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Tecnologia
O vírus do celular
Hackers descobrem novas maneiras de
invadir os telefones e roubar informações
Os vírus que infernizam os computadores
estão agora mostrando suas garras na telefonia móvel.
Há duas semanas, a F-Secure, empresa de informática
da Finlândia, identificou o primeiro vírus de celular
que se transmite em mensagens contendo fotos, músicas ou
vídeo. Batizado de commwarrior, tem um efeito duplamente
perverso: descarrega a bateria do aparelho infectado e se auto-envia
para todos os números de celulares que encontrar na agenda.
Até então, os vírus em celulares não
se transmitiam por mensagens e só se replicavam por meio
da sofisticada conexão sem fio do tipo bluetooth assim
mesmo, era preciso que o aparelho infectado estivesse a no máximo
10 metros da próxima vítima. Agora, o perigo ampliou-se.
São vulneráveis ao commwarrior apenas os aparelhos
do tipo "smartphone", capazes de instalar e executar arquivos da
mesma forma que os computadores. Mas a praga está próxima
de avançar em novos territórios. "Falta muito pouco
para que os vírus cheguem a outros tipos de aparelho", disse
a VEJA o americano Oliver Friedrichs, diretor de segurança
da Symantec, fabricante de antivírus.
Os vírus de celulares começaram
a pipocar há um ano como meros balões de ensaio
seus criadores pretendiam apenas provar que existiam falhas de segurança
na tecnologia da telefonia móvel. Agora, já podem
destruir agendas ou trocar ícones por caveiras, e estão
infectando aparelhos em países como Estados Unidos, Japão,
China e Coréia. Até um brasileiro colaborou para a
evolução da praga eletrônica. Há dois
meses, o programador Marcos Velasco, de Volta Redonda, no estado
do Rio, criou um vírus que batizou com seu sobrenome, capaz
de se replicar via bluetooth, e colocou o código na internet
para quem quiser usar. Ele diz que só queria demonstrar sua
capacidade de criar um programa malicioso.
Os vírus não representam a única
ameaça a quem usa telefonia móvel. Tornou-se relativamente
fácil bisbilhotar os celulares alheios que usam o sistema
bluetooth. Um mês atrás, um hacker conseguiu invadir
o celular da socialite nova-iorquina Paris Hilton, copiou a lista
de telefones de gente famosa que estava em sua agenda como
o rapper Eminem e a cantora Christina Aguilera e a publicou
na internet. A irrequieta Paris, herdeira da cadeia de hotéis
que leva seu sobrenome, teve de dar entrevistas se desculpando aos
amigos pelo ocorrido. "Não sei por que essas coisas sempre
acontecem comigo", suspirou. "Essas coisas" são uma referência
às fitas de vídeo caseiras, divulgadas há um
ano e meio na internet, que a mostravam em desinibidas cenas de
sexo com o namorado.
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