Edição 1893 . 23 de fevereiro de 2005

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Sociedade
Cadê o sorriso
que estava aqui?

A bela surtou, a festa de Ronaldo
melou e o que era para ser uma
alegria só virou baixo-astral


Bel Moherdaui


Pedro Rubens
Antonio Ribeiro
Daniella: toda alegre em 2003, de cara amarrada depois da festa em Paris

Ao surgir para o grande público – primeiro, em um comercial de refrigerante; depois, nas passarelas; por fim, como apresentadora da MTV –, a mineira Daniella Cicarelli, 26 anos, era uma boca enorme sempre aberta em sorriso generoso, cercada de outros (vários e espetaculares) atributos. Aí vieram Ronaldo, namoro, noivado, festa de casamento sem casamento e, no intervalo de poucos meses em que tudo isso se sucedeu, a moça alegre e brincalhona sumiu, deixando em seu lugar uma outra, macambúzia e geniosa, que briga com todos e dá escândalo em público. Por causa do temperamento explosivo, a festa para celebrar sua união com o jogador Ronaldo, no castelo de Chantilly, na França, foi transformada pela própria Daniella num espetáculo que se encaixaria melhor no padrão churrasco na laje. Disposta a provar o gosto da vingança a quente, expulsando uma rival que não queria ver por lá, ela conferiu ao episódio dimensões constrangedoras. A essa altura, o mundo inteiro sabe que o alvo da ira daniellesca foi a modelo paulistana Caroline Bittencourt, 23 anos, namorada de Álvaro Garnero, herdeiro do grupo Brasilinvest e agora ex-amigão de Ronaldo. Curiosamente, Caroline tem pontos em comum com Daniella: corpão, olhos claros, bocona, comercial do mesmo refrigerante e romance no currículo com o empresário e namorador serial paulista João Paulo Diniz, apontado como o marco zero da inimizade entre as beldades.

Como qualquer mulher romântica, Daniella planejou um casamento perfeito. O fato de que ambos não pudessem se casar, oficialmente, parecia ofuscado pela festa de 700.000 euros (2,3 milhões de reais) para 320 convidados, num cenário de sonhos, jantar sofisticado, champanhe francês, vinho espanhol, caipirinha de pinga, bolo de seis andares de chocolate com rosas de glacê vermelho, bênção do onipresente padre Antônio Maria e esquema de segurança padrão Casa Branca. Pois a não-convidada Caroline burlou a barreira e entrou, contrabandeada por Garnero, que a instalou no Rolls-Royce da família junto com o empresário de Fórmula 1 Flavio Briatore, de quem ela se fez passar por acompanhante, e mais o irmão, Mário Garnero. Outro membro conhecido da turma de bons vivants permanentemente cercados por mulheres estonteantes, Álvaro havia sido avisado da bronca de Daniella e sabia muito bem que estava aprontando. "A expulsão da Caroline não foi surpresa nenhuma. Eu e outros amigos fomos testemunhas do pedido do Ronaldo ao Álvaro, com antecedência, para que ele não levasse a namorada", conta o empresário carioca Rogério Jonas Zylbersztajn. Uma vez dentro do salão, antes que a noiva detectasse a presença indesejada, Garnero mais uma vez ouviu de Ronaldo que o comparecimento de Caroline provocaria confusão. Não deu outra. "A Dani entrou pelo salão transtornada, com uma cara de ódio digna de filme", relata um amigo que presenciou a cena. Caroline dá uma versão mais prolífica em detalhes. "Ela apareceu com seis seguranças, gritando que não queria que eu ficasse no casamento, que tinham de retirar 'aquela mulher' – referindo-se a mim – do casamento", apimenta. "Eu fiquei quieta. Desci calmamente até o carro. E ela veio atrás gritando, dizendo que ia até o fim para ver se eu tinha saído mesmo. Foi uma humilhação." Caroline jura inocência: não sabia que era modellum non grata, imaginem só (veja entrevista). Também não foi, de jeito nenhum, de vestido branco-noiva para competir com o Valentino de Daniella, como chegaram a dizer. "O meu era dourado, todo bordado de dourado, na altura do joelho. O Álvaro escolheu e me deu dois dias antes", defende-se.

Fotos Antonio Ribeiro
Preparativos para a festa: a sala forrada de pinturas foi decorada com arranjos de folhagens e tulipas vermelhas; para beber, caixas de vinho espanhol, champanhe e caipirinha; além da mesa de doces, um bolo de chocolate com rosas de glacê de seis andares

O barraco de São Valentim (o Dia dos Namorados no Hemisfério Norte, escolhido para a cerimônia pelo simbolismo) culminou o processo da semidesconhecida que se casa com um ídolo popular e passa a ser execrada como megera. No caso de Daniella, esse arquétipo universal teve um bocado de colaboração da realidade. Antes da festa, ela riscou da lista de convidados amigos de infância e parentes de Ronaldo, deixou de mãos abanando pessoas a quem tinha prometido convite e achou tempo para discutir (não nessa ordem e não na mesma intensidade): com a sogra, Sônia; com o assessor de imprensa do craque, Rodrigo Paiva (que acabou não indo); com a babá do filho do jogador; com a amiga Bia Aydar, que apresentou o casal e foi responsável pela organização da festa. "Em dois meses, ela passou de Do Carmo a Nazaré", compara uma pessoa que assistiu de perto à transmutação. Nem Ronaldo escapou da noiva em fúria: logo que chegou ao hotel em que ela estava em Paris, vindo de um jogo do Real Madrid, na madrugada de segunda-feira, o jogador teve uma discussão acalorada com a noiva e saiu para ficar com amigos.

As explosões de Daniella não são incomuns, dizem conhecidos, só ganharam dimensão e volume compatíveis com a ascensão a celebridade mundial. "A Daniella é muito companheira, carinhosa e divertida. Mas, quando explode, sai de perto – ela não mede as conseqüências", descreve uma pessoa que a conhece bem. A relação dela com a família da mãe, Yara, é tão complicada que esse ramo foi alijado de Chantilly. "Ela não mandou convite para ninguém da nossa família, nem para a mãe. Achei uma falta de consideração", desabafa a costureira Maria de Fátima Duque Cicarelli, avó materna da apresentadora, que vive em Lavras, no interior de Minas Gerais, e esteve com a neta pela última vez em 1998. "Ela convidou o pessoal do lado do pai dela e, pelo que vi numa revista, levou até o cachorro para Paris. Eu não iria, mas teria ficado muito feliz apenas por receber o convite", resigna-se. Os pais da apresentadora separaram-se quando ela era criança e, aos 12 anos, Daniella mudou-se para a casa dos avós paternos. Estes foram a Paris e tiveram lugar de honra nos festejos. O pai, Antônio de Pádua Lemos, a levou ao altar. A mãe, que até pouco tempo atrás trabalhava como depiladora em um salão em Belo Horizonte e morava em uma quitinete, ocupa hoje um apartamento maior dado pela filha, mas não se manifestou. Talvez tenha sido uma das origens do problema. Tradicionalmente, cabe à mãe da noiva o papel de bruxa que controla a lista de convidados, dá palpites (errados) no bufê, se encrenca com a família do noivo. Na falta dela, adivinhem quem assumiu o título?

Colaborou José Edward

 

"Quem? Eu?"


Paulo Rocha/VIP

De Paris, onde passou a semana com o namorado, Álvaro Garnero, a modelo Caroline Bittencourt, 23 anos, diz que tem supernada a ver com isso:

Veja – Por que a Daniella expulsou você da festa?
Caroline – Não sei o que se passou na cabeça dela. Eu não a conheço, só nos encontramos duas vezes em festas, de longe. Nunca conversamos.

Veja – Você namorou o empresário João Paulo Diniz no ano passado. A Daniella estava saindo com ele um pouco antes?
Caroline – Estava. Mas não sei se ele largou dela para ficar comigo.

Veja – Estão falando que você começou a namorar o Álvaro só para ir ao casamento.
Caroline – Mentira. Começamos a namorar há quinze dias e estou superapaixonada. Nem pensava em ir ao casamento. O Álvaro me convidou dois dias antes.

Veja – Você virou celebridade. Isso é bom para a carreira?
Caroline – Não queria, de maneira alguma, essa exposição. Sou uma pessoa super da paz, tenho uma filha de 3 anos, sou superfamília. Foi um episódio triste, desagradável. Estou morrendo de vergonha.

 

 
 
 
 
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