
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
A reposta do corpo
Lesão
no quadril tira Guga das quadras e mostra que até os atletas têm
seus limites
Anna Paula
Buchalla
Os atletas
e os preparadores físicos gostam de dizer que só a repetição
leva à perfeição. O organismo responde: a repetição
pode levar a lesões. Na semana passada, a resposta do corpo atingiu
Gustavo Kuerten, que foi eliminado já na primeira rodada do Aberto
da Austrália. A derrota deveu-se às fortes dores na região
da virilha. Uma ressonância magnética feita em dezembro já
havia detectado uma lesão no lado direito do quadril do tenista
número 2 do mundo. Como as dores eram suportáveis, Guga
achou que seria possível enfrentar as quadras rápidas da
Austrália. Desclassificado, ele desabafou: "A pior derrota para
mim foi como cheguei ao final do jogo". Ele estava extremamente cansado,
exaurido pelo sofrimento físico.
O preço
do sucesso de um atleta de alta performance são o cansaço
e a dor. Guga está pagando por ele. Sua rotina de treino é
exaustiva oito horas diárias, sob o olhar do treinador Larri
Passos. Sem contar ainda o calendário extenso das competições,
com torneios de janeiro até o fim de novembro. O tenista brasileiro
sofreu uma ruptura no lábrum acetabular, cartilagem fibrosa que
envolve a articulação do quadril. Esse tipo de lesão
está relacionado ao estilo de jogo de Guga. "É cada vez
maior o número de tenistas profissionais com problemas na região
dos quadris e dores ao redor da virilha", diz o médico Rogério
Teixeira, autor de uma tese de mestrado na Universidade Federal de São
Paulo sobre contusões causadas pelo tênis. Até os
anos 80, explica o doutor Teixeira, no momento de rebater uma bola de
direita, jogadores como o sueco Bjorn Borg projetavam a perna esquerda
para a frente. Os tenistas de hoje, a exemplo de Guga, mantêm as
pernas paralelas. Nessa posição, o atleta ganha mais força
nos membros superiores e amplitude de movimentos. Força-se, no
entanto, muito os músculos e articulações. O corpo
reclama devido à constante e brusca rotação do tronco.
Cada vez
mais se requer que os atletas profissionais superem os próprios
limites. Os tenistas costumam sofrer também de tendinite nos ombros,
dores na coluna e pubialgia. Essa última é conhecida como
o "mal moderno" dos esportistas, entre eles também os jogadores
de futebol e rúgbi e os praticantes de esgrima. O problema é
resultado do esforço que se exige da musculatura interna da coxa.
O craque Ronaldinho, da Internazionale de Milão, nunca mais foi
o mesmo depois do rompimento do ligamento patelar de seu joelho direito
outro tipo muito comum de lesão entre os jogadores de futebol,
basquete e vôlei. Ana Moser, uma das musas do vôlei na década
de 90, teve de encerrar a carreira precocemente por causa de contusões
no joelho esquerdo, lombalgia e tendinite no ombro. Os maratonistas, por
sua vez, sofrem cada vez mais com a fratura por stress dos ossos das pernas,
principalmente a tíbia.
Os primeiros
sinais de que o corpo de Guga não agüentava mais tanto esforço
surgiram em março do ano passado. A partir desta semana, inicia
um programa intensivo de fisioterapia mas ele não interromperá
os treinos. Como a lesão é irreversível, o objetivo
é fazer com que o atleta se adapte a ela e consiga jogar com a
mesma intensidade, sem sentir dor. Se o quadro não melhorar, o
último recurso é a cirurgia para a retirada total da cartilagem,
o que o deixaria fora das quadras por, no mínimo, dois meses.
|
|
 |
|
 |

|
 |