Edição 1893 . 23 de fevereiro de 2005

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A marola das 6

A Globo cria até um "quadrado amoroso"
para tentar salvar Como uma Onda


Ricardo Valladares


Divulgação
Maria Fernanda (à esq.) e Capri: romances de encomenda

Há uma cratera na programação do começo de noite da Rede Globo. Ela foi aberta meses atrás, quando a atual novela das 7, Começar de Novo, empacou no ibope por causa da falta de química no triângulo amoroso que sustenta a trama. O mal agora se estende à novela das 6, Como uma Onda. Há menos de três meses no ar, o folhetim de Walter Negrão já acendeu o sinal de alerta na emissora. Depois do sucesso de sua antecessora, Cabocla, que chegou a dar 40 pontos de audiência, até se esperava uma queda no número de espectadores – mas não na extensão que vem ocorrendo. Sua média de ibope patina nos 25 pontos. Em alguns momentos, chegou a meros 18 pontos. Uma pesquisa da Globo detectou que, assim como na novela das 7, o problema reside no triângulo amoroso do folhetim. A disputa das irmãs interpretadas por Alinne Moraes e Mel Lisboa pelo amor do personagem vivido pelo galã português Ricardo Pereira não empolga. O romance é juvenil demais para o público do horário, composto em boa parte de donas-de-casa. Além disso, a atuação do trio não é das mais marcantes. Como uma Onda tem outra limitação: um vilão inconvincente. O galã Henri Castelli não tem ares de empresário crapuloso – parece apenas um surfista desconsolado por ter de usar terno.

Autor de sucessos como Tropicaliente (1994), o experiente Negrão busca uma saída para ajustar a história. Ele investirá suas fichas no carisma da atriz Maria Fernanda Cândido. Sua personagem, Lavínia, mulher madura que é mãe de uma adolescente, goza de grande aceitação. As espectadoras a admiram como uma mulher batalhadora e idealista. O amor que ela nutre pelo marido, Amarante (Kadu Moliterno), um pescador que sofreu um acidente em alto-mar e foi dado como morto, é apontado como ponto forte da novela. O jeito encontrado para dar mais destaque a Maria Fernanda foi antecipar a volta de Amarante à cena – algo que só ocorreria perto do fim da trama. Na semana passada, o pescador reapareceu, desmemoriado. Como a moça já tinha outro namorado, o personagem de Herson Capri, anuncia-se nova disputa romântica. Quanto ao triângulo amoroso original, Negrão também providenciou mudanças: transformou-o num quadrado. O galã Pereira ganhou outra pretendente na novela. Depois de uma participação breve no começo da trama, sua ex-namorada Almerinda – a também portuguesa Joana Solnado – ressurgirá, grávida do rapaz.

 
 
 
 
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