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Que o fim
desta guerra no Iraque traga realmente paz e esperança para os
iraquianos e que os novos governantes possam dar um pouco de alegria a
esse povo, que viveu oprimido por um tirano que só se importava
com o próprio prazer ("O que vem agora?", 16 de abril). Depois do
Afeganistão, foi o Iraque. Agora, tudo indica, a bola da vez a
ser engolida pela formidável máquina de guerra americana
é a República Árabe Síria, submetida a um
duro regime militar desde março de 1963. Com uma população
estimada em 17 milhões de almas (incluindo 20.000
colonos judeus), espalhados por 185.000 quilômetros
quadrados, o país tem extensa fronteira com o recém-capturado
Iraque e, ao sul, com o aliado americano Israel, uma dádiva militar
dos demônios bélicos a favorecer Bush. É uma rica
presa, com minas de petróleo e minerais de fosfato, além
de indústrias de telas e tecidos, alimentos, bebidas e tabaco. A invasão
do Iraque por tropas estrangeiras foi a segunda pior coisa que se poderia
fazer contra um país assolado por décadas de tirania. A
primeira seria não fazer nada. Pena que
a cabeça que rolou da estátua ao chão de Bagdá
não tenha sido a de Saddam. E, com alguma sorte, a de Bush também. Cumprimento
VEJA pela reportagem "O
pior crime ecológico do século" (16 de abril). Fiquei
indignado com as atrocidades que dizimaram uma cultura considerada o berço
da humanidade, sem contar a agressão feita ao meio ambiente. A
matéria mostrou mais uma vez o criminoso Saddam Hussein, que em
nome do poder esqueceu os princípios fundamentais de respeito ao
próximo e ao direito do exercício da cidadania através
da cultura dos povos. Diariamente somos "bombardeados" com as notícias
sobre esta guerra infame, mas VEJA, como sempre, superou as demais mídias
com essa reportagem.
É
emocionante ler o relato do sofrimento e das marcas deixadas pela II Guerra
à população civil alemã. Apenas quem tem ou
teve algum contato com esses sobreviventes pode avaliar o que é
a dor silenciosa dessas verdadeiras vítimas de um ditador insano,
que pagaram e pagam o preço ao carregar a pecha de algozes, quando,
na realidade, assim como os judeus, tiveram a vida maculada pelo horror
da guerra (Amarelas, 16 de abril). Vi, logo
depois da queda do III Reich, as cidades alemãs em ruínas,
e sinto muito a morte dos inocentes, inclusive de inúmeros operários
estrangeiros escravizados pelos nazistas. Sinto tanto mais porque eu também
tive de sobreviver aos bombardeios maciços (Varsóvia, 1944),
e meu pai também morreu carbonizado, só que não pude
levar suas cinzas num balde ao cemitério. Não contávamos
com a gratidão dos vencidos, já que quase toda a nação
alemã era dominada pela monstruosa idéia do nazismo, que
subjugou a seu serviço as melhores virtudes do povo alemão:
laboriosidade, lealdade e obediência. Lamento ter de lembrar ao
entrevistado que foi a Alemanha nazista que começou a guerra total,
bombardeando no dia 1º de setembro de 1939, de madrugada, as cidades,
os povoados, estradas e igrejas da Polônia.
Belíssima
a Carta ao leitor ("O desafio da democracia", 16 de abril)! Difícil
escrever com tanta delicadeza e, ao mesmo tempo, com objetividade sobre
um assunto que vem desencadeando as mais violentas paixões no mundo
todo: a Guerra do Iraque. Estamos vivendo um momento histórico.
Vamos poder assistir on-line ao seguimento da guerra. O que vai ser de
um país que sai das mãos de um ditador fanático e
é ocupado pelos EUA? Tantas pessoas atacaram os EUA e Bush. Mas
será justo? Não terá sido melhor para o Iraque e
para o mundo? Já se dizia na Antiguidade: o maior objetivo da guerra
é a paz.
Eis uma
boa oportunidade para os neodemocratas. Digam a plenos pulmões
que liberdade de expressão é um direito, e não um
crime. A retórica do silêncio da diplomacia brasileira é
uma vergonha para um país que pretende ser líder e exemplo
de democracia ("Oposição na cadeia", 16 de abril).
Chamo a
atenção para o equívoco cometido na reportagem "O
Supremo em transição" (16 de abril), sobre a sucessão
dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Na foto central, junto com
os atuais ministros, aparecia o senhor Geraldo Brindeiro, ao qual foi
creditado o cargo de procurador-geral da União. Na verdade, ele
ocupa o cargo de procurador-geral da República. O engano não
é apenas terminológico, já que o cargo de procurador-geral
da União também existe, compondo a estrutura administrativa
da Advocacia-Geral da União. O procurador-geral da República
é o chefe do Ministério Público da União (órgão
que não guarda nenhuma relação com a Advocacia-Geral
da União) e exerce suas atribuições institucionais
perante o STF, razão pela qual aparece ao lado de seus onze ministros.
Parabéns
pela reportagem "Os estrangeiros sumiram" (16 de abril) e pela ótima
análise dos motivos da queda no número de turistas no Brasil.
Realmente, essa queda é péssima e inesperada. Porém,
há um dado que anima um pouquinho, apesar da perda. O país
é o 34º colocado em número de visitantes, mas é
o sexto em receita per capita, com praticamente 1.000
dólares por turista. Claro que este fica mais tempo no imenso e
longínquo Brasil do que um alemão que passa quatro dias
na França ou na Espanha, mas é muito boa nossa média,
sabendo-se quanto valem 1 000 em poder de compra aqui dentro. Pelo quadro,
o Brasil recebe 5% do número de turistas que visitam a França,
primeira no ranking. Mas representa 12% da receita que a França
"arranca" deles. E um dado inesperado: o Brasil ganha do Japão
em receita com o turismo internacional. Sou brasileiro,
publicitário e moro há treze anos em Portugal. No ano passado
fui com três amigos estrangeiros ao Nordeste para conhecer Natal.
A lista de decepções: antes de seguir para Natal tivemos
de fazer escala no Recife a conexão levou seis horas, depois
de sete de vôo de Lisboa para o Recife. Em Natal, o conselho que
nos davam era para tomar cuidado com ruas mal iluminadas, por causa dos
assaltos, assim como evitar máquinas fotográficas sofisticadas.
E evitar também o Recife, onde a criminalidade era exagerada. As
praias estavam muito sujas, mas a decepção maior foi no
famoso passeio de buggy pelas dunas e praias desertas, todas com lixo,
garrafas e sacos plásticos por todo o caminho. Nos outros pontos
de paragem, as instalações são precárias e
completamente improvisadas, dando certo receio à segurança
das pessoas. Estou morando
na Inglaterra e já viajei muito pela Europa. Quando chego a uma
agência de turismo, os funcionários nem sabem onde fica o
Brasil. Não têm nenhuma informação sobre o
turismo por aqui. Quanto aos outros países, as paredes são
cheias de informativos e revistas. É um descaso. Tenho um internet
café e as pessoas vêm me perguntar a data do Carnaval, a
qual cidade devem ir, quanto custaria um pacote de viagem. Sou americana
e moro em Belém desde 1977. Nestes últimos anos, a cidade
tem melhorado muito nesse aspecto de atrair turistas. Mas, apesar de tudo,
ainda é difícil o acesso para os americanos. Não
existem mais vôos diretos de Miami para Belém. A viagem,
que antes era de seis horas (BelémMiami), agora leva mais
de dezesseis, pois todos os vôos vão primeiro para São
Paulo. Além disso, as passagens são caríssimas. Eu
tenho uma solução simples para aumentar o número
de turistas para esta região: vôos diretos e mais baratos.
Infelizmente,
temos observado um número impressionante de pacientes submetidos
a tratamentos cirúrgicos para obesidade sem nenhum critério
de indicação, muitas vezes com danos irreparáveis
à saúde. Dessa forma, a operação passou a
ser vista por muitos obesos como uma solução mágica,
capaz de resolver todos os seus problemas. Portanto, a cirurgia bariátrica
só deve ser realizada após uma avaliação multidisciplinar
cuidadosa, para que o paciente não venha a apresentar problemas
desnecessários posteriormente ("Comer bem, nunca mais", 16 de abril). Sou operada
há dez meses e já emagreci 53 quilos. Estou no meu peso
saudável e perdi 3 quilos a mais que o previsto pelo médico.
Como relativamente bem e de tudo. Mas optei por ter uma vida mais saudável,
além de ficar mais magra. Quem chega ao ponto de se submeter à
cirurgia de redução, passar por horas de operação
e correr risco de vida deve lembrar-se de que ganhou uma chance de começar
de novo, e que desta vez deve fazer direito. Parabéns
pela imparcialidade demonstrada na reportagem "Comer bem, nunca mais".
Pela primeira vez vejo uma matéria que fala dos dois lados da cirurgia,
sem dar ênfase só aos benefícios ou só aos
riscos.
A Igreja e o sexo Pelo que
sei, e a história sempre testemunhou, a Igreja foi sempre a favor
da vida, jamais contra. Agora, porque o mundo sancionou o pecado como
coisa normal, a Igreja tem de aceitar? Seria a mesma coisa que Moisés
aprovar o bezerro de ouro só porque os hebreus o fizeram, e que
se danasse a fidelidade de Moisés a Deus. Se os animais, via instinto
e cio, se auto-regulam, por que não o homem, que, além disso,
tem inteligência e vontade ("A
bomba do Vaticano" e Carta
ao leitor, 9 de abril)? O léxico
escrito pela Santa Sé destina-se a dar conceitos claros de acordo
com a doutrina católica aos fiéis católicos. Quem
não o é não tem por que se sentir atingido. Não
me parece uma atitude democrática nem "moderna" negar a uma instituição
o direito de dirigir-se a seus membros e expressar-lhes sua postura em
relação a temas tão importantes.
Sobre a reportagem "A luta para melhorar a imagem" (16 de abril), a revista
afirma que o "IPTU aumentou 7%", quando houve, na verdade, reajuste da
Planta Genérica de Valores, que serve de base para calcular o imposto.
O reajuste é inferior a todos os índices de inflação.
Sobre a taxa de iluminação pública, a contribuição
foi aprovada em Brasília no ano passado e hoje é cobrada
pela maioria dos municípios brasileiros.
Vivo no Chile há sete anos e tive uma tremenda sensação
de alívio ao perceber a doutrina pragmática do PT ao assumir
o governo brasileiro. O que mais me impressionou foi a votação
obtida no Congresso pela emenda do sistema financeiro. Não sabia
que isso era possível. A ironia, espero que todos a vejam. O antigo
governo sabe fazer oposição. O atual nunca soube. A oposição
do PT era 100% corporativista. A verdade é que as poucas reformas
básicas conduzidas pela administração FHC ficaram
para trás justamente por isso. Foram oito anos que valeram por
quatro. Graças ao PT ("Bom desempenho na lua-de-mel", 9 de abril).
Concordo com Mainardi ("Enfim, como diria Gil...", 16 de abril). Se a
economia dá sinal de melhoras, é porque o mercado deu importância
às bravatas irresponsáveis de Lula e agora vê que
como governo ele tem tido uma atuação correta. Estranho
que Lula ache suas bravatas irresponsáveis uma arma legítima
de oposição. Se
eu fosse o Lula perderia momentaneamente os ideais democráticos
e faria com Mainardi o que Fidel fez com o poeta e jornalista Raúl
Rivero mandaria o colunista para uma prisão por vinte anos,
apenas com uma diferença: ele teria de continuar escrevendo para
a revista VEJA.
Foi de inatacável bom senso o quadro "Arc e os crimes de guerra"
(16 de abril). A perplexidade com que o marciano enxerga a guerra é,
sem dúvida, uma perfeita ilustração do sentimento
de boa parte da humanidade neste momento.
CORREÇÕES: A foto de Rubem Fonseca publicada na página 118 é de Bernadete Lou ("Contra tudo e todos", 16 de abril). O país que aparece na 33ª posição do quadro "O ranking do turismo", publicado na reportagem "Os estrangeiros sumiram" (16 de abril), é a República Checa, e não a Checoslováquia.
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