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Internacional O
Lama mudou de idéia Pela primeira vez, o líder
budista diz que o Tibete é da China e desiste do separatismo
Bikas
Das/AP
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Lama: 45 anos de exílio e uma causa que fascina Hollywood |
O
Dalai Lama rendeu-se, na semana passada, a um fato consumado, ainda que intragável.
Pela primeira vez, ele reconheceu que o Tibete faz parte da China, e assim permanecerá.
"Esta é a mensagem que eu quero passar aos chineses: não sou a favor
da separação", disse o mais alto líder do budismo tibetano
em entrevista a um jornal de Hong Kong. A declaração vai contra
o que o religioso de 69 anos venerado como a reencarnação
do Buda desde criança pregou nas últimas quatro décadas
de exílio: a independência completa do Tibete ou, pelo menos, a autonomia
política do país, invadido e anexado pelos chineses na década
de 50. A mudança de atitude, segundo o Lama, deve-se ao desejo de permitir
que seu povo se beneficie mais com o crescimento econômico da China. Isso
já vem ocorrendo. Nos últimos três anos, a proporção
de tibetanos vivendo na pobreza caiu de 68% para 48%. O índice ainda é
alto, mas está no mesmo nível do de outras regiões periféricas
chinesas. Em troca do reconhecimento da subordinação à China,
o Dalai Lama pediu apenas respeito à religião, à língua
e ao meio ambiente do Tibete. Atualmente, os tibetanos podem praticar o budismo,
mas as organizações religiosas são controladas pelo Estado.
O número de mosteiros e monges é limitado.
Situado no Himalaia, o Tibete foi durante séculos um Estado teocrático
fechado ao mundo exterior e subordinado por tratados à China. Sua única
experiência de total independência durou apenas quatro décadas
e terminou em 1951, quando foi invadido e ocupado pelos comunistas chineses. Uma
rebelião separatista em 1959 foi esmagada com violência pelo Exército
chinês. O saldo foram 87.000 mortos e 100.000 fugitivos, entre eles seu
líder espiritual, que formaram na Índia um "governo no exílio".
As chances de conquistar a independência sempre foram mínimas. Nenhuma
grande potência teria interesse em fazer frente à China apenas para
defender a causa de uma região longínqua e pobre. No início
dos anos 80, o Dalai Lama deixou passar a oportunidade de fazer um acordo com
o governo chinês que lhe permitiria voltar ao país. Ele não
queria abrir mão de duas exigências: a de manter um governo independente
de Pequim e a de anexar à província áreas periféricas
habitadas por tibetanos, mas que sempre estiveram sob soberania chinesa. Em vez
de ceder nesses pontos, o Dalai Lama intensificou sua campanha internacional pela
independência do Tibete. Com seu carisma, seu discurso pacifista e seu incansável
trabalho de relações públicas, ele conquistou um Prêmio
Nobel da Paz e a simpatia de celebridades de Hollywood. Na prática, no
entanto, afastou a possibilidade de uma negociação com a China.
As declarações da semana passada, se mantidas no futuro, representam
uma guinada pragmática do Dalai Lama. Pode ser tarde demais. Em um comunicado
oficial, o governo chinês não demonstrou entusiasmo com as novas
convicções do Lama. |