Pacote escolar
Ocupado demais para ficar levando seu filho
a aulas disso e daquilo? Período integral nele
Silvia Rogar
Selmy Yassuda
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Isabela: sapatilha e quimono na
mochila
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O frio na barriga que acompanha a volta às aulas
foi maior neste ano para Isabela Stille, de 7 anos. Além
de livros e cadernos, a estudante da 2ª série
do ensino fundamental carregou sapatilhas de balé
e um quimono na mochila. Entrou às 7h30 e saiu às
17h sua estréia no período integral
do tradicional Colégio Andrews, no Rio de Janeiro.
Além das disciplinas do currículo regular,
Isabela tem aulas de teatro, balé e judô. Nos
intervalos, pode encontrar-se com o irmão, Gustavo,
de 13 anos, que desde o ano passado também passa
manhãs e tardes no Andrews, uma das muitas escolas
no Rio e em São Paulo a aderir, nos últimos
anos, ao sistema (em geral, optativo) de período
integral. Segundo estimativa das associações
de escolas particulares cariocas e paulistanas, o número
de instituições que oferecem um dia inteiro
de atividades cresceu 15% em 1998 e mais 15% em 1999, o
que representa cerca de 1 700 instituições
convertidas ao equivalente moderno do semi-internato dos
velhos tempos.
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Depois
do almoço, aluno de período integral
pode ter aula de:
Línguas
Esportes
Culinária
Teatro
Dança
Música
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A disposição das escolas a acolher alunos
o dia inteiro é uma mão na roda para pais
ocupados. No tempo extra, as crianças têm o
que teriam fora do colégio aulas de dança,
de idiomas, de informática sem que ninguém
precise pegar o carro e levá-las até a porta.
Também deixa pai e mãe muito mais tranqüilos,
por verem seus filhos seguros, em ambiente de confiança,
sob orientação pedagógica adequada.
Com uma vantagem extra: o dever de casa, estressante ritual
de depois da janta, passa a ser feito na própria
escola. Que pesa no bolso, pesa a mensalidade dobra
para o aluno de período integral. Mas pouca gente
reclama. "Hoje, até as avós trabalham fora",
diz Solange Oliveira, vice-diretora do colégio carioca
Chapeuzinho Vermelho, que há dois anos descobriu
as vantagens do regime integral. Os números comprovam
a boa aceitação. Na escola Pueri Domus, em
São Paulo, a matrícula triplicou em dois anos.
Hoje há 300 alunos passando o dia inteiro no colégio.
Antonio Milena
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| Jéssica e Amanda:
aprendendo na escola a cozinhar e a falar inglês
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Só vantagens Desde que o semi-internato
sumiu do mapa escolar, na década de 70, período
integral era exclusividade das escolas estrangeiras instaladas
no Brasil. A volta do sistema tem novidades. Uma delas é
o número muito maior de atividades oferecidas. Outra,
a maneira como as aulas são dadas o currículo
é preparado de forma a não soterrar o estudante
sob uma avalanche de aulas tradicionais, daquelas com aluno
na carteira, professor na frente e lousa por todo lado.
No Colégio Augusto Laranja, com três unidades
em São Paulo, onde o turno ampliado foi inaugurado
neste ano, muitas das atividades complementares, como as
aulas de culinária e as de artes, são dadas
em inglês. As irmãs Amanda, 9 anos, e Jéssica,
7, trocaram com prazer o fim da manhã em frente à
televisão pela chance de pôr a mão na
massa. A mãe delas, a administradora de empresas
Carla Biscalquim, de 33 anos, acha ótimo que, ainda
por cima, aprendam outra língua. De um modo geral,
os especialistas consideram que, se as aulas extracurriculares
forem bem administradas, matricular a criança em
período integral só traz vantagens. "O aluno
deixa de ver a escola como um lugar desagradável,
como o momento chato do dia", diz Paulo Mattos, psiquiatra
e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.