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Caro, mas na hora
Procura
por táxis aéreos aumentou
no Brasil depois dos atentados
terroristas nos EUA
Rosana Zakabi
Oscar Cabral

Táxis
aéreos em São Paulo: o passageiro chega em cima da hora e o vôo não
atrasa |
Nas primeiras
semanas depois dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados
Unidos, as empresas aéreas mergulharam em séria crise econômica,
e o número de passageiros despencou no mundo todo. No Brasil, quem
podia pagar optou por voar de táxi aéreo, pois nesse meio
de transporte o risco de atentado é desprezível. A situação
dos vôos de carreira já está praticamente normalizada,
mas muitas companhias multinacionais, instituições financeiras
e escritórios de advocacia que tinham experimentado os aviões
de aluguel tomaram gosto pelo serviço. A procura por vôos
fretados aumentou 20% nos últimos três meses e os sinais
são de que a demanda tende a continuar em alta. O que pesa na decisão
de fretar um avião agora já não é tanto a
preocupação com segurança, mas a agilidade no embarque
e desembarque. Depois dos ataques terroristas dobraram as medidas preventivas
nos aeroportos brasileiros. Hoje, o passageiro precisa chegar com duas
horas de antecedência para os vôos domésticos e três
horas para os internacionais. As inspeções mais rigorosas
na bagagem e nas aeronaves muitas vezes atrasam a decolagem em quarenta
minutos. No caso de um jato executivo, o vôo sai na hora marcada,
o passageiro chega ao aeroporto quinze minutos antes e não entra
em fila.
| Com
500 empresas e cerca de 1 200 aviões, o Brasil está entre os
cinco países com maior número de táxis aéreos |
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Fretar uma
aeronave não sai barato, em comparação aos vôos
comerciais. O quilômetro voado custa em média 10 reais num
jatinho executivo. O trajeto ida e volta de São Paulo ao Rio de
Janeiro fica em torno de 7.000 reais, doze
vezes mais que uma passagem comum na ponte aérea. Os modelos mais
usados de jatos executivos transportam entre seis e oito pessoas
nesse caso, pode-se levar a equipe inteira por um preço per capita
que é apenas o dobro do de uma passagem ida e volta em um vôo
comercial. Estima-se, de qualquer forma, que metade dos aviões
fretados decole com apenas um passageiro. "O que atrai muitos clientes
é a privacidade durante a viagem", diz Fernando Santos, um dos
diretores da Líder Táxi Aéreo.
Devido às
grandes distâncias e à deficiência da aviação
comercial doméstica, o Brasil está entre os cinco países
com maior quantidade de táxis aéreos. Há 500 empresas,
com cerca de 1.200 aeronaves, o dobro do existente
há dez anos. "O mercado já vinha crescendo antes dos atentados",
diz Maurício Lopes, diretor da Target, de São Paulo, com
oito jatos executivos. "Mas o aumento desde setembro superou todas as
expectativas." As empresas estão até ampliando a frota.
Com sede em Belo Horizonte, a Líder, a maior companhia do ramo,
com 47 aeronaves, encomendou um Hawker 800 XP, jato de 12 milhões
de dólares para oito passageiros. A TAM, que tinha quatro aparelhos,
comprou no mês passado dois jatos Cessna Citation Jet 2. Apesar
do grande número de empresas, o mercado de aviões de aluguel
é dominado pelas doze maiores, que operam em São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília, os centros mais movimentados.
O momento é de animação, pois se aproxima o que pode
ser chamado de alta temporada nos negócios aéreos: a campanha
eleitoral. No segundo semestre, com políticos e assessores correndo
o país atrás de eleitores, há previsão de
que o número de fretamentos aumente 30%. "Os candidatos preferem
os jatinhos", diz José Eduardo Brandão, diretor da Associação
Brasileira de Aviação Geral (Abag).
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