Edição 1 637 - 23/2/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Os filhos da pílula de farinha, lindos e amados
Passagens e pacotes com descontos na internet
O novo planetário de Nova York
O drama dos médicos viciados em morfina
As escolas que oferecem período integral
Já se discute a liberação da caça ao jacaré
Saiba mais sobre animais
Fause Haten, do buraco às passarelas americanas
Bolshoi abre escola em Joinville
A Gillette lança o Mach3
Asteróide é estudado por sonda
Saiba mais sobre asteróides (em Shockwave Flash)
Decifrado o primeiro genoma no Brasil
Os novos ricos da rede
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Luiz Felipe de Alencastro
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Veja recomenda

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

A pedra do apocalipse

Veja também
Animações especiais
Curiosidades
Jogo
  Tudo em Shockwave Flash

É maior do que Curitiba
e pode destruir a Terra daqui
a milhões de anos

Beatriz Barbosa

Um antigo sonho dos cientistas espaciais de todo o mundo começou a virar realidade na semana passada. Pela primeira vez, eles conseguiram imagens de boa qualidade de um dos maiores asteróides que de tempo em tempo cruzam a órbita terrestre em sua viagem ao redor do Sol. As fotos foram tiradas pela sonda Near, que desde segunda-feira gira em torno de Eros, uma rocha voadora de 442 quilômetros quadrados, maior do que a cidade de Curitiba. As imagens mostram crateras de até 5 quilômetros de diâmetro, montes e reentrâncias de um mundo de forma estranha. Parecido com uma batata e situado a 250 milhões de quilômetros da Terra, Eros é tão exótico quanto perigoso. Os cientistas acreditam que, dentro de 1,5 milhão a 5 milhões de anos, o batatão rochoso pode-se espatifar em nosso planeta. Sorte dos atuais seres humanos, que não estarão vivos até lá. Se isso acontecer mesmo, o estrago será maior que o choque cósmico que, há 65 milhões de anos, pôs fim aos dinossauros.

Conhecer bem Eros significa ter nas mãos dados que permitam traçar estratégias de proteção da Terra. O risco de uma trombada sideral tornou-se, nos últimos anos, grande preocupação dos cientistas. Pelo menos 900 rochedos semelhantes circulam pelo sistema solar em trajetórias que passam nos arredores de nosso planeta. "A importância do projeto Near é enorme", reconhece o físico brasileiro Marcelo Gleiser, professor do Dartmouth College, em New Hampshire, Estados Unidos. "Graças a ele, se algum dia um asteróide estiver em rota de colisão com a Terra, o homem terá condições de tentar interceptá-lo ou de procurar outra saída para evitar a tragédia."

Caso uma pedrona do tamanho de Eros caísse aqui, seria o fim da civilização como a conhecemos hoje (veja quadro ou simulação em Shockwave Flash). O impacto produziria uma onda de choque milhares de vezes superior à resultante da detonação simultânea de todo o arsenal nuclear existente. A temperatura no local do impacto ultrapassaria os 5.000 graus Celsius. Pelo menos nove programas de observação do espaço funcionam em institutos de pesquisa dos Estados Unidos e da Europa para evitar uma tragédia assim. A Nasa e o Pentágono têm projetos conjuntos para prever e afastar esse tipo de ameaça, enquanto na Universidade do Arizona cientistas patrulham o movimento de 108 asteróides considerados perigosos. Até no Brasil, pesquisadores da Universidade de São Paulo estão atentos e mantêm um programa de estudo desse tipo de corpo celeste.

Restos de um planeta – Em junho do ano passado, um grupo de cientistas apoiado pela Organização das Nações Unidas e pela União Internacional Astronômica criou uma escala em que os asteróides ganham notas de zero a 10, de acordo com o potencial de colisão com a Terra. Até agora todos os asteróides catalogados estão dentro do risco zero, isso num período de cerca de 100 anos. "O problema é que os programas de rastreamento atuais ainda estão longe de ser eficientes", alerta Gleiser. "É bem possível descobrirmos amanhã um asteróide novo que vai chocar-se com a Terra dentro de apenas dois anos."

É por isso que os dados coletados pela Near são cruciais. Com a nave, é possível decifrar alguns enigmas, como a estrutura geológica desses corpos celestes, e calcular com precisão maneiras de desviar sua rota ou mesmo de tentar destruí-los com um míssil. Munida de instrumentos de alta tecnologia e de uma poderosa câmara fotográfica, a sonda descobriu que a rocha de Eros é duríssima, organizada em camadas, o que leva os cientistas a imaginar que no passado o asteróide foi parte de um corpo celeste muito maior, talvez até de um planeta.

A quantidade de crateras na superfície também já permite concluir que Eros circula no espaço desde o início da formação do sistema solar, trombando com outros asteróides, cometas e meteoros. Sua força gravitacional é irrisória. Na superfície de Eros, se um ser humano tomasse o impulso necessário para saltar uma valeta de 1 metro na Terra seria lançado a uma distância de quase 2 quilômetros. Gravidade tão reduzida permite que a sonda Near mantenha uma velocidade de apenas 3 quilômetros por hora para se sustentar em sua órbita. Na Terra precisaria viajar a 11.000 quilômetros por hora para não despencar na superfície. Até o ano que vem, a Near estará se aproximando aos poucos do asteróide, passando de 330 quilômetros para apenas 500 metros. Em meados de 2001, deverá realizar a parte mais ousada de sua odisséia pelo espaço e arriscar um pouso na superfície de Eros. Aí, sim, será coisa de Hollywood, uma conquista igualzinha à da equipe de Bruce Willis no filme Armageddon.

Saiba mais
Nasa
near.jhuapl.edu
www.news.cornell.edu
impact.arc.nasa.gov/index.html
www.torinoscale.com
neo.planetary.org