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Moda Como
as estrelas Gostou do vestido que viu no Oscar?
Uma versão mais barata já está a caminho das lojas 
Bel Moherdaui
Na noite do Oscar, uma multidão de mulheres,
pipoca e refrigerante na mão, suspira em frente à TV a cada aparição
dos magníficos vestidos usados pelas estrelas no tapete vermelho. Pois
nos meses seguintes, munidas de recortes de revistas e fotos da internet, muitas
avançam em direção às lojas com um único objetivo:
ficar linda como a Charlize Theron, exibir as costas da Hilary Swank, o corpo
delgado da Renée Zellweger ou a elegância da Cate Blanchett e ser
estrela por uma noite de um casamento, formatura, festa de debutante ou jantar
de gala. Essa aura de sonho fez crescer, principalmente nos Estados Unidos, mas
também na Europa e até aqui no Brasil, um setor específico
de confecção: o de cópias de roupas de famosos. É
o caso da A.B.S, iniciais do estilista americano Allen B. Schwartz. Há
quase quinze anos ele transforma as caríssimas criações de
alta-costura vestidas pelas atrizes na noite do Oscar em versões de 300
a 400 dólares, que podem ser compradas on-line, em lojas nos Estados Unidos,
na Europa, até em Dubai. Desta última cerimônia, Schwartz
escolheu para suas araras quase dez trajes, incluindo os de Natalie Portman, Halle
Berry, Cate Blanchett e Gwyneth Paltrow. "O da Gisele não, embora ela seja
uma das minhas modelos favoritas, porque parecia estar grávida com aquela
roupa", explicou Schwartz a VEJA. "Nossa inspiração não depende
da celebridade depende do vestido."
Para casar fidelidade com rapidez e orçamento restrito, a A.B.S mantém
trinta estilistas de plantão em noite de tapete vermelho, prontos para
analisar e copiar cada detalhe das roupas. No caso do Oscar, ponto alto da produção,
em 24 horas estão desenhados os modelos que serão industrialmente
replicados e chegarão às lojas até o fim de abril. "Estudamos
com a modelista as fotos que saem nas revistas. Às vezes temos de usar
até lupa para ver os detalhes. E também usamos muito do nosso instinto
profissional", conta Sergio Augusto, estilista da Black Tie, tradicional loja
de aluguel de trajes de festa de São Paulo. Lá, já podem
ser admiradas as versões nacionais para o longo amarelo da atriz Cate Blanchett,
o vermelho rabo-de-sereia de Renée Zellweger e o azul-marinho de vertiginoso
decote nas costas (aqui, menos vertiginoso) usado por Hilary Swank. "Tenho uma
pasta com fotos de vestidos que saíram em revistas nacionais e internacionais.
O do casamento da Eliana, por exemplo, muitas mulheres quiseram, e não
só em branco, que é de noiva, mas em outras cores também",
conta Mauro Lucio Silva, dono da rede de roupas para aluguel Só a Rigor,
que tem lojas no Rio de Janeiro, em São Paulo e na Bahia.
Tudo é adaptado ao corpo da compradora, em si um senhor desafio: quem trabalha
com cópias precisa moldar o sonho da cliente a um porte físico geralmente
distante das silhuetas hollywoodianas. Além do nome do estilista, o que
mais muda em relação ao original são a qualidade do material
usado e o cuidado na elaboração. Sai o tafetá de seda pura,
entram o tafetá misto e o crepe mais simples. No lugar do broche de ouro,
uma bijuteria com cristais. Horas de bordado manual viram enfeites colados à
máquina. Saias muito longas e extravagantes encolhem ganha um prêmio
quem conseguir dançar valsa com uma cauda como a do Carolina Herrera da
atriz Renée Zellweger. "O Oscar funciona para detectarmos uma tendência,
até porque boa parte daqueles vestidos só funciona para o tapete
vermelho. Tiramos a idéia do volume, do decote, e então elaboramos
nossas peças, menos rebuscadas, mais enxutas, mais curtas", explica David
Bershad, diretor comercial da americana WWW Collection, que, para facilitar o
uso, costuma transformar vestidos de gala em conjuntos de duas peças. Do
Dior verde-água da sul-africana Charlize Theron, por exemplo, foi tirada
a inspiração para uma saia longa (300 dólares) que deve chegar
em dois meses a algumas das 2.000 lojas americanas que vendem roupas da grife.
As brasileiras, que não têm todas essas lojas à disposição,
terão outra oportunidade de se vestir como as estrelas do cinema: em abril,
a revista Manequim lançará uma edição com dez
fotos e cinco moldes direto do Kodak Theatre, incluindo o lindíssimo branco
império da Dior usado por Gisele. Embora a melhor, o Oscar não é
a única fonte de "inspiração" de reproduções.
A loja virtual londrina ASOS (de "as seen on screen" ou "como se vê na tela")
vende de sainhas a brincos, tudo descaradamente legendado como "no estilo usado
por" e aí vêm nomes como Madonna, Kate Moss, Victoria Beckham,
Paris Hilton. Quanto mais célebre, melhor.
| Ao alcance de qualquer plebéia
Jim Watson/Reuters  |
| O anel de Camilla: jóia de família no supermercado |
Além das muitas réplicas que certamente
vão circular mundo afora, o anel de noivado dado pelo príncipe Charles
a Camilla Parker Bowles ganhou uma versão popular praticamente oficial.
No dia 8 de abril, o mesmo do casamento, chegam à rede de supermercados
Asda, na Inglaterra, dois modelos "inspirados" na jóia de platina e diamantes
que pertenceu à avó de Charles, Elizabeth, e agora enfeita a futura
duquesa da Cornualha. Uma das réplicas, de prata e zircônia, custará
19 libras (100 reais). A outra, mais sofisticada, com 4,8 quilates de diamantes
quase metade do que tem o original , poderá ser encomendada
por 30 000 libras (160 000 reais).
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