Edição 1897 . 23 de março de 2005

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Cinema
Será que ele é?

Um garoto jura a Nicole Kidman
ser seu marido reencarnado


Isabela Boscov


Divulgação
Nicole e Bright: amor eterno

Reencarnação (Birth, Estados Unidos, 2004), que estréia nesta sexta-feira no país, foi alvo de um pequeno escândalo (e de muita má vontade) nos Estados Unidos por causa de uma cena em que Nicole Kidman divide a banheira com um menino de 10 anos. Essa, porém, é uma maneira míope de encarar o filme: nem a cena em questão é lúbrica nem é de suas possíveis implicações que ele trata. Nicole – com um corte de cabelo que não por acaso sugere o de Mia Farrow em O Bebê de Rosemary – interpreta Anna, uma mulher que, depois de uma década de viuvez, continua apaixonada pelo marido morto. Como todos lhe dizem que é preciso seguir em frente, ela fica noiva de Joseph (Danny Huston), um sujeito compreensivo, que não a culpa pela confusão de seus sentimentos. Pelo menos não até a chegada de Sean (Cameron Bright), um garoto que diz a Anna ser seu marido reencarnado. O que de início parece ser uma piada de mau gosto adquire gravidade quando Anna, desconcertada pela segurança com que Sean se apresenta, se enreda na promessa de um reencontro que ela nunca deixou de desejar. Amparado no estilo quase antropológico do diretor Jonathan Glazer e nos desempenhos de Nicole e do jovem Bright, Reencarnação é um bom mistério e também um estudo intrigante do luto – mas certamente não é um escândalo.

 
 
 
 
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