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Arquitetura de grife
A nova
loja da Prada no SoHo
esbanja arte e inovação. Ah,
também tem bolsas e sapatos
Tania Menai,
de Nova York
Quem vê
pela primeira vez fica em dúvida. É uma galeria de arte?
Um boliche anabolizado? Moderníssima pista de skate? Até
quem já veio com o espírito preparado tem de fazer certo
esforço para não demonstrar espanto. A nova loja da Prada,
a marca italiana cultuada pelos iniciados nos mistérios fashion,
erguida no local onde funcionou até dois anos atrás a filial
do Museu Guggenheim no SoHo, em Nova York, é de fazer cair o queixo.
Com a inauguração postergada devido aos atentados de 11
de setembro, a loja, se é que se pode usar palavra tão banal
num caso como esse, abriu as portas no fim do ano, numa Nova York ainda
contrita e só o tititi que provocou já valeu como
uma injeção de ânimo. Ao custo de 40 milhões
de dólares, a Prada do SoHo, projeto do arquiteto holandês
Rem Koolhaas, vira pelo avesso tudo o que se fez até hoje em matéria
de varejo, e isso num ramo em que os arroubos arquitetônicos andam
cada vez mais mirabolantes. Num espaço de 2.300
metros quadrados, o cliente se assombra com a arquitetura, se encanta
com a decoração, se surpreende com os efeitos high tech
e, sim, até se intimida com tanta novidade. Aí, vai pôr
os olhos em sapatos, bolsas e roupas. "Pelo menos 20% das pessoas que
entram aqui estão mais interessadas na arquitetura", avalia o gerente,
Michael Head.
A loja é
cheia de sobe-e-desce, corredores, espelhos e telões. Aquilo que
à primeira vista parece uma rampa de skate de madeira é
na verdade a Onda, com direito a inicial em maiúscula, ponto alto
do projeto de Koolhaas percorre de ponta a ponta o centro vazado
dos dois andares de um quarteirão inteiro onde está instalada
a Prada. De um lado, tem degraus, onde estão expostos os sapatos:
é sentar e experimentar, se tiver coragem (os preços começam
ali pelos 300 dólares). De outro, a rampa desemboca em um palco,
com iluminação própria. "Além de vender produtos,
queremos montar aqui exposições, recitais de poesia e música,
peças de teatro e todo tipo de performance", diz Head numa tarde
de sábado, enquanto centenas de curiosos passeiam pela loja de
olhos arregalados e exclamações em vários idiomas.
O único ponto de cores fortes é a parede coberta de papel
com desenho feito especialmente para a Prada por um estúdio de
Nova York. O tema são plantas carnívoras agora, porque
o papel vai mudar a cada coleção.
Um elevador
cilíndrico transparente, decorado com malas e bolsas Prada, faz
a ligação entre os dois andares. Outros produtos são
exibidos em gaiolas de vidro penduradas no teto; outros, ainda, sobre
tablados de madeira em sala de piso quadriculado e teto de espelho. Em
cinco dos oito provadores, o cliente, ao entrar, pisa num controle que
torna opacas as portas de vidro transparente. Dentro, monitores mostram
a pessoa pelas costas, visão que especialistas em elegância
consideram vital, embora muitas mulheres preferissem poupar-se da experiência.
Lá mesmo no provador, uma máquina parecida com um caixa
eletrônico lê a etiqueta do produto, informando tamanhos,
cores, materiais, número de peças no estoque e preço
este, raramente abaixo dos quatro dígitos. "Um cliente que
desembolsa 2.400 dólares por um casaco
quer saber o que está comprando", justifica Head.
O mérito
pelo impacto da nova Prada vai, em boa parte, para Koolhaas, professor
da Universidade Harvard, vencedor do prêmio Pritzker (o Nobel da
arquitetura) em 2000, que nunca antes havia projetado uma loja. O resto
é creditado a Miuccia Prada, neta mais nova de Mario Prada, o italiano
que criou a marca, em 1913, em Milão. Miuccia assumiu os negócios
da família em 1978 e, em parceria com o marido, Patrizio Bertelli,
ressuscitou a grife, transformada numa lançadora de tendências
e produtora de "conceitos", como se diz no mundo fashion. Miuccia, ex-comunista
de carteirinha, como era quase obrigatório na Itália dos
anos 70, tem aspirações intelectuais e foi influenciada
pela Arte Povera, coisa que transparece tanto em suas roupas quanto em
suas idéias. A nova loja pretende, como diz em puro pradês,
"estudar e desenvolver o conceito e a função dos espaços
para compra e comunicação de maneira inovadora". Projetos
similares estão encomendados para San Francisco, Los Angeles e
Tóquio.
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