Lauro Jardim
Chico
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| E pra vocês, é a quarta ou quinta lua-de-mel? |
GOVERNO
Xadrez
FHC está em plena operação de isolamento do PFL. Para mais
adiante, quem sabe, trazer de volta o partido para seu colo.
Só que mais manso.
Tempo quente
Briga definitiva não haverá. Mas é flagrante que os armistícios
entre FHC e ACM estão durando cada vez menos tempo.
Passaporte indígena
O presidente da Funai, Carlos Marés, tentou restringir a entrada
de funcionários do governo em reservas indígenas. Eles somente
poderiam entrar lá com autorização dos índios uma espécie
de passaporte indígena. A idéia sofreu bombardeios de setores
civis e militares do Planalto. Marés lembrou que isso poderia
causar estragos na imagem do Brasil no exterior. "Maior
estrago que a demissão do indigenista Orlando Villas-Boas é
impossível", respondeu um de seus interlocutores.
Falando fino
Tem ministro de FHC achando que o governo brasileiro está falando
mais fino do que poderia com os Estados Unidos na discussão
sobre a nova sobretaxa do aço brasileiro.
ECONOMIA
Shell no spa
A Shell está negociando com a italiana Agip a venda de 350
postos de gasolina em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
É negócio de gente grande. Envolve quase 10% do total de postos
que a Shell possui no Brasil. A matriz mandou a filial brasileira
pisar no freio na área de distribuição. Não agüenta mais concorrer
com as pequenas distribuidoras, que sonegam impostos escandalosamente.
Todo mundo na rede
Aloysio Faria, dono do Banco Alfa, também quer tirar uma casquinha
dos ovos de ouro da internet. Acaba de comprar por 30 milhões
de reais um site de turismo e entretenimento. Faria é aquele
banqueiro que vendeu o Real por 2 bilhões de reais há dois anos.
PRIVATIZAÇÃO
Jogo duro para largar o osso
Na época da privatização das companhias elétricas brasileiras,
os franceses vieram aqui e alegremente foram às compras. A estatal
EDF é hoje sócia da Light, no Rio, e da Metropolitana, em São
Paulo. Mas lá fora a música toca em outro diapasão. O Congresso
francês acaba de flexibilizar em 30% o monopólio da EDF no país.
Mas só para os grandes usuários isto é, megaempresas. Nas
residências, o monopólio estatal continuará intocado. O que
vale para cá não vale para lá.
Esperar para ver
Está em curso, sim, uma negociação entre o Bradesco e o BNDES
para que o bancão oficial vire sócio do bancão privado em algumas
de suas empresas não financeiras. Mas o presidente do BNDES,
Andrea Calabi, jura de pés juntos que nenhuma operação a ser
feita significará que o Bradesco vai receber um mísero real
que o ajude mesmo que indiretamente na privatização do Banespa.
AVIAÇÃO
Rolo sem fim
A Tombo, uma empresa americana de leasing, foi à Justiça na
semana passada pedir de volta uma turbina e dois MD-11 (SPD
e SPE) da Vasp. Wagner Canhedo, mais uma vez, pegou, mas não
pagou.
Com ele, não
FHC confidenciou a um interlocutor que não vai botar mais um
tostão para reestruturar a Vasp enquanto Wagner Canhedo estiver
no comando da empresa.
TELEVISÃO
Cachimbo da paz
Os americanos do HMTF, o fundo de investimentos que controla
o futebol do Corinthians e do Cruzeiro, procuraram a Rede Globo
para conversar. Querem negócio. Nos últimos meses, ambos travaram
uma tensa guerra de bastidores. De um lado, o HMTF se preparava
para tirar da Globo o televisionamento dos jogos dos dois clubes
(e de outros que pretende levar para debaixo de seu chapéu).
A emissora carioca, por sua vez, jogava todo seu poderio para
empinar a discussão sobre a MP do governo que veta a uma empresa
botar a mão forte em mais de um time.
INDÚSTRIA
FONOGRÁFICA
Imune à pirataria
Atordoada pela onda de pirataria que derrubou o mercado brasileiro
nos últimos anos, as gravadoras estão abrindo novos mercados
para ganhar algum fôlego. Um dos setores que mais crescem é
o de "projetos especiais" jargão da indústria fonográfica
para aqueles discos feitos especialmente para as grandes empresas
distribuírem a seus clientes. Hoje, um a cada dez CDs fabricados
no país tem esse fim. E é um mercado em que não há risco de
pirataria. Recentemente, o sabão em pó Ariel fechou com a Universal
(líder desse segmento) um pacote de 600.000
CDs. É muito mais do que venderam em seu último disco Gal Costa,
Chico Buarque ou Gilberto Gil.
Em perigo
Maristela Colucci
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| Jubarte no litoral
brasileiro: ameaça |
O Brasil é um dos países que mais se empenham para manter
a proibição da caça à baleia. Do outro lado do front está
o Japão, que tem a simpatia de países caribenhos e africanos.
Um novo round nessa briga está marcado para abril, no
Quênia. Ali, os países decidirão se a proibição do comércio
internacional de carne de baleia fica de pé. Seria o primeiro
passo para a liberação da caça e nesse caso de nada
adiantará a lei brasileira, que a proíbe. As baleias que
fazem a alegria de turistas no Nordeste passam boa parte
do ano em águas internacionais. A posição do Brasil não
é apenas de bom samaritano: toda vez que uma jubarte levanta
a cauda por aqui, tilintam as máquinas registradoras do
ecoturismo.
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Colaborou
Julio Cesar de Barros