Universo na caixa
O mais moderno planetário do mundo,
em Nova York, tem imagens e recursos espetaculares
Angela Pimenta, de Nova York
Fotos: AMNH/D
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A esfera de aço do Rose
Center: do Big Bang aos berçários de
estrelas por 19 dólares
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Como se não lhe bastasse o título de capital
do planeta, Nova York agora resolveu encaixotar todo o universo
em um único endereço, mais exatamente na esquina
da Rua 81 com a Avenida Central Park West. Ali, o Museu
de História Natural da cidade inaugurou no sábado
19 o Rose Center, um verdadeiro museu dentro do outro. Sua
missão é esquadrinhar cada palmo do espaço
sideral. A vedete do Rose Center é uma esfera de
aço de 26,5 metros de diâmetro que abriga o
mais fabuloso planetário já erguido por mãos
humanas. Para entrar na bolota, paga-se um ingresso de 19
dólares, quantia suficiente para se tornar testemunha
do Big Bang, a formidável explosão que formou
o universo há 13 bilhões de anos-luz. O programa
inclui também uma jornada em alta velocidade por
dentro de um buraco negro, seguindo até os confins
do espaço observável.
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Show com nebulosas e galáxias:
viagem virtual pelo cosmo
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Desde a inauguração do Guggenheim Museum,
em 1959, projetado por Frank Lloyd Wright, Nova York não
ganhava um prédio tão bonito. Primor de arquitetura
e tecnologia, o Rose Center custou 210 milhões de
dólares e conta com parceiros da pesada. Para cuidar
da precisão científica de sua programação,
fez um acordo com a Nasa, que, além de emprestar
seus cientistas, doou 8 milhões de dólares
a um programa educativo da instituição. A
Agência Espacial Européia também fornece
dados aos americanos. Para transformar a ciência numa
atração eletrizante para o cidadão
comum, recrutaram-se roteiristas e empresas que produzem
efeitos especiais para Hollywood e para a Broadway. Disso
tudo resultou um lugar que pode ser definido como um misto
de sala de aula, laboratório e estúdio de
cinema. "O Rose Center é uma catedral cósmica",
ufana-se o arquiteto James Polshek, autor do projeto. "Assim
como a Idade Média fez catedrais para maravilhar
os peregrinos e atraí-los para a fé, pretendemos
atrair peregrinos para a educação e a ciência."
Cada milímetro do Rose Center é um deslumbre.
O chão do piso térreo foi feito com granito
preto incrustado com pedacinhos de cristal checo para dar
a sensação de que se pisa em estrelas. O prédio
transpira elegância e sobriedade. Mesmo antes de abrir
para o público, já se tornou o mais festejado
cartão-postal da cidade. Dentro da bolota de aço,
assiste-se num telão à reconstituição
da explosão que gerou o universo. Em outro espetáculo,
narrado por Tom Hanks, é possível ver refletidos
na cúpula da esfera berçários de estrelas,
nebulosas e galáxias. O sistema de projeção
é único no mundo e mais parece um robô
de ficção científica, ao girar em torno
de seus três eixos fixos, plantado no chão.
É capaz de desenhar no teto da estrutura até
9.100 estrelas simultaneamente
e ainda reproduzir o universo como se estivesse sendo visto
de ângulos extraterrestres. Um detalhe que daria gosto
a Galileu Galilei e a Nicolau Copérnico, dois astrônomos
que, na Renascença, ousaram discordar da teoria de
que a Terra era o centro do universo.