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Tales
Alvarenga
O Lulômetro
"No caso da freira assassinada,
o governo
agiu de forma exemplar. No caso Waldomiro,
o processo não sai do lugar. No caso Celso
Daniel, o ponteiro do Lulômetro não
se mexe"
O governo Lula criou nesta semana uma medida
de comparação para avaliar seu interesse pelos crimes
cometidos no país. Vamos chamar esse instrumento de "Lulômetro",
em homenagem ao presidente. A base de comparação estabelecida
para o Lulômetro é o assassinato na região de
Anapu, no Pará, da missionária Dorothy Stang, freira
americana naturalizada brasileira. Nesse caso, o Lulômetro
vibrou em sua potência máxima. A freira lutava em favor
de assentados pela reforma agrária. Brasília tomou,
imediatamente, todas as providências necessárias. O
crime deverá estar solucionado em poucos dias.
Agora que o Lulômetro está disponível,
vamos usá-lo para medir a reação do governo
no caso de corrupção que tem como figura central Waldomiro
Diniz, homem ligado ao PT. Waldomiro foi braço-direito do
chefe da Casa Civil, José Dirceu. Ocupou o cargo de assessor
parlamentar do ministro. Waldomiro é acusado de ter usado
o poder de seu cargo para produzir a renovação de
um contrato milionário entre a Caixa Econômica Federal
e uma empresa privada. Mas ficou mais conhecido por outro fato.
É o homem que aparece numa fita de vídeo de 2002 pedindo
propina e contribuições de campanha a um integrante
da máfia do jogo, Carlinhos Cachoeira. No caso Waldomiro,
o ponteiro do Lulômetro ficou parado no zero. O processo não
sai do lugar há um ano.
Ligue-se o Lulômetro em outro caso,
o do prefeito petista de Santo André, Celso Daniel. Ele estava
escalado para chefiar a campanha de Lula para presidente no momento
em que foi seqüestrado e assassinado. Houve denúncias
a respeito de extorsão de propinas de empresários
de Santo André, promovida por gente ligada à prefeitura
do PT. O irmão de Celso Daniel, o médico João
Francisco Daniel, afirmou ao Ministério Público que
o prefeito foi morto ao tentar impedir a ação da quadrilha.
Teria descoberto que os achacadores ficavam com parte do dinheiro
que deveria ser remetido aos cofres do PT. Segundo o depoimento
de João Francisco, Gilberto Carvalho, atual secretário
de Lula, teria lhe dito que levou pessoalmente dinheiro de Santo
André para José Dirceu, na época comandante
do PT. Nesse caso, o ponteiro do Lulômetro também não
se mexeu.
Já no episódio da freira Dorothy
Stang, horas depois do crime já estavam identificados como
suspeitos o mandante, o intermediário e dois pistoleiros.
Três dias depois do assassinato, houve uma reunião
de oito ministros para estudar a grilagem de terras no Pará
e a violência que provoca. Para lá foi imediatamente
enviada uma força-tarefa composta de militares do Exército,
agentes da Polícia Federal, fiscais do Incra e do Ibama.
"Quero que o governo reaja rapidamente e com
força", ordenou Lula. Brasília resolveu pedir a "federalização"
das investigações, diante da evidência de que
a polícia do Pará estava fazendo corpo mole na hora
de apurar a violência em Anapu. O Lulômetro teve comportamento
diferente nos casos da freira Stang, de Waldomiro Diniz e de Celso
Daniel. Mas ainda há tempo de corrigir a falta de sensibilidade
onde ela fraquejou.
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