Edição 1 637 - 23/2/2000

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"Fazia tempo que VEJA não tinha uma capa tão linda. Quem dera a vida dos gays fosse tão colorida como essa capa. Parabéns pela reportagem."

Marcos Morais
Fortaleza, CE

Gays

VEJA deu uma enorme contribuição à luta contra o preconceito na reportagem de capa sobre gays. Quero acrescentar ao que foi dito a responsabilidade do Estado de garantir os direitos de cidadania das pessoas, independentemente de sua orientação sexual. Projeto de lei de minha autoria visa punir estabelecimentos comerciais, industriais, de prestação de serviços e órgãos públicos que por seus agentes, empregados, dirigentes ou outro meio discriminarem pessoas em virtude de sua orientação sexual ("Pai, eu sou gay", 16 de fevereiro). Deputada Maria José Maninha
Brasília, DF

 

João Ubaldo Ribeiro

Uma entrevista de grande profundidade, principalmente quando João Ubaldo Ribeiro relata suas experiências com o álcool. Somente aos 35 anos, já casado e pai de dois filhos, é que fui com meu pai ao cinema pela primeira vez. Ele foi dependente de álcool durante vinte anos. Ainda hoje penso em quantas foram as oportunidades desperdiçadas por ele de estar com sua família e seus filhos. Parabéns, João Ubaldo (Amarelas, 16 de fevereiro).
Marcelo de Oliveira
Barretos, SP

Belíssima a entrevista com esse brasileiro chamado João Ubaldo Ribeiro. Ele teve problemas e os enfrentou de peito aberto. Parabéns, João, você é uma lição de vida.
Jorge Wagner
Ribeirão Preto, SP

 

Stephen Kanitz

Muito oportunas as reflexões de Kanitz sobre o ensino centrado no aluno e o conselho final aos jovens para que desenvolvam a capacidade de pensar e tomar decisões. Nosso sistema de ensino, desde o 1º grau, é muito mais do tipo reprodutivo do que criativo, o que tende a criar macacos amestrados sem chegar ao porquê das coisas (Ponto de vista, 16 de fevereiro).
Francisco José Calabrich
Salvador, BA

 

Crédito

Referente à reportagem "O país dos enforcados" (9 de fevereiro), sobre as dificuldades do crédito no Brasil, a Associação Nacional de Factoring, Anfac, esclarece que os citados "balcões de factoring" que realizam adiantamentos ou descontam cheques pré-datados não praticam factoring, que é o mecanismo voltado para assistir às atividades produtivas, como é feito em mais de cinqüenta países. Para coibir estas práticas ilegais no mercado, a Anfac firmou, em 27 de maio de 1999, um Acordo de Cooperação Técnica com a Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. O acordo tem o objetivo de fiscalizar as operações de factoring no Brasil, valorizar o relevante papel socioeconômico desempenhado pelas 720 empresas filiadas à Anfac em benefício de 55.000 pequenas e médias empresas, bem como reprimir irregularidades e distorções no segmento.
Luiz Lemos Leite

Presidente
São Paulo, SP

 

Arc

Oi, Arc. Tudo bem? Fiquei muito feliz quando abri a revista e vi que você tinha voltado (Veja essa, 9 de fevereiro). Estava morrendo de saudade de suas opiniões, que, aliás, são sempre parecidas com as minhas. As coisas são tão simples, é uma pena que as pessoas compliquem tanto, né?
Luciana Rosa Leite

Florianópolis, SC

Nepotismo

Eu lamento que meu pai, deputado federal Themístocles Sampaio (PMDB-PI), tenha dado justificativas tão infantis sobre a contratação de seus filhos e de uma neta no gabinete. Tenho me posicionado contrário ao excesso de contratações dentro da família e, agora, em decorrência da pauta sobre nepotismo na imprensa nacional, publicamente. Meu trabalho de jornalista deveria ter alguma importância para o deputado. Trabalhei na sua campanha; fiz a minha parte. Sabia que deveria ser contratado pelo gabinete. Hoje, segundo meu pai, com 31 anos de idade sou um potencial maconheiro ("Cada parente no seu galho", 16 de fevereiro).
Mauro Sampaio
Teresina, PI

 

Esclareço que nunca fui a favor de nepotismo em nenhum grau. Tanto assim que jamais o pratiquei nas diversas funções públicas que venho exercendo. No contexto das negociações da reforma do Judiciário, que estou intermediando com êxito, uma postura mediadora foi mal compreendida. Dessa forma, fico com a minha prática: o nepotismo deve ser totalmente vedado. Quanto à honraria de ter meu nome vinculado a leis, considero mais justo associá-lo às reformas do Judiciário e tributária, estas sim por mim patrocinadas.
Deputado Michel Temer
Brasília, DF

 

Diplomacia

A Embaixada da Rússia assina a revista VEJA há muitos anos. Durante um ano de minha permanência em seu maravilhoso país, li uma grande quantidade de matérias nas páginas desta revista. Especialmente interessantes são as reportagens sobre a vida no Brasil, que a gente ama tanto, assuntos atuais, entrevistas com as personalidades do país. Porém, a matéria "I love Brasília" (16 de fevereiro), que fala sobre o corpo diplomático da capital, surpreendeu-me desagradavelmente. VEJA descreve a "vida diplomática" com certa brejeirice frívola. A Embaixada da Rússia teve a pior sorte. Ela foi apresentada como a "mais feia". O testemunho disso teria sido uma foto minúscula com um fragmento de parede. O prédio é um projeto de conhecido arquiteto da época da URSS e simboliza a potência e a multinacionalidade do Estado. Além disso, como conhecemos, na arte em geral e na arquitetura em particular, as noções de "bonito" e "feio" são bem relativas. É pena que VEJA não tenha visitado nossas famosas salas para solenidades, que já tinham sido descritas com admiração em algumas revistas brasileiras. Sobre estas comunicou apenas que "já houve recepção em que só tinha refrigerante". Podem acreditar que a hospitalidade russa, apesar de cortes financeiros, é a mesma. Em nossas recepções há caviar e vodca, pirogui (pastéis típicos) e pelméni siberianos (ravióli à moda russa).
Evguênia A. Gromova
Embaixatriz da Rússia

Brasília, DF

 

Bernardino Tranchesi Júnior

A entrevista de Bernardino Tranchesi Júnior (Amarelas, 9 de fevereiro) é uma ofensa ao que ainda existe de bom na medicina brasileira. Comparar Tranchesi a Ivo Pitanguy é uma piada. No período de 1983 a 1996, Tranchesi publicou 22 artigos, em sua maioria apenas como colaborador em revistas nacionais, o que é característico de alguém em formação. Suas publicações se encerram em 1996. No mesmo período, Ivo Pitanguy publicou 97 artigos, dos quais 48 em revistas internacionais, enquanto Adib Jatene publicou 336 (107 em periódicos internacionais), sendo que o último em 1999. Dizer que a qualidade fundamental de um cirurgião é a técnica é o mesmo que transformá-lo de médico em mero mecânico, o que é uma ofensa a um de seus antigos mentores, Adib Jatene, e uma visão completamente equivocada do papel do cirurgião na medicina. A entrevista transmite de maneira melancólica uma salada de conselhos de folhetim, que qualquer navegador da internet pode obter, e uma visão patética do Brasil de hoje, onde o valor não está na produção do conhecimento e sim no enriquecimento pessoal.
Aloysio Campos da Paz Júnior

Cirurgião-chefe da

Rede Sarah de Hospitais

Brasília, DF

 

Banespa

Um trecho da reportagem "Yes, nós temos Banespa" (16 de fevereiro) induz o leitor a acreditar que o Itaú teria "apostado contra o real, comprando dólares no início do ano passado...", o que não corresponde à verdade. O Itaú tem divulgado amplamente que o lucro do exercício foi impactado positivamente, em 535 milhões de reais, pela valorização contábil dos investimentos permanentes no exterior detidos pelo Itaú na Argentina, Nova York, Cayman e Portugal, equivalentes a 1 458 milhões de dólares. Esses investimentos, iniciados há mais de vinte anos, são importante base de capital para o desenvolvimento de negócios no exterior, cada vez mais necessário neste mundo de economia globalizada.
Roberto Egydio Setubal
Diretor-presidente do Itaú

São Paulo, SP

 
DIREITO DE

O Fórum de Debates de VEJA na internet perguntou na semana passada: Gays: vencendo preconceitos?
Eis
algumas respostas:

Seria hipocrisia dizer que os pais aceitam normalmente a opção homossexual de um filho. Mas o amor fala mais alto: como não amar aquele que foi gerado, criado e educado com o maior carinho e respeito?
Adriana Gusmão
São Paulo, SP

adrigusmao@bol.com.br

 

Apesar de muitas mudanças em nossa sociedade, o homossexualismo ainda constitui um tabu.
Dr. Edson F. Nascimento
Ribeirão Preto, SP

enascim@keynet.com.br

Infelizmente, vivemos numa sociedade em que todos os preconceitos são disfarçados.
Lucas Roberto
Caçapava, SP
pesd@uol.com.br

Tenho dois filhos, um com 14 anos e outro com 26. Este último certo dia me disse que tinha um grupo de amigos gays e estava pensando em ser gay também. Mandamos nosso filho menor ir brincar na casa do vizinho. Em seguida, trancamos nosso filho no quarto e demos-lhe uma surra como nunca havíamos dado. No domingo seguinte fomos todos à igreja, nos ajoelhamos e oramos fervorosamente ao Senhor, que penetrou nossos corações e almas de forma tão profunda que nossa vida mudou para sempre. Hoje ele é um homem bem-casado, pai de filho e feliz da vida.
Pericles Lima Bentes
Vitória, ES
plbentes@bol.com.br

A Igreja é a grande causadora do sofrimento de gays e lésbicas, seguindo o estado que acompanha esse desastroso desrespeito pelo ser humano.
A. Monteiro
San Francisco, Califórnia, EUA
al@brazusa.com

Para participar dos debates o endereço é: veja.abril.com.br/ Se você é assinante de VEJA ou do UOL, poderá consultar o texto integral da revista on-line, além das edições regionais e especiais. As instruções estão on-line.

Correções: Diferentemente do que foi publicado na reportagem "Adeus, cartório" (9 de fevereiro), a CertiSign não implantou nem declarou ter implantado nenhum sistema na Receita Federal. Pedro Zarur não é editor de livros, conforme publicado na reportagem "Pai, eu sou gay" (16 de fevereiro), mas gerente de marketing em editora. VEJA atribuiu erradamente ao pesquisador Marcelo Néri, da FGV-RJ, a responsabilidade pelos dados sobre trabalho infantil publicados na nota "Vai subir" da coluna Radar (16 de fevereiro). Na reportagem "I love Brasília" (16 de fevereiro), a foto que aparece no quadro "Eles chamam a atenção" não é de Anita Hugau, embaixadora da Dinamarca, mas de Liv Kerr, embaixadora da Noruega.