Pechincha virtual
Páginas especializadas em turismo
oferecem passagens
e pacotes com descontos na internet
Juliana De Mari
Foi-se o tempo em que a maneira mais fácil de planejar
uma viagem era confiar todos os detalhes a uma agência
de turismo. Aquele antigo ritual de perder horas conversando
sobre o destino ideal, espiando folhetos gastos por tanto
manuseio e depois comprar pacotes que nem sempre satisfazem
as expectativas está passando por uma revolução.
Como já aconteceu com os livros e os CDs, passagens
de avião, hospedagem em hotéis e aluguel de
carros começam a ser negociados no Brasil por meio
de páginas especializadas da internet a preços
imbatíveis. Pela rede mundial de computadores, o
consumidor constrói ele mesmo seu roteiro e avalia
cada passo de sua futura viagem. Só nos Estados Unidos,
mais de 52 milhões de pessoas optaram pela internet
para programar as férias do ano passado.
No Brasil, ainda não existem estatísticas
sobre o uso dos serviços turísticos on-line.
Mas o número de agências virtuais com informações
em português não pára de crescer, enquanto
as agências tradicionais se debatem para evitar o
encolhimento de seus negócios. No início deste
mês, a agência Solid, do Rio de Janeiro, que
mantinha uma página na internet desde 1996, lançou
o serviço Reserve, que registra mais de 8.000
acessos diariamente. Com apenas três cliques no mouse,
é possível ter uma lista de todas as pechinchas
na data da viagem. "A única desvantagem é
que as compras têm de ser feitas no mesmo dia", diz
o dono da Solid, Luís Fernando Vabo. "Só mostramos
o que está disponível para reserva imediata."
Ofertas tentadoras Há poucos meses,
as passagens oferecidas nas páginas das empresas
aéreas chegavam a ser até mais caras que no
balcão das companhias. Hoje, quem pretende viajar
para Nova York e arrisca uma barganha virtual encontra ofertas
tentadoras, com descontos de mais de 20% sobre a tarifa
mais barata oferecida pelas agências. Se o destino
é uma cidade brasileira, os preços são
melhores. No site Descontur, um pacote de sete noites para
Natal com hotel sai por 658 reais, quando apenas a passagem
de ida e volta pela Varig custa 1.040
reais. Se o passageiro quiser só a passagem aérea,
é mais caro: 920 reais. Mesmo assim, o preço
é 10% menor que a tarifa da Varig. "Isso só
é possível porque trabalhamos no sistema de
vendas de última hora", explica Joel Keravec, sócio
da empresa. A agência virtual faz acordos com grandes
operadoras para vender passagens e pacotes que não
foram negociados a tempo e iriam dar prejuízo.
Como a Reserve e outras agências na internet, a
Descontur é um intermediário, que mostra na
tela as opções mais baratas e exige do consumidor
uma decisão imediata sobre a efetivação
da compra. Outros serviços, como o Bargain e o Lokau,
oferecem uma espécie de leilão virtual e buscam
as melhores tarifas para os clientes. É tudo muito
simples: o cliente diz o preço que pretende pagar
e a empresa procura o produto. Para todas as transações,
vale observar algumas regras de ouro no comércio
eletrônico, como checar se a página oferece
telefone e e-mail de contato com o operador e se há
sistema de segurança para pagamento com cartão
de crédito. Daí para a frente, é só
pensar em como gastar o dinheiro economizado com a passagem.