Edição 1893 . 23 de fevereiro de 2005

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Fotos divulgação
...E o Vento Levou: cores ainda mais cintilantes que no lançamento original


...E o Vento Levou – Edição de Colecionador
(Gone with the Wind
, Estados Unidos, 1939/2004. Warner) – Tudo o que se poderia querer saber sobre o maior clássico do cinema americano e mais um pouco: eis o conteúdo desta edição com quatro discos – dois deles para o filme e os restantes dedicados aos extras. Mas, antes de rever a história de Scarlett O'Hara e Rhett Butler ou acessar o vasto material adicional, vale começar o programa pelo documentário que mostra como foi feita a restauração da película. Depois de entender o trabalho insano que uma tarefa como essa demanda, o espectador estará em condições de apreciar devidamente a luz cintilante e a pureza de cores com que o filme aparece neste relançamento, superiores até mesmo às das cópias novas em folha que conquistaram as platéias de 1939.
Veja cenas.

Wayne e Clift em Rio Vermelho: vigor e humor

Rio Vermelho (Red River, Estados Unidos, 1948. PlayArte) – Cabeça-dura como só ele mesmo poderia ser, John Wayne decide, em meados do século XIX, que será dono do maior rancho do Texas. Catorze anos depois, atingiu seu objetivo – mas está sem um centavo no bolso, por causa da guerra civil. A saída é tentar vender suas 10.000 cabeças de gado no Missouri, milhares de perigos e de quilômetros adiante, os quais vai percorrer às turras com seu filho adotivo (Montgomery Clift, em versão mais descontraída que o habitual). Dirigido por Howard Hawks com o vigor e o humor que lhe eram peculiares, Rio Vermelho é um desses faroestes que nunca cansam e sempre têm algo de novo a oferecer. Um programão, enfim.

 

LIVROS

Quem Matou Nola Payne?, de Walter Mosley (tradução de Dinah de Abreu Azevedo; Landscape; 240 páginas; 39,90 reais) – O americano Walter Mosley especializou-se em romances policiais que tratam da questão racial nos Estados Unidos. O pano de fundo do enredo deste livro são os tumultos raciais que arrasaram vários quarteirões de Los Angeles em 1965. Uma mulher negra, Nola Payne, é brutalmente assassinada dentro de seu apartamento durante o quebra-quebra. Na tentativa de amenizar a tensão, a polícia convoca o detetive negro Easy Rawlins para ajudar na solução do mistério. A investigação de Easy – herói de outros romances de Mosley – desvenda o crime e expõe o ódio profundo que separava negros e brancos na Los Angeles dos anos 60.

Radical Chique – O Novo Jornalismo, de Tom Wolfe (tradução de José Rubens Siqueira; Companhia das Letras; 248 páginas; 39 reais) – O americano Tom Wolfe é autor de romances como A Fogueira das Vaidades e também um nome central do chamado "novo jornalismo", caracterizado por reportagens escritas com muita verve e recursos literários. Essa coletânea recolhe alguns de seus melhores textos publicados nas décadas de 60 e 70 – inclusive um balanço do impacto do novo jornalismo nas redações americanas. O ensaio Radical Chique, em especial, já é um clássico: narra, com ironia desconcertante, uma sofisticada festa da elite de Nova York, na qual são recebidos militantes radicais do grupo Panteras Negras. Leia trecho.

 
A Sistina: história tumultuada  

Michelangelo e o Teto do Papa, de Ross King (tradução de Alexandre Martins; Record; 392 páginas; 54,90 reais) – Os afrescos de Michelangelo Buonarroti (1475-1564) na Capela Sistina são universalmente reconhecidos como um dos momentos máximos da arte. O escritor e historiador canadense Ross King reconstitui a complicada história dessa obra-prima. Michelangelo foi comissionado para o trabalho pelo papa Júlio II, um pontífice guerreiro que tinha visões grandiosas para Roma. King narra como foi a relação tumultuada entre o papa e seu protegido. Também fala da rivalidade entre Michelangelo e outros artistas, como Rafael. Mais importante, o livro esmiúça os complicados conflitos religiosos que dividiam a Itália no século XVI – e que tiveram sua influência na arte renascentista. Leia trecho.

 

DISCO

Ladies' Love Oracle, Grant-Lee Phillips (Sum) – O cantor e compositor Grant-Lee Phillips ocupa uma posição peculiar no cenário do rock alternativo americano. Ex-líder do Grant Lee Buffalo, banda surgida nos anos 90 que foi tão incensada pela crítica quanto ignorada pelo público, ele é uma espécie de encarnação moderninha de Bob Dylan. Nas suas letras, extrai poesia de situações do cotidiano. Musicalmente, mistura a tradição do folk americano, do qual é grande conhecedor, a ingredientes atuais como a bateria eletrônica. Ladies' Love Oracle marca um momento introspectivo em sua carreira. Trata-de de um disco de baladas, que foi gravado em apenas três dias de 1999 – e com o artista se desdobrando em todos os instrumentos.

 

TELEVISÃO

Travessia: o mundo dos surdos

Travessia do Silêncio (Estréia no domingo, dia 27, às 21h, no GNT) – Em outros documentários da série Travessias, a jornalista Dorrit Harazim já abordou a realidade dos analfabetos e a rotina de sofrimento a que os atletas se submetem, sempre de forma original. Neste novo programa, o tema é a relação dos surdos com o mundo dos "ouvintes". O documentário utiliza o testemunho de pessoas nessa condição e de seus familiares para mostrar os desafios que vivem em situações cotidianas, como nas horas de freqüentar a escola, jogar futebol ou mesmo participar de uma aula de dança. A jornalista acompanha personagens marcantes, como um deficiente que interpreta o Hino Nacional por meio da linguagem dos sinais.

 

 

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