônia de reconciliação realizada em Washington. "Não podemos mudar a história, mas devemos fazer coisas boas para promover a paz", disse ela então. Na foto de 1995, da canadense Anne Bayin, para o livro A Família – Numa Celebração da Humanidade, Kim Phuc aparece com seu filho Thomas, hoje com 8 anos (seu caçula, Stephen, tem 5), em outra cena cheia de simbolismo. "Tantas cicatrizes, meus braços, minhas costas... Pensei que nunca me casaria, que ninguém iria me querer. Mas estava muito enganada. Essa foto minha e de Thomas, meu anjo, é uma foto de amor", afirma ela no livro.

 

RATOS DO DESERTO


A respeito da foto de um militar que ilustrou a reportagem "À espera do sorriso" (9 de abril), o leitor Roberto Bomback Júnior, de Piracicaba, São Paulo, escreveu: "Soldados ingleses não têm o canguru estampado em sua farda. O canguru é animal-símbolo da Austrália. O soldado que aparece na foto não é inglês, e sim australiano". O símbolo a que se refere o leitor realmente lembra um canguru, mas é na verdade um rato, o símbolo da Sétima Brigada de Blindados do Exército britânico, mais conhecida como Ratos do Deserto. É possível ler a história desse grupamento militar na internet, no site do Exército britânico: http://www.army.mod.uk/. As insígnias dos Ratos do Deserto podem ser conferidas no endereço http://www.army.mod.uk/7bde/organisation.html.



 
 
   
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