Edição 1 637 - 23/2/2000

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Universo na caixa

O mais moderno planetário do mundo, em Nova York, tem imagens e recursos espetaculares

Angela Pimenta, de Nova York

 
Fotos: AMNH/D

A esfera de aço do Rose Center: do Big Bang aos berçários de estrelas por 19 dólares


Como se não lhe bastasse o título de capital do planeta, Nova York agora resolveu encaixotar todo o universo em um único endereço, mais exatamente na esquina da Rua 81 com a Avenida Central Park West. Ali, o Museu de História Natural da cidade inaugurou no sábado 19 o Rose Center, um verdadeiro museu dentro do outro. Sua missão é esquadrinhar cada palmo do espaço sideral. A vedete do Rose Center é uma esfera de aço de 26,5 metros de diâmetro que abriga o mais fabuloso planetário já erguido por mãos humanas. Para entrar na bolota, paga-se um ingresso de 19 dólares, quantia suficiente para se tornar testemunha do Big Bang, a formidável explosão que formou o universo há 13 bilhões de anos-luz. O programa inclui também uma jornada em alta velocidade por dentro de um buraco negro, seguindo até os confins do espaço observável.

 

Show com nebulosas e galáxias: viagem virtual pelo cosmo

Desde a inauguração do Guggenheim Museum, em 1959, projetado por Frank Lloyd Wright, Nova York não ganhava um prédio tão bonito. Primor de arquitetura e tecnologia, o Rose Center custou 210 milhões de dólares e conta com parceiros da pesada. Para cuidar da precisão científica de sua programação, fez um acordo com a Nasa, que, além de emprestar seus cientistas, doou 8 milhões de dólares a um programa educativo da instituição. A Agência Espacial Européia também fornece dados aos americanos. Para transformar a ciência numa atração eletrizante para o cidadão comum, recrutaram-se roteiristas e empresas que produzem efeitos especiais para Hollywood e para a Broadway. Disso tudo resultou um lugar que pode ser definido como um misto de sala de aula, laboratório e estúdio de cinema. "O Rose Center é uma catedral cósmica", ufana-se o arquiteto James Polshek, autor do projeto. "Assim como a Idade Média fez catedrais para maravilhar os peregrinos e atraí-los para a fé, pretendemos atrair peregrinos para a educação e a ciência."

Cada milímetro do Rose Center é um deslumbre. O chão do piso térreo foi feito com granito preto incrustado com pedacinhos de cristal checo para dar a sensação de que se pisa em estrelas. O prédio transpira elegância e sobriedade. Mesmo antes de abrir para o público, já se tornou o mais festejado cartão-postal da cidade. Dentro da bolota de aço, assiste-se num telão à reconstituição da explosão que gerou o universo. Em outro espetáculo, narrado por Tom Hanks, é possível ver refletidos na cúpula da esfera berçários de estrelas, nebulosas e galáxias. O sistema de projeção é único no mundo e mais parece um robô de ficção científica, ao girar em torno de seus três eixos fixos, plantado no chão. É capaz de desenhar no teto da estrutura até 9.100 estrelas simultaneamente e ainda reproduzir o universo como se estivesse sendo visto de ângulos extraterrestres. Um detalhe que daria gosto a Galileu Galilei e a Nicolau Copérnico, dois astrônomos que, na Renascença, ousaram discordar da teoria de que a Terra era o centro do universo.