Edição 1 637 - 23/2/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Os filhos da pílula de farinha, lindos e amados
Passagens e pacotes com descontos na internet
O novo planetário de Nova York
O drama dos médicos viciados em morfina
As escolas que oferecem período integral
Já se discute a liberação da caça ao jacaré
Saiba mais sobre animais
Fause Haten, do buraco às passarelas americanas
Bolshoi abre escola em Joinville
A Gillette lança o Mach3
Asteróide é estudado por sonda
Saiba mais sobre asteróides (em Shockwave Flash)
Decifrado o primeiro genoma no Brasil
Os novos ricos da rede
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Veja recomenda

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Proeza nacional

Pesquisadores brasileiros
decifram DNA de bactéria

 

A ciência brasileira tem uma conquista para exibir ao mundo. Foi anunciado na semana passada o seqüenciamento completo do código genético de um ser vivo, a bactéria Xylella fastidiosa. Realizado por trinta laboratórios de São Paulo, o trabalho envolveu 161 pesquisadores das áreas de biologia, informática e agronomia. Em dois anos de pesquisas, foram gastos 13 milhões de dólares para decifrar o genoma dessa bactéria que infesta 34% dos pomares paulistas. É a primeira vez no mundo que um microrganismo causador de pragas em vegetais é estudado em tal grau de profundidade. Até agora, centros de pesquisa dos Estados Unidos, Japão e Europa haviam seqüenciado outros 23 seres microscópicos como esse. Com o auxílio de potentes computadores da Universidade Estadual de Campinas, os pesquisadores brasileiros seqüenciaram 2,7 milhões de bases genéticas, chamadas nucleotídeos. São essas bases que, ordenadas no DNA, formam os genes.

Combate a doenças – No caso da Xylella, os cientistas já têm a seqüência completa dos genes, mas ainda falta entender a exata função de cada um deles. É como ter o mapa de uma cidade, com todas as ruas e avenidas, sem saber para que servem os prédios que lá estão. "Já conseguimos encontrar alguns dos genes que provocam a doença na laranjeira", afirma Andrew Simpson, diretor do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer e coordenador do projeto. "Eles serão fundamentais para criar plantas geneticamente modificadas e livres da doença", diz Simpson.

O mapeamento da bactéria vai muito além das preocupações com a laranja. A tecnologia desenvolvida e o grau de destreza alcançado pelos pesquisadores já geraram pelo menos outros três filhotes. Eles tentam agora mapear o genoma da cana-de-açúcar, da bactéria que provoca o cancro cítrico, a Xanthomonas citri, e ainda identificar os genes humanos envolvidos nos tipos de câncer mais comuns na população brasileira.