Edição 1897 . 23 de março de 2005

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Moda
Como as estrelas

Gostou do vestido que viu
no Oscar? Uma versão mais
barata já está a caminho das lojas


Bel Moherdaui

EXCLUSIVO ON-LINE
Galeria de fotos

Na noite do Oscar, uma multidão de mulheres, pipoca e refrigerante na mão, suspira em frente à TV a cada aparição dos magníficos vestidos usados pelas estrelas no tapete vermelho. Pois nos meses seguintes, munidas de recortes de revistas e fotos da internet, muitas avançam em direção às lojas com um único objetivo: ficar linda como a Charlize Theron, exibir as costas da Hilary Swank, o corpo delgado da Renée Zellweger ou a elegância da Cate Blanchett e ser estrela por uma noite de um casamento, formatura, festa de debutante ou jantar de gala. Essa aura de sonho fez crescer, principalmente nos Estados Unidos, mas também na Europa e até aqui no Brasil, um setor específico de confecção: o de cópias de roupas de famosos. É o caso da A.B.S, iniciais do estilista americano Allen B. Schwartz. Há quase quinze anos ele transforma as caríssimas criações de alta-costura vestidas pelas atrizes na noite do Oscar em versões de 300 a 400 dólares, que podem ser compradas on-line, em lojas nos Estados Unidos, na Europa, até em Dubai. Desta última cerimônia, Schwartz escolheu para suas araras quase dez trajes, incluindo os de Natalie Portman, Halle Berry, Cate Blanchett e Gwyneth Paltrow. "O da Gisele não, embora ela seja uma das minhas modelos favoritas, porque parecia estar grávida com aquela roupa", explicou Schwartz a VEJA. "Nossa inspiração não depende da celebridade – depende do vestido."

Para casar fidelidade com rapidez e orçamento restrito, a A.B.S mantém trinta estilistas de plantão em noite de tapete vermelho, prontos para analisar e copiar cada detalhe das roupas. No caso do Oscar, ponto alto da produção, em 24 horas estão desenhados os modelos que serão industrialmente replicados e chegarão às lojas até o fim de abril. "Estudamos com a modelista as fotos que saem nas revistas. Às vezes temos de usar até lupa para ver os detalhes. E também usamos muito do nosso instinto profissional", conta Sergio Augusto, estilista da Black Tie, tradicional loja de aluguel de trajes de festa de São Paulo. Lá, já podem ser admiradas as versões nacionais para o longo amarelo da atriz Cate Blanchett, o vermelho rabo-de-sereia de Renée Zellweger e o azul-marinho de vertiginoso decote nas costas (aqui, menos vertiginoso) usado por Hilary Swank. "Tenho uma pasta com fotos de vestidos que saíram em revistas nacionais e internacionais. O do casamento da Eliana, por exemplo, muitas mulheres quiseram, e não só em branco, que é de noiva, mas em outras cores também", conta Mauro Lucio Silva, dono da rede de roupas para aluguel Só a Rigor, que tem lojas no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia.

Tudo é adaptado ao corpo da compradora, em si um senhor desafio: quem trabalha com cópias precisa moldar o sonho da cliente a um porte físico geralmente distante das silhuetas hollywoodianas. Além do nome do estilista, o que mais muda em relação ao original são a qualidade do material usado e o cuidado na elaboração. Sai o tafetá de seda pura, entram o tafetá misto e o crepe mais simples. No lugar do broche de ouro, uma bijuteria com cristais. Horas de bordado manual viram enfeites colados à máquina. Saias muito longas e extravagantes encolhem – ganha um prêmio quem conseguir dançar valsa com uma cauda como a do Carolina Herrera da atriz Renée Zellweger. "O Oscar funciona para detectarmos uma tendência, até porque boa parte daqueles vestidos só funciona para o tapete vermelho. Tiramos a idéia do volume, do decote, e então elaboramos nossas peças, menos rebuscadas, mais enxutas, mais curtas", explica David Bershad, diretor comercial da americana WWW Collection, que, para facilitar o uso, costuma transformar vestidos de gala em conjuntos de duas peças. Do Dior verde-água da sul-africana Charlize Theron, por exemplo, foi tirada a inspiração para uma saia longa (300 dólares) que deve chegar em dois meses a algumas das 2.000 lojas americanas que vendem roupas da grife. As brasileiras, que não têm todas essas lojas à disposição, terão outra oportunidade de se vestir como as estrelas do cinema: em abril, a revista Manequim lançará uma edição com dez fotos e cinco moldes direto do Kodak Theatre, incluindo o lindíssimo branco império da Dior usado por Gisele. Embora a melhor, o Oscar não é a única fonte de "inspiração" de reproduções. A loja virtual londrina ASOS (de "as seen on screen" ou "como se vê na tela") vende de sainhas a brincos, tudo descaradamente legendado como "no estilo usado por" – e aí vêm nomes como Madonna, Kate Moss, Victoria Beckham, Paris Hilton. Quanto mais célebre, melhor.

 

Ao alcance de qualquer plebéia

Jim Watson/Reuters
O anel de Camilla: jóia de família no supermercado


Além das muitas réplicas que certamente vão circular mundo afora, o anel de noivado dado pelo príncipe Charles a Camilla Parker Bowles ganhou uma versão popular praticamente oficial. No dia 8 de abril, o mesmo do casamento, chegam à rede de supermercados Asda, na Inglaterra, dois modelos "inspirados" na jóia de platina e diamantes que pertenceu à avó de Charles, Elizabeth, e agora enfeita a futura duquesa da Cornualha. Uma das réplicas, de prata e zircônia, custará 19 libras (100 reais). A outra, mais sofisticada, com 4,8 quilates de diamantes – quase metade do que tem o original –, poderá ser encomendada por 30 000 libras (160 000 reais).

 

 
 
 
 
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