Edição 1897 . 23 de março de 2005

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Tecnologia
O vírus do celular

Hackers descobrem novas maneiras de
invadir os telefones e roubar informações

Os vírus que infernizam os computadores estão agora mostrando suas garras na telefonia móvel. Há duas semanas, a F-Secure, empresa de informática da Finlândia, identificou o primeiro vírus de celular que se transmite em mensagens contendo fotos, músicas ou vídeo. Batizado de commwarrior, tem um efeito duplamente perverso: descarrega a bateria do aparelho infectado e se auto-envia para todos os números de celulares que encontrar na agenda. Até então, os vírus em celulares não se transmitiam por mensagens e só se replicavam por meio da sofisticada conexão sem fio do tipo bluetooth – assim mesmo, era preciso que o aparelho infectado estivesse a no máximo 10 metros da próxima vítima. Agora, o perigo ampliou-se. São vulneráveis ao commwarrior apenas os aparelhos do tipo "smartphone", capazes de instalar e executar arquivos da mesma forma que os computadores. Mas a praga está próxima de avançar em novos territórios. "Falta muito pouco para que os vírus cheguem a outros tipos de aparelho", disse a VEJA o americano Oliver Friedrichs, diretor de segurança da Symantec, fabricante de antivírus.

Os vírus de celulares começaram a pipocar há um ano como meros balões de ensaio – seus criadores pretendiam apenas provar que existiam falhas de segurança na tecnologia da telefonia móvel. Agora, já podem destruir agendas ou trocar ícones por caveiras, e estão infectando aparelhos em países como Estados Unidos, Japão, China e Coréia. Até um brasileiro colaborou para a evolução da praga eletrônica. Há dois meses, o programador Marcos Velasco, de Volta Redonda, no estado do Rio, criou um vírus que batizou com seu sobrenome, capaz de se replicar via bluetooth, e colocou o código na internet para quem quiser usar. Ele diz que só queria demonstrar sua capacidade de criar um programa malicioso.

Os vírus não representam a única ameaça a quem usa telefonia móvel. Tornou-se relativamente fácil bisbilhotar os celulares alheios que usam o sistema bluetooth. Um mês atrás, um hacker conseguiu invadir o celular da socialite nova-iorquina Paris Hilton, copiou a lista de telefones de gente famosa que estava em sua agenda – como o rapper Eminem e a cantora Christina Aguilera – e a publicou na internet. A irrequieta Paris, herdeira da cadeia de hotéis que leva seu sobrenome, teve de dar entrevistas se desculpando aos amigos pelo ocorrido. "Não sei por que essas coisas sempre acontecem comigo", suspirou. "Essas coisas" são uma referência às fitas de vídeo caseiras, divulgadas há um ano e meio na internet, que a mostravam em desinibidas cenas de sexo com o namorado.

 


Fotos Photodisc e divulgação
 
 
 
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