|
|
Sociedade
Cadê o sorriso
que estava aqui?
A bela surtou, a festa de Ronaldo
melou e o que era para ser uma
alegria só virou baixo-astral

Bel Moherdaui
Pedro Rubens
 |
Antonio Ribeiro
 |
| Daniella: toda alegre em 2003,
de cara amarrada depois da festa em Paris |
Ao surgir para o grande público
primeiro, em um comercial de refrigerante; depois, nas passarelas;
por fim, como apresentadora da MTV , a mineira Daniella Cicarelli,
26 anos, era uma boca enorme sempre aberta em sorriso generoso,
cercada de outros (vários e espetaculares) atributos. Aí
vieram Ronaldo, namoro, noivado, festa de casamento sem casamento
e, no intervalo de poucos meses em que tudo isso se sucedeu, a moça
alegre e brincalhona sumiu, deixando em seu lugar uma outra, macambúzia
e geniosa, que briga com todos e dá escândalo em público.
Por causa do temperamento explosivo, a festa para celebrar sua união
com o jogador Ronaldo, no castelo de Chantilly, na França,
foi transformada pela própria Daniella num espetáculo
que se encaixaria melhor no padrão churrasco na laje. Disposta
a provar o gosto da vingança a quente, expulsando uma rival
que não queria ver por lá, ela conferiu ao episódio
dimensões constrangedoras. A essa altura, o mundo inteiro
sabe que o alvo da ira daniellesca foi a modelo paulistana Caroline
Bittencourt, 23 anos, namorada de Álvaro Garnero, herdeiro
do grupo Brasilinvest e agora ex-amigão de Ronaldo. Curiosamente,
Caroline tem pontos em comum com Daniella: corpão, olhos
claros, bocona, comercial do mesmo refrigerante e romance no currículo
com o empresário e namorador serial paulista João
Paulo Diniz, apontado como o marco zero da inimizade entre as beldades.
Como qualquer mulher romântica, Daniella
planejou um casamento perfeito. O fato de que ambos não pudessem
se casar, oficialmente, parecia ofuscado pela festa de 700.000 euros
(2,3 milhões de reais) para 320 convidados, num cenário
de sonhos, jantar sofisticado, champanhe francês, vinho espanhol,
caipirinha de pinga, bolo de seis andares de chocolate com rosas
de glacê vermelho, bênção do onipresente
padre Antônio Maria e esquema de segurança padrão
Casa Branca. Pois a não-convidada Caroline burlou a barreira
e entrou, contrabandeada por Garnero, que a instalou no Rolls-Royce
da família junto com o empresário de Fórmula
1 Flavio Briatore, de quem ela se fez passar por acompanhante, e
mais o irmão, Mário Garnero. Outro membro conhecido
da turma de bons vivants permanentemente cercados por mulheres estonteantes,
Álvaro havia sido avisado da bronca de Daniella e sabia muito
bem que estava aprontando. "A expulsão da Caroline não
foi surpresa nenhuma. Eu e outros amigos fomos testemunhas do pedido
do Ronaldo ao Álvaro, com antecedência, para que ele
não levasse a namorada", conta o empresário carioca
Rogério Jonas Zylbersztajn. Uma vez dentro do salão,
antes que a noiva detectasse a presença indesejada, Garnero
mais uma vez ouviu de Ronaldo que o comparecimento de Caroline provocaria
confusão. Não deu outra. "A Dani entrou pelo salão
transtornada, com uma cara de ódio digna de filme", relata
um amigo que presenciou a cena. Caroline dá uma versão
mais prolífica em detalhes. "Ela apareceu com seis seguranças,
gritando que não queria que eu ficasse no casamento, que
tinham de retirar 'aquela mulher' referindo-se a mim
do casamento", apimenta. "Eu fiquei quieta. Desci calmamente até
o carro. E ela veio atrás gritando, dizendo que ia até
o fim para ver se eu tinha saído mesmo. Foi uma humilhação."
Caroline jura inocência: não sabia que era modellum
non grata, imaginem só (veja
entrevista). Também não foi, de jeito
nenhum, de vestido branco-noiva para competir com o Valentino de
Daniella, como chegaram a dizer. "O meu era dourado, todo bordado
de dourado, na altura do joelho. O Álvaro escolheu e me deu
dois dias antes", defende-se.
Fotos Antonio Ribeiro
 |
| Preparativos para a festa: a sala
forrada de pinturas foi decorada com arranjos de folhagens e
tulipas vermelhas; para beber, caixas de vinho espanhol, champanhe
e caipirinha; além da mesa de doces, um bolo de chocolate com
rosas de glacê de seis andares |
 |
 |
O barraco de São Valentim (o Dia dos
Namorados no Hemisfério Norte, escolhido para a cerimônia
pelo simbolismo) culminou o processo da semidesconhecida que se
casa com um ídolo popular e passa a ser execrada como megera.
No caso de Daniella, esse arquétipo universal teve um bocado
de colaboração da realidade. Antes da festa, ela riscou
da lista de convidados amigos de infância e parentes de Ronaldo,
deixou de mãos abanando pessoas a quem tinha prometido convite
e achou tempo para discutir (não nessa ordem e não
na mesma intensidade): com a sogra, Sônia; com o assessor
de imprensa do craque, Rodrigo Paiva (que acabou não indo);
com a babá do filho do jogador; com a amiga Bia Aydar, que
apresentou o casal e foi responsável pela organização
da festa. "Em dois meses, ela passou de Do Carmo a Nazaré",
compara uma pessoa que assistiu de perto à transmutação.
Nem Ronaldo escapou da noiva em fúria: logo que chegou ao
hotel em que ela estava em Paris, vindo de um jogo do Real Madrid,
na madrugada de segunda-feira, o jogador teve uma discussão
acalorada com a noiva e saiu para ficar com amigos.
As explosões de Daniella não
são incomuns, dizem conhecidos, só ganharam dimensão
e volume compatíveis com a ascensão a celebridade
mundial. "A Daniella é muito companheira, carinhosa e divertida.
Mas, quando explode, sai de perto ela não mede as
conseqüências", descreve uma pessoa que a conhece bem.
A relação dela com a família da mãe,
Yara, é tão complicada que esse ramo foi alijado de
Chantilly. "Ela não mandou convite para ninguém da
nossa família, nem para a mãe. Achei uma falta de
consideração", desabafa a costureira Maria de Fátima
Duque Cicarelli, avó materna da apresentadora, que vive em
Lavras, no interior de Minas Gerais, e esteve com a neta pela última
vez em 1998. "Ela convidou o pessoal do lado do pai dela e, pelo
que vi numa revista, levou até o cachorro para Paris. Eu
não iria, mas teria ficado muito feliz apenas por receber
o convite", resigna-se. Os pais da apresentadora separaram-se quando
ela era criança e, aos 12 anos, Daniella mudou-se para a
casa dos avós paternos. Estes foram a Paris e tiveram lugar
de honra nos festejos. O pai, Antônio de Pádua Lemos,
a levou ao altar. A mãe, que até pouco tempo atrás
trabalhava como depiladora em um salão em Belo Horizonte
e morava em uma quitinete, ocupa hoje um apartamento maior dado
pela filha, mas não se manifestou. Talvez tenha sido uma
das origens do problema. Tradicionalmente, cabe à mãe
da noiva o papel de bruxa que controla a lista de convidados, dá
palpites (errados) no bufê, se encrenca com a família
do noivo. Na falta dela, adivinhem quem assumiu o título?
Colaborou
José Edward
|
"Quem?
Eu?"
Paulo Rocha/VIP
 |
De Paris, onde passou a semana
com o namorado, Álvaro Garnero, a modelo Caroline
Bittencourt, 23 anos, diz que tem supernada a ver com
isso:
Veja Por que a
Daniella expulsou você da festa?
Caroline Não sei o que se passou
na cabeça dela. Eu não a conheço,
só nos encontramos duas vezes em festas, de longe.
Nunca conversamos.
Veja Você
namorou o empresário João Paulo Diniz
no ano passado. A Daniella estava saindo com ele um
pouco antes?
Caroline Estava. Mas não sei se
ele largou dela para ficar comigo.
Veja Estão
falando que você começou a namorar o Álvaro
só para ir ao casamento.
Caroline Mentira. Começamos a namorar
há quinze dias e estou superapaixonada. Nem pensava
em ir ao casamento. O Álvaro me convidou dois
dias antes.
Veja Você
virou celebridade. Isso é bom para a carreira?
Caroline Não queria, de maneira
alguma, essa exposição. Sou uma pessoa
super da paz, tenho uma filha de 3 anos, sou superfamília.
Foi um episódio triste, desagradável.
Estou morrendo de vergonha.
|
|
|